RE: [Mulheresdepartidos] RES: [PPS-DF] Re: [MulheresdoPPS] De cidadã para cidadã - De militante para militante - De mulher para mulher
Leda Tamega Ribeiro
ltribeiro em hotmail.com
Domingo Agosto 29 22:12:35 BRT 2010
Cara Tereza,
Mais uma vez quero manifestar a você meu apoio e felicitações, como mulher lutadora pelo respeito aos direitos das mulheres e como cidadã defensora da democracia e do respeito às leis, por ter feito este desabafo. Pela admiração e respeito que tenho por todas as bravas companheiras dos movimentos feministas e dos partidos políticos que conosco têm batalhado para a ampliação do poder das mulheres, faço um apelo a todas elas para que meditem sobre como essa candidatura significa uma grande contradição aos conceitos mais caros pelos quais se têm batido durante boa parte de suas vidas. Há momentos em que a reflexão se impõe para que as rotas sejam corrigidas. Corrigir é melhor que remediar, e este é o momento para que as mulheres brasileiras tomem em suas mãos a condução do processo e rejeitem serem guiadas ao desconhecido por autoritárias mãos patriarcais sob o pretexto de que vão dar-lhes o trono do paraíso.
O Brasil dos nossos filhos, netos e bisnetos merece que façamos esta pausa.
Um fraterno abraço,
Lêda
From: t.vitale em terra.com.br
To: PPS-DF em yahoogrupos.com.br; mulheresdopps em googlegroups.com
Date: Sun, 29 Aug 2010 21:36:15 -0300
CC: mulheresdepartidos em listas.planalto.gov.br; mulheresdobdr em googlegroups.com; coordnacmulheres em googlegroups.com; ppsdn em googlegroups.com
Subject: [Mulheresdepartidos] RES: [PPS-DF] Re: [MulheresdoPPS] De cidadã para cidadã - De militante para militante - De mulher para mulher
Almira,
Sua opinião e de Irina me são essenciais, afinal uma parceria
muito afinada.
Enviei este texto a todas as listas feministas e de mulheres de
partidos que participo. A aceitação ‘parece’ boa. Algumas estão passando pra
frente. Vamos ver amanhã.
Bjs., Tereza
De:
PPS-DF em yahoogrupos.com.br [mailto:PPS-DF em yahoogrupos.com.br] Em nome de almira
rodrigues
Enviada em: domingo, 29 de agosto de 2010 21:07
Para: mulheresdopps em googlegroups.com
Cc: coordnacmulheres em googlegroups.com; ppsdn em googlegroups.com;
PPS-DF em yahoogrupos.com.br; mulheresdobdr em googlegroups.com;
mulheresdepartidos em listas.planalto.gov.br
Assunto: [PPS-DF] Re: [MulheresdoPPS] De cidadã para cidadã - De
militante para militante - De mulher para mulher
Oi, Tereza
parabéns pelo texto, argumentação e indignação bem
colocada!
beijos
Almira
2010/8/29 Tereza <t.vitale em terra.com.br>
De cidadã para cidadã,
De militante para militante,
De mulher para mulher,
Muitos me conhecem da minha militância
partidária na área das mulheres. No meu partido político procuro construir uma
ponte amistosa com os movimentos sociais, de mulheres, de feministas. Creio que
estamos nos saindo bem quando tentamos mostrar que somente por meio de um
partido político podemos nos eleger e ocupar espaços nos parlamentos.
Elegi, há dez anos, “mulher na
política” como o foco central das minhas atenções, ocupando um espaço
necessário no meu partido frente aos reclamos da sociedade e acreditando que o
mundo político pode melhorar, que a prática
política estava esgotada com a maxirrepresentação dos homens nos parlamentos.
Ao mesmo tempo, as políticas dos movimentos de mulheres e feministas davam uma
guinada para essa temática por ser uma bandeira planetária. “Mais
mulheres no poder”, “lugar de mulher é na política”, são bordões que passaram a
ocupar os meus estudos e meu engajamento, por acreditar serem muito mais do que
palavras de ordem, por acreditar que estava passando da hora de termos
assegurado nossos lugares nos espaços de decisão institucionais e não
institucionais.
Acredito ainda fortemente que
nossa luta é inequívoca, pois dela também depende o fortalecimento da nossa
democracia. Trata-se de uma luta por igualdade de direitos, luta pelo combate à
cultura patriarcal da qual somos as maiores vítimas e dela depende a libertação
e a emancipação das mulheres para banirmos de nossas estatísticas os números
assustadores de mortalidade materna e violência doméstica. Da emancipação da
mulher depende, em igual medida, entendermos a masculinidade de nossos filhos e
de novas gerações, que é possível que seja respeitosa, para nos transformarmos
num mundo justo e equitativo.
Estou indignada, muito indignada!
