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Olha, Tereza, você não imagina como me sinto aliviada ouvindo isso de você. Esse sentimento - que compartilho com você como mulher participante das lutas pela ampliação dos poderes de ação e de participação das mulheres - foi, em mim, antes de tudo, a manifestação do grito de repúdio de uma cidadã democrata. O que Lula está fazendo para eleger seu robot falante é primeiramente um ultraje à Democracia. E onde está a Justiça Eleitoral? Quem vai barrar o avanço incontrolável do Chefe da Nação na rota do desrespeito às leis e ao decoro? <br>Muitas vezes fico pensando nas mulheres dos partidos aliados do Governo e me indago o que estarão achando de tudo isso. Será que estão de fato lutando para eleger uma mulher que põe abaixo todos os conceitos pelos quais têm lutado bravamente por todos esses anos? Seria um bom momento este para que fossem provocadas a debater essa contradição em que se acham mergulhadas.<br> Ficam aqui minhas felicitações por esse importante desabafo, que tem meu inteiro apoio.<br><br> Grande abraço,<br> <br> Lêda<br><hr id="stopSpelling">From: t.vitale@terra.com.br<br>To: mulheresdopps@googlegroups.com; coordnacmulheres@googlegroups.com<br>Date: Sun, 29 Aug 2010 12:09:40 -0300<br>CC: PPS-DF@yahoogrupos.com.br; mulheresdepartidos@listas.planalto.gov.br; mulheresdobdr@googlegroups.com; ppsdn@googlegroups.com<br>Subject: [Mulheresdepartidos] De cidadã para cidadã - De militante para militante - De mulher para mulher<br><br>
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<div class="ecxWordSection1">
<p class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><b><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">De cidadã para cidadã,</span></b></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><b><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">De militante para militante,</span></b></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><b><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">De mulher para mulher,</span></b></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"> </p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Muitos me conhecem da minha militância
partidária na área das mulheres. No meu partido político procuro construir uma
ponte amistosa com os movimentos sociais, de mulheres, de feministas. Creio que
estamos nos saindo bem quando tentamos mostrar que somente por meio de um
partido político podemos nos eleger e ocupar espaços nos parlamentos.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"> <span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Elegi, há dez anos,
“mulher na política” como o foco central das minhas atenções,
ocupando um espaço necessário no meu partido frente aos reclamos da sociedade e
acreditando que o mundo político pode melhorar, <em><span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; font-style: normal;">que a prática política estava esgotada
com a maxirrepresentação dos homens nos parlamentos. Ao mesmo tempo, as
políticas dos movimentos de mulheres e feministas davam uma guinada para essa
temática por ser uma bandeira planetária.</span></em><i> “</i>Mais
mulheres no poder”, “lugar de mulher é na política”, são
bordões que passaram a ocupar os meus estudos e meu engajamento, por acreditar
serem muito mais do que palavras de ordem, por acreditar que estava passando da
hora de termos assegurado nossos lugares nos espaços de decisão institucionais
e não institucionais.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"> <span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Acredito ainda fortemente
que nossa luta é inequívoca, pois dela também depende o fortalecimento da nossa
democracia. Trata-se de uma luta por igualdade de direitos, luta pelo combate à
cultura patriarcal da qual somos as maiores vítimas e dela depende a libertação
e a emancipação das mulheres para banirmos de nossas estatísticas os números
assustadores de mortalidade materna e violência doméstica. Da emancipação da
mulher depende, em igual medida, entendermos a masculinidade de nossos filhos e
de novas gerações, que é possível que seja respeitosa, para nos transformarmos
num mundo justo e equitativo.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"> <span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Estou indignada, muito
indignada! Por isso este meu “grito”. Por isso as palavras não
cabem mais na minha boca, estou abafada e também desolada. Por razões de
trabalho, só na segunda semana das exibições dos programas eleitorais na TV
aberta pude assistir a alguns deles e constatar o que esta campanha do
lulopetismo está fazendo com o povo brasileiro. Em meio a essa
constatação, pude ler comentário da jornalista Dora Kramer (<i>A menor graça, </i>24
de agosto, <i>Estadão</i>) cujo título nos remete a um
“Antigamente” muito recente. Ela diz que “logo depois de
eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre
outros reconhecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique
Cardoso por sua ‘imparcialidade’ durante o processo
eleitoral”. A articulista completa que: “segundo Lula, a conduta de
FH e a Justiça Eleitoral ‘contribuíram para que os resultados das
eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro’”.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">No dia seguinte (25 de agosto de 2010),
