[ForumCoordenadorias] Machismo e dupla jornada
Mara Regina
mara_reginapt em yahoo.com.br
Sexta Março 11 00:55:08 BRT 2011
Cuidado com os filhos e a casa força segunda jornada de trabalho e diminui renda
das mulheres
Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
BrasÃlia – A má distribuição de tarefas entre homens e mulheres em casa e no
cuidado com os filhos é apontada como fator limitante para inserção das mulheres
no mercado de trabalho, em carreiras com melhor remuneração.
“As mulheres não entram em condições de igualdade com os homens no mercado de
trabalho por causa da dupla jornada que exercem e não são remuneradas por conta
de cuidados com os filhos, com a casa e, com as pessoas doentes e, às vezes, até
com com o trabalho comunitárioâ€, aponta Eliana Graça (foto), assessora polÃtica
do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e voluntária do Centro Feminista
de Estudos e Assessoria (Cfemea).
“A responsabilidade dupla das mulheres acaba fazendo com que ela se insira de
forma mais precária no mercado de trabalho; contribuindo decisivamente para que
as famÃlias chefiadas por elas estejam mais presentes na pobreza do que as
famÃlias chefiadas por homensâ€, complementa a economista Luana Simões Pinheiro,
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Luana pondera, no entanto, que a inserção precária no mercado de trabalho não se
deve apenas ao domÃnio masculino e a ações descriminatórias do mercado. “Essa
questão se reproduz pelos homens e pelas mulheres. É uma questão de dois lados.
Não tem só vÃtimas, mocinhos e bandidos nessa história. Todo mundo reproduz no
cotidianoâ€, enfatiza ao lembrar que “as meninas nascem ganhando um kit cozinha,
com panelinhas, e os meninos ganhando um carrão de brinquedo, que incentiva a
velocidade a não ter medo, a ter coragemâ€.
O sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Venturi
destaca que todo fenômeno de dominação e opressão só ocorre porque aqueles que
têm um papel subalterno assumem valores do grupo dominante. “Muitas mulheres
contribuem para a reprodução dessa cultura machista, ainda que sofram fortemente
suas consequênciasâ€, avalia.
Venturi coordenou a pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e
Privado, feita para a Fundação Perseu Abramo (ligada ao PT) para o Serviço
Social do Comércio (Sesc), na qual 30% dos homens se declararam machistas (4%
“muito machistasâ€).
A pesquisa recentemente divulgada pela Secretaria de PolÃticas para as Mulheres
(aplicada em agosto de 2010) foi comparada a outro estudo semelhante de 2001.
Para Venturi, no intervalo de nove anos, foram poucas as mudanças no “consensoâ€
de que são as mulheres que devem cuidar dos filhos desde a primeira infância. De
lá para cá, cresceu de 27,3% para 35,2% o número de famÃlias chefiadas por
mulheres segundo dados do Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade
(Iets).
Eliana Graça, do Cfemea e do Inesc, aponta que as polÃticas públicas que foram
criadas pelo governo federal nesse perÃodo, como o Programa Bolsa FamÃlia,
mantém o preconceito de que o cuidado com os filhos é responsabilidade exclusiva
das mães. Noventa e três por cento dos cartões do programa são em nome das
mulheres. “Assim, o programa cristaliza o papel da mulher que nós estamos
acostumados: o papel da mãe cuidadoraâ€.
Edição: LÃlian Beraldo
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