[Pactonacional] ENC: Autonomia das mulheres - artigo ministra
Eleonora
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Julho 16 12:39:49 BRT 2012
Para conhecimento.
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De: Isabel Clavelin
Enviada em: segunda-feira, 16 de julho de 2012 08:14
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Autonomia das mulheres - artigo ministra Eleonora
Colegas,
segue para conhecimento, artigo da ministra Eleonora publicado ontem (15/7)
no jornal Correio Braziliense.
CORREIO BRAZILIENSE - DF | OPINIÃO
SECRETARIA DE MULHERES | LEI MARIA DA PENHA
Autonomia das mulheres (Artigo)
ELEONORA MENICUCCI
Formato A4: PDF
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_notic
ia=3543486
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ia=3543486> > WEB
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=3
543486
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543486> >
Veja pagina da matéria
<http://www.linearclipping.com.br/Capa/201271584716.jpg
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Chamada de capa
Eleonora Menicucci
Toda manhã, mais de 40 milhões de brasileiras finalizam os cuidados nas
próprias casas para poder ir ao trabalho, ou para a busca do emprego. Quase
7 milhões delas irão a outras tantas casas, na condição de trabalhadoras
domésticas. Nas últimas décadas, a presença das mulheres nas mais diversas
áreas, faixas e profissões tem aumentado significativamente, mas ainda é
proporcionalmente menor que a dos homens. Sete em cada 10 homens na
população economicamente ativa trabalham ou procuram emprego, e menos de
cinco em cada 10 mulheres estão na mesma situação. A diferença de
rendimentos é marcante: as mulheres recebem 73,8% dos rendimentos dos
homens. Ou bem menos quando se consideram as desigualdades raciais: a renda
média das negras equivale a um terço da dos homens brancos.
É evidente que as mulheres vêm superando desvantagens históricas, como
demonstra o aumento da escolaridade em relação à dos homens. Mas os
obstáculos para conquistar condições mais igualitárias continuam muitos e
fortes. Vão da menor valorização das tarefas e funções desempenhadas por
elas, à noção ainda comum de que trabalho feminino é leve e complementar ao
masculino, e às dificuldades plantadas no dia a dia, já que é "natural"
atribuir prioritariamente a elas as pesadas responsabilidades familiares. É
o cotidiano da casa, do mundo privado demarcando possibilidades e horizontes
da vida. Para ficarmos num exemplo, em 2010 as mulheres informaram ao IBGE
que gastam cerca de 24 horas semanais em atividades domésticas não
remuneradas - o velho trabalho doméstico cotidiano, tão essencial quanto
invisível.
Ao mesmo tempo, os homens declararam a dedicação de apenas 10 horas às
tarefas domésticas e familiares, reforçando a divisão sexual do trabalho. O
espelho da sociedade difunde assim um imaginário segundo o qual há trabalhos
e carreiras "essencialmente" femininas. Não por acaso, ainda hoje, as jovens
se orientam majoritariamente para cursos e profissões que refletem essas
dinâmicas. Em 2010, nos cursos de educação, mulheres eram 67,4%, e homens,
apenas 32,6%. Proporção que se repete nos estudos das áreas de saúde e
bem-estar social, com 74,8% de mulheres e 25% de homens. Na outra ponta,
numa inversão que fala por si, os homens são mais de 70% nas áreas de
ciências, matemática, computação, engenharias, produção e consumo.
A situação das trabalhadoras domésticas é, talvez, a que melhor exemplifica
a questão. Uma em cada seis brasileiras que trabalham fora é empregada
doméstica. São quase 7 milhões, das quais 62% negras. A maioria sem a
carteira de trabalho assinada, o que significa não ter acesso a direitos
como férias remuneradas, auxílio-doença, 13º salário, descanso semanal e
reconhecimento da profissão. Trata-se de um quadro de intensa desigualdade e
ausência de direitos que a sociedade tem o desafio de enxergar e tratar. É
nesse sentido que a Secretaria de Políticas para as mulheres da Presidência
da República pauta sua ação - na perspectiva das políticas públicas de
transformar em interesse do país realidades que eram consideradas restritas
ao mundo privado.
O objetivo da SPM de alcançar a autonomia econômica da mulher e sua inserção
no mercado de trabalho compõe-se de necessidades várias, como reverter os
baixos rendimentos, dar garantia efetiva dos direitos, inclusive com
propostas legislativas, e de debater com a sociedade uma mudança da
concepção de que o trabalho de casa é tarefa de mulher. Ainda que essa não
seja a única condição, mulheres com independência econômica e financeira,
com direitos e benefícios garantidos, podem investir em perspectivas
profissionais e culturais, entre outras: têm melhores instrumentos para
enfrentar a violência doméstica, já que poderão garantir o sustento de si e
da família. Mas essas não são questões apenas do mundo urbano. Para as
trabalhadoras do campo e da floresta, muitas vezes é mais difícil o acesso
aos equipamentos sociais e às políticas públicas.
Se as prioridades da SPM, no conjunto do governo federal, são estimular e
fortalecer ações capazes de incrementar a autonomia econômica das mulheres,
o horizonte dessa questão vai muito além das ações de governo. Superar
desigualdades presentes no cotidiano do mundo do trabalho, que ainda guarda
relações e valores incompatíveis com as conquistas das mulheres, é
necessidade de um país inteiro, ainda mais porque ele está à frente nas
políticas de superação das desigualdades sociais.
*Eleonora Menicucci Ministra da Secretaria de Políticas para as mulheres da
Presidência da República.
att,
Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
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Presidência da República
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