Por isso este meu “grito”. Por isso as palavras não cabem mais na minha boca,
estou abafada e também desolada. Por razões de trabalho, só na segunda semana
das exibições dos programas eleitorais na TV aberta pude assistir a alguns
deles e constatar o que esta campanha do lulopetismo está fazendo com o
povo brasileiro. Em meio a essa constatação, pude ler comentário da jornalista
Dora Kramer (A menor graça, 24 de agosto, Estadão) cujo título
nos remete a um “Antigamente” muito recente. Ela diz que “logo depois de
eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre
outros reconhecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique
Cardoso por sua ‘imparcialidade’ durante o processo eleitoral”. A articulista
completa que: “segundo Lula, a conduta de FH e a Justiça Eleitoral
‘contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira
vontade do povo brasileiro’”.
No dia seguinte (25 de agosto de 2010),
o senador Roberto Freire, em artigo na Folha de S. Paulo, intitulado Não ao "dedazo" de Lula,
afirma que “há dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à
sua disposição e de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu
sucessor. Lula não escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas políticas,
como os petistas José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram expelidos de seu
governo por motivos éticos. Muito menos um aliado, como o ex-ministro da
Integração Nacional Ciro Gomes, cuja legenda lhe foi negada pelo PSB a pedido
do próprio presidente da República. Optou por uma auxiliar direta, sem projeto
político próprio ou experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas
determinações: a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff”.
Claro que Dilma, como qualquer
outro candidato indicado pelo presidente, dispararia no horário eleitoral como
decorrência natural do abuso de imagem do mandatário maior do país que
tem quase 80% de aprovação popular. Mas trata-se de um acinte à
nossa democracia. Por conta do cinismo e da ilegalidade de ações do chefe
da nação, o país assiste estarrecido a um permanente e contínuo atropelo das
leis. E logo por parte de quem deveria, pelo cargo que exerce, ser o principal
defensor e não o maior transgressor das normas de conduta da democracia e da
República, atitude que de tão repetitiva poderá roubar o direito de escolha dos
brasileiros.
Desnecessário citar todas as
implicações encarnadas por esse projeto de poder alavancado pelo aparelhamento
de Estado, comandado por uma personalidade com elevadíssimos índices de
aprovação, como ora ocorre. Além da partidarização da máquina governamental, do
controle e da estatalização dos principais movimentos sociais, o dominante são
práticas assistencialistas, práticas cada vez mais capilarizadas de desmandos
éticos e ainda práticas clientelistas ao velho estilo político que tanto
queremos combater para poder de fato promover a transformação de nosso povo e
dos povos de todas as nações.
Está doendo demais conviver com essa
velha política de benefícios pessoais ou de grupelhos ladrões do dinheiro
público e da dignidade humana.
E que mulher é essa que hoje vemos
disputando o poder do maior cargo da República?
Que satisfação daremos às nossas
companheiras de 1º hora?, nossas filhas? e netas? Que satisfação daremos às
mulheres da comunidade as quais dirigimos nossos trabalhos? O que falar às
companheiras que conquistamos visitando o país todo chamando para se juntar a
nós como agentes da política? Como explicar-lhes, sem escandalizar, que Dilma –
embora uma burocrata competente em sua área, não possui projeto político
próprio nem experiência eleitoral – mudou a cara, o cabelo, o guarda-roupa, a
personalidade para ser a candidata do presidente da República que a escolheu,
no seu (do presidente) projeto de poder pessoal, confundindo-a com um animal
dócil e facilmente manipulável? Como pregar a emancipação para a mulher – no
seu sentido mais amplo – chegar ao poder?
Eu estava me dizendo constantemente:
está certo ela ser treinada para fazer discursos para as massas, ser treinada
para participar de debates e programas de TV. É difícil essa prática da
oratória. Mas, ouvindo tanta besteira da boca de seu criador, não posso deixar de me incomodar com a aceitação
dessa candidata a tanta truculência e desrespeito à dignidade de uma mulher. É
um reforço ao patriarcado do qual somos vítimas.
Não dá para aplaudir, não dá para
votar, não dá para nos orgulhar e mais tarde dizer: “Vencemos! Uma
mulher no mais alto cargo da República nos representa!”
Nossa fala será nostálgica:
“Tanto trabalho por que mesmo?”
Os fins não justificam os meios. Este
preço é muito alto, altíssimo!!!
Tereza Vitale
Cidadã brasileira, 29/08/2010
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sempre! Aumentar nossa representação no parlamento e na sociedade civil. Traga
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Cores múltiplas, histórias diversas, conteúdos distintos.
Sentimentos fartos, esparramados.
A cada abraço dado, conhecimento partilhado; mais uma peça encaixada,
nova forma adquirida: no mosaico e na vida!
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