o senador Roberto Freire, em artigo na <i>Folha de S. Paulo</i>, intitulado </span><strong><i><span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; font-weight: normal;">Não ao
"dedazo" de Lula</span></i></strong><strong><span style="font-family: 'Arial','sans-serif';">,</span></strong><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';"> afirma que “há
dois anos o presidente da República abusa de todos os meios à sua disposição e
de todas as pessoas sob sua influência para fazer o seu sucessor. Lula não
escolheu nenhum líder petista calejado nas lutas políticas, como os petistas
José Dirceu ou Antônio Palocci, que foram expelidos de seu governo por motivos
éticos. Muito menos um aliado, como o ex-ministro da Integração Nacional Ciro
Gomes, cuja legenda lhe foi negada pelo PSB a pedido do próprio presidente da
República. Optou por uma auxiliar direta, sem projeto político próprio ou
experiência eleitoral, mas capaz de cumprir à risca suas determinações: a ex-ministra
da Casa Civil Dilma Rousseff”. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"> <span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Claro que Dilma, como
qualquer outro candidato indicado pelo presidente, dispararia no horário
eleitoral como decorrência natural do abuso de imagem do mandatário maior do
país que tem quase 80% de aprovação popular. Mas trata-se de um
acinte à nossa democracia. Por conta do cinismo e da ilegalidade de ações
do chefe da nação, o país assiste estarrecido a um permanente e contínuo
atropelo das leis. E logo por parte de quem deveria, pelo cargo que exerce, ser
o principal defensor e não o maior transgressor das normas de conduta da
democracia e da República, atitude que de tão repetitiva poderá roubar o
direito de escolha dos brasileiros.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Desnecessário citar todas as implicações
encarnadas por esse projeto de poder alavancado pelo aparelhamento de Estado,
comandado por uma personalidade com elevadíssimos índices de aprovação, como
ora ocorre. Além da partidarização da máquina governamental, do controle e da
estatalização dos principais movimentos sociais, o dominante são práticas
assistencialistas, práticas cada vez mais capilarizadas de desmandos éticos e
ainda práticas clientelistas ao velho estilo político que tanto queremos
combater para poder de fato promover a transformação de nosso povo e dos povos
de todas as nações. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Está doendo demais conviver com essa
velha política de benefícios pessoais ou de grupelhos ladrões do dinheiro
público e da dignidade humana.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">E que mulher é essa que hoje vemos
disputando o poder do maior cargo da República?</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Que satisfação daremos às nossas
companheiras de 1º hora?, nossas filhas? e netas? Que satisfação daremos às
mulheres da comunidade as quais dirigimos nossos trabalhos? O que falar às
companheiras que conquistamos visitando o país todo chamando para se juntar a
nós como agentes da política? Como explicar-lhes, sem escandalizar, que Dilma
– embora uma burocrata competente em sua área, não possui projeto
político próprio nem experiência eleitoral – mudou a cara, o cabelo, o
guarda-roupa, a personalidade para ser a candidata do presidente da República
que a escolheu, no seu (do presidente) projeto de poder pessoal, confundindo-a
com um animal dócil e facilmente manipulável? Como pregar a emancipação para a
mulher – no seu sentido mais amplo – chegar ao poder?</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Eu estava me dizendo constantemente:
está certo ela ser treinada para fazer discursos para as massas, ser treinada
para participar de debates e programas de TV. É difícil essa prática da
oratória. Mas, ouvindo tanta besteira da boca de seu criador<b>, </b><strong><span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; font-weight: normal;">não posso deixar de
me incomodar com a aceitação dessa candidata a tanta truculência e desrespeito à
dignidade de uma mulher. É um reforço ao patriarcado do qual somos vítimas.</span></strong></span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';"> Não dá para aplaudir, não dá para
votar, <b>não dá para nos orgulhar e mais tarde dizer</b>: “Vencemos! Uma
mulher no mais alto cargo da República nos representa!”</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><b><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Nossa fala será nostálgica:</span></b><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">
“Tanto trabalho por que mesmo?”</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Os fins não justificam os meios. Este
preço é muito alto, altíssimo!!!</span></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><i><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Tereza Vitale</span></i></p>
<p class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"><i><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%; font-family: 'Arial','sans-serif';">Cidadã brasileira,
29/08/2010 </span></i></p>
<p class="ecxMsoNormal"> </p>
</div>
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