[Mulheresdepartidos] Medida do avanço {das mulheres} - Miriam Leitão

Leda Tamega Ribeiro ltribeiro em hotmail.com
Quinta Março 10 21:53:52 BRT 2011


Prezadas,

 A título ilustrativo, encaminho texto da Jornalista M. Leitão alusivo ao Dia Internacional da Mulher.

     Um abraço,
 
               Lêda



				Enviado por Míriam Leitão - 
				08.03.2011 
			
			
				Coluna no GLOBO
			
			
				Medida do avanço
			
			
			
			O desenvolvimento da América Latina está dando mais poder às 
mulheres e reduzindo as distâncias em relação aos homens, mas as 
desigualdades persistem. No Brasil, as mulheres passaram os homens no 
número de pessoas com doutorado, mas o desemprego continua sendo maior 
entre as mulheres. Elas governam vários países mas são poucas nos 
parlamentos.
Um estudo, mostrando essas contradições, será 
divulgado no final do mês no encontro da Associação de População da 
América (APA), dos autores José Eustáquio Diniz Alves e Suzana 
Cavenaghi, da Escola Nacional de Estatística do IBGE, e o consultor 
George Martini. Os autores mostram que a evolução está no meio do 
caminho: há avanços e muita herança da velha discriminação. Desigualdade
 que o mundo começou a enfrentar de forma mais decidida há menos de 20 
anos, na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento, no 
Cairo, em 1994, que estabeleceu obrigações que parecem elementares mas 
que, infelizmente, ainda são metas: a de acabar com toda a forma de 
discriminação contra a mulher, incluindo-se o infanticídio.
O 
texto “Revertendo e reduzindo as desigualdades na América Latina” 
constata que na educação as mulheres fizeram um esforço tão 
extraordinário para reduzir a distância que já há um “gap reverso”: elas
 estão na frente em inúmeros indicadores, inclusive no número de 
doutores no Brasil. Aqui, elas já são maioria entre as pessoas que 
anualmente recebem títulos de doutorado (vejam no gráfico abaixo). O 
mercado de trabalho continua sendo discriminatório: há mais desemprego 
entre mulheres; elas têm salários menores.
Um dos velhos 
argumentos para justificar a diferença salarial é que as mulheres 
trabalham menos horas. As estatísticas do mercado de trabalho parecem 
confirmar a impressão. Ela é derrubada por análises mais acuradas como a
 comparação salarial de pessoas do mesmo nível educacional. Os autores 
no entanto fazem outra conta de horas trabalhadas incluindo-se as 
atividades não remuneradas. Um dos temas do estudo que só agora começa a
 ser compreendido é que é preciso rever o conceito sobre o trabalho de 
criar os filhos; tido normalmente como obrigação da mulher, como se 
fosse biologicamente determinado.
Na terra que internacionalizou a
 expressão “machismo” como se fosse inerente à natureza do ser latino, 
muita coisa já está em transformação. Os autores acham que a onda de 
crescimento que atinge quase todos os países latino-americanos pode 
favorecer as mulheres no mercado de trabalho, reduzindo a diferença 
salarial e as taxas de desemprego.
A consolidação da democracia na
 região também é outro fator que favorece o avanço do poder das 
mulheres. Em alguns países como a Argentina elas já são 30% dos 
representantes eleitos no Congresso. O Brasil está no grupo dos piores, 
com menos de 10% de representação feminina. Desde a Conferência de 
Pequim sobre Direitos da Mulher, o avanço delas na política em todo o 
continente, incluindo Estados Unidos e Canadá, é visível, mas 
insuficiente: passou de 12,9%, em janeiro de 1997, para 22,7%, em 
dezembro de 2010, a proporção de mulheres nos parlamentos das Américas. 
No século XXI, cinco mulheres foram eleitas no continente: Michelle 
Bachelet, presidente do Chile até 2010; Cristina Fernández, atual 
presidente da Argentina; Portia Simpson-Miler, primeira-ministra da 
Jamaica até 2007; Laura Chinchilla, presidente de Costa Rica até 2013; e
 Dilma Rousseff, do Brasil, até 2014. “Em contraste, os Estados Unidos 
em 230 anos de democracia nunca elegeram uma mulher.”
Os autores 
citam como epígrafe do texto a frase: “Em qualquer sociedade o grau de 
emancipação da mulher é a medida natural da emancipação geral.” A frase é
 do filósofo Charles Fourier, de 1808. E ainda há hoje quem pense que 
feminismo é assunto que interessa só às mulheres.
 		 	   		  
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