[ForumCoordenadorias] Que tal abortar a hipocrisia? Para ler e refletir.

Ilza Francisca da Cruz ilzacruz_brasil em hotmail.com
Sexta Outubro 8 16:34:43 BRT 2010


Vamos refletir, nosso voto vai direcionar o rumo do nosso país. Retrocesso
ou avanço?
professora Ilza





*Saudações Feministas!*
**
*Elizabete Rodrigues da Silva
*Doutoranda em Mulheres, Feminismo e Gênero - NEIM/UFBA
Mestre em História Social - UFBA
Professora da Rede Estadual de Ensino - Bahia
Professora da Facdiuldade Maria Milza - FAMAM
Cel.: 75 91187763
*"Quanto mais alto voamos **menores parecemos aos olhos daqueles que não
sabem voar"*


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   Paulo Moreira Leite: Que tal abortar a hipocrisia?*Que tal abortar a
hipocrisia?*
Publicado na site: Viomundo
qua , 6/10/2010
*Paulo Moreira Leite*, no *blog da
Época*<http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2010/10/06/que-tal-abortar-a-hipocrisia/>


A discussão sobre a discriminalização do aborto foi um tema da reta final do
primeiro turno e deve permanecer na segunda fase da campanha presidencial.
Há um lado peculiar nessa discussão. Ninguém falou de aborto nos últimos
anos. Os vários projetos sobre o assunto, no Congresso jamais mereceram
atenção da imprensa nem dos partidos políticos. Ficaram adormecidos e eram
lembrados, como bandeira feminista, nos festejos de 8 de março ou outras
datas semelhantes.
Na última semana da campanha, o debate surgiu.
Por que? Honestamente, só há uma explicação política: era uma forma de
prejudicar a candidatura de Dilma Rouseff e tentar impedir sua vitória no
primeiro turno.
Não é uma conspiração. É uma intervenção política, nos subterrâneos da
campanha. É dificil imaginar que o aborto tenha surgido de forma espontânea.
Foi um assunto provocado, de fora para dentro. Todos os grandes candidatos
têm suas conexões religiosas e seus aliados neste universo.
Da mesma forma que um partido pode mobilizar sindicatos para defender uma
candidatura ou um grupo de empresários para conseguir apoio, outra legenda
pode mobilizar uma liderança religiosa para prejudicar um adversário.
Os adversários de Dilma descobriram um ponto sensível, onde seria possível
atingir a candidata e colocaram o assunto na internet, produzindo o estrago
que se conhece. Não é um ataque sem base.
A posição de Dilma e do PT modificou-se ao longo do tempo. O PT decidiu não
colocar o assunto em discussão na campanha eleitoral, ainda que ele tivesse
surgido na primeira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos, sendo
extirpado por decisão do presidente Lula, que não teve receio de
desautorizar seus próprios auxiliares.  O eleitor tem o direito de saber que
a liderança religiosa que condena um concorrente em função dessa questão tem
vínculos com determinada candidatura e trabalha para ela.
Quem acha necessário  levantar a discusssão deve fazer isso de modo
transparente, e não na forma de insinuações e acusações pela internet.  O
esforço para criar um debate sem origem é revelador de uma operação
eleitoral, de quem quer cativar o eleitor religioso sem perder apoio junto a
setores da classe média urbana que tem outra visão sobre o assunto e pode
achar esse comportamento reacionário e inaceitável.
A falta de interesse que o aborto costuma provocar na vida cotidiana do país
só ressalta o caráter artificial dessa discussão agora.

Por exemplo: lendo a Folha de hoje descobri que o PV é a favor da
legalização do aborto desde 2005. É espantoso, quando se recorda que é
justamente o partido de Marina Silva.

(O PV também é a favor da legalização da maconha, diz o jornal. Não duvido
que uma pesquisa aprofundada descubra uma resolução de algum encontro verde
a favor de casamentos de homossexuais…)
Não acho essa revelação sobre a posição do PV sobre a legalização do aborto
escandalosa. É sintomática.
A sociedade brasileira convive há muitos anos com o aborto, que é tolerado
em todas as famílias com uma única diferença. Quando a pessoa tem posses,
pode submeter-se a uma cirurgia como tantas outras. Caso contrário, é
submetida a intervenções   de risco.  O debate é uma questão de saúde
pública, acima de tudo.
Não conheço ninguém que seja a favor do aborto. Mas conheço muitas mulheres
que realizaram um aborto porque não se sentiam capazes de criar um filho sob
determinadas condições  — o que me parece uma atitude tão respeitável  como
a daquela que não realiza o aborto por uma postura ética de não atentar
contra a aquela forma de vida humana.
Acredito nos políticos que dizem que são contrários ao aborto. Não conheço
nenhuma pessoa que, em pleno gozo de sua saúde mental, seja a favor de
interromper o desenvolvimento de um feto, de modo gratuito, em vez de
utilizar métodos anticoncepcionais.
Na vida pública, nossos políticos se comportam da mesma forma, independente
de cor, filiação partidária ou origem religiosa: toleram o aborto. Por essa
razão as clínicas que realizam esse tipo de cirurgia funcionam de forma
discreta e jamais são incomodadas pelas autoridades. A partir de uma certa
idade, toda mulher brasileira sabe onde pode encontrar o nome de um médico
que pode interromper sua gravidez. Marie Claire, uma das grandes revistas do
país, tem posição editorial firmada a favor da discriminalização do aborto.
Periodicamente, os jornais e revistas entrevistam celebridades que já
fizeram aborto — e nada lhes acontece, ao contrário do que ocorreu com o
galã Dado Dolabella, que será processado porque recentemente foi apanhado
com algumas gramas de maconha.
Na prática, o país caminha em direção à discriminalização — mesmo que nem
sempre seja conveniente admitir isso.  Essa discussão envolve um debate
necessário e será lamentável se o assunto for transformado em troféu de uma
guerra eleitoral.
Estamos num desses casos em que raramente se diz aquilo que se faz.
Concorda?







-- 
EXPRESSÃO FEMINISTA
Partido dos Trabalhadores
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