Re: [Mulheresdepartidos] De cidadã para cidadã - De militante para militante - De mulher para mulher
regina perondi
reginaperondi em gmail.com
Domingo Agosto 29 21:29:00 BRT 2010
Querida Tereza,
obrigada por seu grito de indignação. Compartilho o sentimento, lamentando
ainda que o presidente queira nos impor uma "mãe" que sequer nos representa
como mulheres engajadas na política.
Um forte abraço, Regina Perondi
Em 29 de agosto de 2010 12:09, Tereza <t.vitale em terra.com.br> escreveu:
> *De cidadã para cidadã,*
>
> *De militante para militante,*
>
> *De mulher para mulher,*
>
>
>
> Muitos me conhecem da minha militância partidária na área das mulheres. No
> meu partido político procuro construir uma ponte amistosa com os movimentos
> sociais, de mulheres, de feministas. Creio que estamos nos saindo bem quando
> tentamos mostrar que somente por meio de um partido político podemos nos
> eleger e ocupar espaços nos parlamentos.
>
> Elegi, há dez anos, “mulher na política” como o foco central das minhas
> atenções, ocupando um espaço necessário no meu partido frente aos reclamos
> da sociedade e acreditando que o mundo político pode melhorar, *que a
> prática política estava esgotada com a maxirrepresentação dos homens nos
> parlamentos. Ao mesmo tempo, as políticas dos movimentos de mulheres e
> feministas davam uma guinada para essa temática por ser uma bandeira
> planetária.** “*Mais mulheres no poder”, “lugar de mulher é na política”,
> são bordões que passaram a ocupar os meus estudos e meu engajamento, por
> acreditar serem muito mais do que palavras de ordem, por acreditar que
> estava passando da hora de termos assegurado nossos lugares nos espaços de
> decisão institucionais e não institucionais.
>
> Acredito ainda fortemente que nossa luta é inequívoca, pois dela também
> depende o fortalecimento da nossa democracia. Trata-se de uma luta por
> igualdade de direitos, luta pelo combate à cultura patriarcal da qual somos
> as maiores vítimas e dela depende a libertação e a emancipação das mulheres
> para banirmos de nossas estatísticas os números assustadores de mortalidade
> materna e violência doméstica. Da emancipação da mulher depende, em igual
> medida, entendermos a masculinidade de nossos filhos e de novas gerações,
> que é possível que seja respeitosa, para nos transformarmos num mundo justo
> e equitativo.
>
> Estou indignada, muito indignada! Por isso este meu “grito”. Por isso as
> palavras não cabem mais na minha boca, estou abafada e também desolada. Por
> razões de trabalho, só na segunda semana das exibições dos programas
> eleitorais na TV aberta pude assistir a alguns deles e constatar o que esta
> campanha do lulopetismo está fazendo com o povo brasileiro. Em meio a essa
> constatação, pude ler comentário da jornalista Dora Kramer (*A menor
> graça, *24 de agosto, *Estadão*) cujo título nos remete a um “Antigamente”
> muito recente. Ela diz que “logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula
> fez um pronunciamento público em que, entre outros reconhecimentos, dizia-se
> grato ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua ‘imparcialidade’
> durante o processo eleitoral”. A articulista completa que: “segundo Lula, a
> conduta de FH e a Justiça Eleitoral ‘contribuíram para que os resultados das
> eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro’”.
>
> No dia seguinte (25 de agosto de 2010), o senador Roberto Freire, em artigo
> na *Folha de S. Paulo*, intitulado *Não ao "dedazo" de Lula**,* afirma
> que “há dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à sua
> disposição e de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu
> sucessor. Lula não escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas
> políticas, como os petistas José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram
> expelidos de seu governo por motivos éticos. Muito menos um aliado, como o
> ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, cuja legenda lhe foi negada
> pelo PSB a pedido do próprio presidente da República. Optou por uma auxiliar
> direta, sem projeto político próprio ou experiência eleitoral, mas capaz de
> cumprir à risca suas determinações: a ex-ministra da Casa Civil Dilma
> Rousseff”.
>
> Claro que Dilma, como qualquer outro candidato indicado pelo presidente,
> dispararia no horário eleitoral como decorrência natural do abuso de imagem
> do mandatário maior do país que tem quase 80% de aprovação popular.
> Mas trata-se de um acinte à nossa democracia. Por conta do cinismo e da
> ilegalidade de ações do chefe da nação, o país assiste estarrecido a um
> permanente e contínuo atropelo das leis. E logo por parte de quem deveria,
> pelo cargo que exerce, ser o principal defensor e não o maior transgressor
> das normas de conduta da democracia e da República, atitude que de tão
> repetitiva poderá roubar o direito de escolha dos brasileiros.
>
> Desnecessário citar todas as implicações encarnadas por esse projeto de
> poder alavancado pelo aparelhamento de Estado, comandado por uma
> personalidade com elevadíssimos índices de aprovação, como ora ocorre. Além
> da partidarização da máquina governamental, do controle e da estatalização
> dos principais movimentos sociais, o dominante são práticas
> assistencialistas, práticas cada vez mais capilarizadas de desmandos éticos
> e ainda práticas clientelistas ao velho estilo político que tanto queremos
> combater para poder de fato promover a transformação de nosso povo e dos
> povos de todas as nações.
>
> Está doendo demais conviver com essa velha política de benefícios pessoais
> ou de grupelhos ladrões do dinheiro público e da dignidade humana.
>
> E que mulher é essa que hoje vemos disputando o poder do maior cargo da
> República?
>
> Que satisfação daremos às nossas companheiras de 1º hora?, nossas filhas? e
> netas? Que satisfação daremos às mulheres da comunidade as quais dirigimos
> nossos trabalhos? O que falar às companheiras que conquistamos visitando o
> país todo chamando para se juntar a nós como agentes da política? Como
> explicar-lhes, sem escandalizar, que Dilma – embora uma burocrata competente
> em sua área, não possui projeto político próprio nem experiência eleitoral –
> mudou a cara, o cabelo, o guarda-roupa, a personalidade para ser a candidata
> do presidente da República que a escolheu, no seu (do presidente) projeto de
> poder pessoal, confundindo-a com um animal dócil e facilmente manipulável?
> Como pregar a emancipação para a mulher – no seu sentido mais amplo – chegar
> ao poder?
>
> Eu estava me dizendo constantemente: está certo ela ser treinada para fazer
> discursos para as massas, ser treinada para participar de debates e
> programas de TV. É difícil essa prática da oratória. Mas, ouvindo tanta
> besteira da boca de seu criador*, **não posso deixar de me incomodar com a
> aceitação dessa candidata a tanta truculência e desrespeito à dignidade de
> uma mulher. É um reforço ao patriarcado do qual somos vítimas.*
>
> Não dá para aplaudir, não dá para votar, *não dá para nos orgulhar e mais
> tarde dizer*: “Vencemos! Uma mulher no mais alto cargo da República nos
> representa!”
>
> *Nossa fala será nostálgica:* “Tanto trabalho por que mesmo?”
>
> Os fins não justificam os meios. Este preço é muito alto, altíssimo!!!
>
> *Tereza Vitale*
>
> *Cidadã brasileira, 29/08/2010 *
>
>
>
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