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<strong>* Vendendo a capa - Arnaldo Jabor<br>
</strong> <br>
Nos últimos dias temos acompanhado o "trabalho" da imprensa na condução<br>
do chamado Caso Bruno. Sofrendo com a falta de notícias após a eliminação do<br>
Brasil na Copa do Mundo e da crucificação midiática que sofreram Dunga e<br>
Felipe Mello, a imprensa resolveu construir um novo vilão para vender suas<br>
capas: Bruno.<br>
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Bruno, ainda bebê, foi abandonado por sua mãe biológica. Cresceu criado<br>
por uma mãe adotiva, em condições precárias em uma favela qualquer, vítima<br>
da sociedade brasileira. Milhões de outras pessoas na mesma situação, desde<br>
muito jovens se enveredaram pelo mundo do "mais fácil": tráfico de drogas,<br>
assaltos, assassinatos, dentre outros. Bruno não. Bruno, ao contrário do que<br>
lhe reservara o destino, seguiu o caminho do esporte. Foi guerreiro. Sim, um<br>
guerreiro, pois nós sabemos que ninguém chega aonde Bruno chegou sem ter,<br>
além de talento, esforço, disciplina e treinamento forte. Bruno se negou a<br>
trilhar o caminho do mais fácil. Não quis traficar drogas, nem roubar.<br>
Preferiu tentar talvez a única oportunidade que a vida oferece a quem tem as<br>
raízes que ele tem: na falta de oportunidades de estudo e trabalho, o<br>
esporte. Bruno passou por grandes clubes do país, e ninguém chega a esse<br>
ponto sem trabalho e seriedade.<br>
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E Eliza Samudio? Filha de pais de classe média, não teve uma vida de<br>
luxo, mas sempre viveu longe da miséria à qual Bruno sempre esteve<br>
acostumado. A vida sempre lhe abriu portas, estudou em colégios particulares<br>
e teve a oportunidade de cursar uma faculdade e levar uma vida normal para<br>
uma garota de sua idade e condição social. Mas isso era pouco para a<br>
ambiciosa Eliza. O sonho de Eliza sempre foi a fama, o estrelato, os<br>
holofotes. Figurinha carimbada nas clássicas "festinhas" organizadas por<br>
jogadores, Eliza Samudio é muito conhecida no mundo dos boleiros. Participou<br>
de orgias com vários jogadores de times de São Paulo e Rio de Janeiro,<br>
sempre em busca de um "namoradinho" que lhe rendesse alguma mídia. Bruno foi<br>
o azarado cuja camisinha estourou. O que aconteceu na verdade, se ela está<br>
ou não morta, e quem a matou, talvez nós nunca iremos descobrir. Fato é que<br>
a vida que Eliza escolheu levar cedo ou tarde a levaria a morrer.<br>
<br>
Eliza preferiu o caminho do mais fácil. Além de orgias com jogadores -<br>
onde cobrava cachê para participar - é conhecida no mundo dos filmes<br>
pornográficos como Fernanda Faria ou Victoria Sanders. Com a recente onda de<br>
notícias, já existe uma profusão de vídeos seus ganhando a internet. Eliza<br>
sempre teve aversão à vida comum, nunca se dispôs a estudar e trabalhar, e<br>
hoje é vendida da mídia como estudante e modelo.<br>
<br>
*<br>
* Ela é o cordeiro, e Bruno é o lobo mau. Preocupados em vender notícia,<br>
os grandes veículos de comunicação se acostumaram a criar a batalha do bem<br>
contra o mal, do mocinho contra o vilão, e o que nós vemos não é assim.<br>
Deveria existir uma preocupação em aproveitar esse caso para educar e<br>
ensinar a sociedade. Deveriam demonstrar quais eram os métodos de Eliza, que<br>
sempre tentou laçar algum desavisado para ganhar os holofotes. Deveriam<br>
focar no fato de que ela fazia programas, filmes pornográficos que vendia<br>
seu corpo e vivia em um mundo perigosíssimo, com atitudes igualmente<br>
perigosas. Bruno foi o boi de piranha, a ponta fraca da corda. Eliza, caso<br>
realmente tenha morrido - e não seja apenas um golpe dela, que, escondida,<br>
aguarda a hora certa de aparecer para cobrar milhares de reais em<br>
entrevistas exclusivas e quintuplicar seu cachê em produções pornográficas<br>
-, não teria apenas tido o que sempre procurou? Fama e holofotes!?*<br>
*<br>
<br>
Bruno lutou contra o destino por um futuro melhor. Saiu da trilha do<br>
crime em busca de uma vida correta, mas talvez o meio em que ele cresceu o<br>
tenha levado a fazer o pior. Eliza trilhou o caminho exatamente inverso. É<br>
uma pena que tenhamos que presenciar os métodos sujos de vender jornal da<br>
