[Mulheresdepartidos] De cidadã para cidadã - De militante para militante - De mulher para mulher

Tereza t.vitale em terra.com.br
Domingo Agosto 29 12:09:40 BRT 2010


De cidadã para cidadã,

De militante para militante,

De mulher para mulher,

 

Muitos me conhecem da minha militância partidária na área das mulheres. No
meu partido político procuro construir uma ponte amistosa com os movimentos
sociais, de mulheres, de feministas. Creio que estamos nos saindo bem quando
tentamos mostrar que somente por meio de um partido político podemos nos
eleger e ocupar espaços nos parlamentos.

 Elegi, há dez anos, “mulher na política” como o foco central das minhas
atenções, ocupando um espaço necessário no meu partido frente aos reclamos
da sociedade e acreditando que o mundo político pode melhorar, que a prática
política estava esgotada com a maxirrepresentação dos homens nos
parlamentos. Ao mesmo tempo, as políticas dos movimentos de mulheres e
feministas davam uma guinada para essa temática por ser uma bandeira
planetária. “Mais mulheres no poder”, “lugar de mulher é na política”, são
bordões que passaram a ocupar os meus estudos e meu engajamento, por
acreditar serem muito mais do que palavras de ordem, por acreditar que
estava passando da hora de termos assegurado nossos lugares nos espaços de
decisão institucionais e não institucionais.

 Acredito ainda fortemente que nossa luta é inequívoca, pois dela também
depende o fortalecimento da nossa democracia. Trata-se de uma luta por
igualdade de direitos, luta pelo combate à cultura patriarcal da qual somos
as maiores vítimas e dela depende a libertação e a emancipação das mulheres
para banirmos de nossas estatísticas os números assustadores de mortalidade
materna e violência doméstica. Da emancipação da mulher depende, em igual
medida, entendermos a masculinidade de nossos filhos e de novas gerações,
que é possível que seja respeitosa, para nos transformarmos num mundo justo
e equitativo.

 Estou indignada, muito indignada! Por isso este meu “grito”. Por isso as
palavras não cabem mais na minha boca, estou abafada e também desolada. Por
razões de trabalho, só na segunda semana das exibições dos programas
eleitorais na TV aberta pude assistir a alguns deles e constatar o que esta
campanha do lulopetismo está fazendo com o povo brasileiro. Em meio a essa
constatação, pude ler comentário da jornalista Dora Kramer (A menor graça,
24 de agosto, Estadão) cujo título nos remete a um “Antigamente” muito
recente. Ela diz que “logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula fez um
pronunciamento público em que, entre outros reconhecimentos, dizia-se grato
ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua ‘imparcialidade’
durante o processo eleitoral”. A articulista completa que: “segundo Lula, a
conduta de FH e a Justiça Eleitoral ‘contribuíram para que os resultados das
eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro’”.

No dia seguinte (25 de agosto de 2010), o senador Roberto Freire, em artigo
na Folha de S. Paulo, intitulado Não ao "dedazo" de Lula,  afirma que “há
dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à sua disposição
e de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu sucessor. Lula não
escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas políticas, como os petistas
José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram expelidos de seu governo por
motivos éticos. Muito menos um aliado, como o ex-ministro da Integração
Nacional Ciro Gomes, cuja legenda lhe foi negada pelo PSB a pedido do
próprio presidente da República. Optou por uma auxiliar direta, sem projeto
político próprio ou experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas
determinações: a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff”. 

 Claro que Dilma, como qualquer outro candidato indicado pelo presidente,
dispararia no horário eleitoral como decorrência natural do abuso de imagem
do mandatário maior do país que tem quase 80% de aprovação popular. Mas
trata-se de um acinte à nossa democracia. Por conta do cinismo e da
ilegalidade de ações do chefe da nação, o país assiste estarrecido a um
permanente e contínuo atropelo das leis. E logo por parte de quem deveria,
pelo cargo que exerce, ser o principal defensor e não o maior transgressor
das normas de conduta da democracia e da República, atitude que de tão
repetitiva poderá roubar o direito de escolha dos brasileiros.

Desnecessário citar todas as implicações encarnadas por esse projeto de
poder alavancado pelo aparelhamento de Estado, comandado por uma
personalidade com elevadíssimos índices de aprovação, como ora ocorre. Além
da partidarização da máquina governamental, do controle e da estatalização
dos principais movimentos sociais, o dominante são práticas
assistencialistas, práticas cada vez mais capilarizadas de desmandos éticos
e ainda práticas clientelistas ao velho estilo político que tanto queremos
combater para poder de fato promover a transformação de nosso povo e dos
povos de todas as nações. 

Está doendo demais conviver com essa velha política de benefícios pessoais
ou de grupelhos ladrões do dinheiro público e da dignidade humana.

E que mulher é essa que hoje vemos disputando o poder do maior cargo da
República?

Que satisfação daremos às nossas companheiras de 1º hora?, nossas filhas? e
netas? Que satisfação daremos às mulheres da comunidade as quais dirigimos
nossos trabalhos? O que falar às companheiras que conquistamos visitando o
país todo chamando para se juntar a nós como agentes da política? Como
explicar-lhes, sem escandalizar, que Dilma – embora uma burocrata competente
em sua área, não possui projeto político próprio nem experiência eleitoral –
mudou a cara, o cabelo, o guarda-roupa, a personalidade para ser a candidata
do presidente da República que a escolheu, no seu (do presidente) projeto de
poder pessoal, confundindo-a com um animal dócil e facilmente manipulável?
Como pregar a emancipação para a mulher – no seu sentido mais amplo – chegar
ao poder?

Eu estava me dizendo constantemente: está certo ela ser treinada para fazer
discursos para as massas, ser treinada para participar de debates e
programas de TV. É difícil essa prática da oratória. Mas, ouvindo tanta
besteira da boca de seu criador, não posso deixar de me incomodar com a
aceitação dessa candidata a tanta truculência e desrespeito à dignidade de
uma mulher. É um reforço ao patriarcado do qual somos vítimas.

 Não dá para aplaudir, não dá para votar, não dá para nos orgulhar e mais
tarde dizer: “Vencemos! Uma mulher no mais alto cargo da República nos
representa!”

Nossa fala será nostálgica: “Tanto trabalho por que mesmo?”

Os fins não justificam os meios. Este preço é muito alto, altíssimo!!!

Tereza Vitale

Cidadã brasileira, 29/08/2010 

 

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