<br /><strong><span style="color: #800000; font-size: large;">Cota não é "dá ou desce", diz nova ministra <br /><br /></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #000080;"><strong>Para Luiza Bairros, da Igualdade Racial, o melhor caminho não é impor as ações às universidades federais<br /><br />Socióloga defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, a serem adotadas por meio de incentivos</strong><br /><br /></span><strong>JOHANNA NUBLAT</strong><br /><span>DE BRASÍLIA </span><br /><br />Gaúcha radicada em Salvador há 31 anos, atual secretária de promoção da igualdade da Bahia, a socióloga Luiza Bairros, 57, assumirá a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão vinculado à Presidência da República.<br />À <strong>Folha</strong> ela defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, e diz que o melhor não é impor ações às universidades federais -posição que se opõe ao
atual entendimento da pasta.<br />"Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos." <br /><br /></span><span style="font-family: Calibri;"> <img class=" imgLoading" src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" alt="" /></span><br /><span style="font-family: Calibri;"><strong>Folha - Há uma ação que a sra. sabe que precisa ser feita? <br />Luiza Bairros -</strong> A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra.<br /><br /><strong>E como isso seria alcançado?</strong><br />A partir de medidas coordenadas e articuladas. As questões mais específicas são muito importantes. Quer dizer, tanto é importante o acesso ao Bolsa Família como viabilizar que os que já o recebem saiam do programa.<br />A questão da educação é extremamente importante, porque temos uma evasão escolar bastante
grande, o que é particularmente grave na população negra.<br />Também a saúde. De novo, entre os negros é que se registram mortes mais precoces e em maior número.<br /><br /><strong>O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado neste ano sob críticas de retirada de pontos importantes. A sra. concorda?</strong><br />Não. O estatuto gerou no movimento negro uma expectativa alta. Na discussão no Congresso, foi perdendo aspectos considerados fundamentais pelo movimento, como a questão das cotas.<br />Boa parte da insatisfação se deve à percepção de que foi retirado um instrumento eficiente na redução das desigualdades raciais. Agora, deve ser ressaltado que, no ensino universitário, as cotas foram implantadas independentemente de legislação.<br /><br /><strong>Todas as universidades federais deveriam ter cotas?</strong><br />O êxito da iniciativa nas que adotaram é tão evidente que deveria ser um indicador importante para as que ainda não estão convencida
s.<br /><br /><strong>De forma impositiva ou não?</strong><br />Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza.<br /><br /><strong>Ou seja, não é cota por estrato social, mas para negro?</strong><br />Não é mesmo. Mesmo quando você analisa as estatísticas de desigualdade racial, é importante observar que, nas informações por renda entre brancos e negros, as diferenças continuam.<br /><br /><strong>Há gestores que defendem a imposição. E a sra.?</strong><br />Tenho dificuldade de responder isso. A imposição é dada pelas mudanças que a sociedade vai provocando nos valores. Chega num ponto em que a sociedade muda tanto que as instituições são obrigadas a mudar com ela.<br /><br /><strong>Mas, talvez, elas sozinhas não façam esse movimento...</strong><br
/>Elas têm de ser, em algum nível, levadas a isso. Há várias formas possíveis, usadas em outros países, que podemos estudar num futuro próximo. Por exemplo, oferecendo incentivos para que universidades ou outras instituições adotem essa medida.<br /><br /><strong>Mesmo as públicas?</strong><br />Sim, é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.<br />Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos.</span>