imprensa brasileira.*<br>
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<b>SOBRE O ARTIGO DE NOSSO CINEASTA MIDIÁTICO</b><br>
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Esse tipo de comentário tem imperado na sociedade brasileira desde os anos 1970, com o assassinato das mulheres mineiras - e se estende por todo o Brasil patriarcal desde então. Até gerou um movimento machista cheio de humor comandado na época pelo Ziraldo...mineiríssimo.<br>
<br>
Ao homem, todos os méritos, às mulheres, a condenação. <br>
Inclusive, Angela Diniz, barbaramente assassinada e desfigurada por seu amante, depois de morta foi condenada por um dos melhores criminalistas do Brasil, o tal Dr. Evaristo, que liberou o confirmado assassino Doca Street de tal responsabilidade. A defesa usou
dos mesmos argumentos: ela se drogava, era alcóolatra, tinha relações lésbicas, vivia uma vida errante depois de ter sido proscrita pela família e privada de ver seus filhos...<br>
No caso da pobre Samúdio, por mais devassa que fosse sua vida, ninguém teria o direito de tirá-la, em nome de um machismo ou de não sei o quê que impera em nossa sociedade. Acusa-se a assassinada para isentar os homens da culpa, para impedi-los de assumir a
responsabilidade por seus atos.<br>
É claro - e penso assim - que nossa mídia quer mesmo é pratos quentes e frescos para servir enquanto dura o interesse do público (aliás, telejornal deveria mesmo ser proibido para menores), ganhando muito com os anúncios - mas negligenciando as grandes causas
desse mundo conturbado. Ela faz da mulher um mero objeto de uso - e desuso - assustador, que pode ser descartado a qualquer momento. Uma adolescente de classe operária morreu em Santo André diante das câmeras que mediatizou à exaustão seu sequestro domiciliar
pelo ex-namorado. Chose de lóque!!! como dizia aquele personagem do Jô, o último exilado brasileiro em Paris, que se descabelava a cada vez que recebia notícias daqui. Vocês não querem que eu volte, ele dizia. mas aqui estamos!<br>
Cabelos loiros, caras e bundas, cameras closes de traseiros bem definidos, mesmo que seja a poder de silicones, estes têm sido os valores femininos que se divulgam. As mulheres estão por aí, apanhando, morrendo e sendo condenadas por terem feito tal e tal coisa...
que nos homens nunca se censura.<br>
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<span style="FONT-WEIGHT: bold">Joga a pedra na Geni</span> - mas é prá matar mesmo!
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E o Jabor já me esgotou a paciência e provou o quão machista é. Admiro seus textos bem escritos, são comentários de alta literalidade, como também o são os de Vargas llosa, direitona peruana!!! que felizmente não ganhou as eleições.<br>
Um dia, quem sabe, ele, o Jabor, vai pagar pelo machismo que está ajudando a consolidar nesta terra Brasil.<br>
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Quem recebeu o vídeo-campanha sobre a imagem da mulher na mídia sabe que há muitas mulheres que estão aí batalhando para mudar este estado de coisas, para que se controle estas imagens femininas esdrúxulas que são divulgadas, estes conteúdos vazios, superficiais
e principalmente degradantes! Certamente, dirão muitos homens - e mulheres machistas também, porque elas existem e são numerosas - é porque a maioria delas (ah! essas comunicadoras feministas...) é frustrada, não têm homem ou são `pervertidas` homossexuais,
sapatas... e por aí vai. Nestas horas, há um consenso sem ética. <br>
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A violência é a arma dos fracos que se acham poderosos, até que se prove o contrário e se ponha um limite nisso tudo, se humanize nossas relações sociais - apesar dos competentes advogados Evaristos! Apesar do Jabor.<br>
Felizmente, nós ainda estamos aqui para protestar! Nós voltamos e nunca saímos do ar.<br>
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Inês Amarante<br>
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O INTERNET EXPLORER 8 AJUDA VOCÊ A FICAR LONGE DOS VÍRUS. <a href="http://www.microsoft.com/brasil/windows/internet-explorer/features/stay-safer-online.aspx?tabid=1&catid=1&WT.mc_id=1632" target="_blank">
DESCUBRA COMO.</a> </div>
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