[Pactonacional] ENC: SPM mídia: entrevista ministra Eleonora Carta Capital
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Quinta Julho 26 14:43:47 BRT 2012
PARA CONHECIMENTO.
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De: Isabel Clavelin
Enviada em: quinta-feira, 26 de julho de 2012 14:42
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: SPM mídia: entrevista ministra Eleonora Carta Capital
colegas,
segue entrevista da ministra Eleonora para o site da Carta Capital.
Cerca de 10 mulheres são assassinadas por mês em São Paulo
<http://www.cartacapital.com.br/sociedade/cerca-de-10-mulheres-sao-assassina
das-por-mes-em-sao-paulo/
<http://www.cartacapital.com.br/sociedade/cerca-de-10-mulheres-sao-assassina
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Quase dez mulheres são assassinadas, em média, todos os meses no estado de
São Paulo devido à violência de gênero, segundo levantamento feito por
CartaCapital com dados da Secretaria de Segurança Pública. Entre setembro de
2011 e junho deste ano, foram registrados 87 homicídios, além de 228
tentativas de assassinato no mesmo período - ou seja, 27,3 casos por mês. Os
números não podem ser comparados com anos anteriores, pois o estado passou a
divulgar as informações sobre violência contra a mulher de forma segmentada
dos números gerais há cerca de dez meses.
Os dados, entretanto, são bastante significativos para Eleonora Menicucci,
ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, e indicam falhas na
rede de proteção à mulher no estado. "Os serviços de delegacias de defesa de
São Paulo estão bastante abandonados e sem estrutura para atender as queixas
das mulheres", destaca a CartaCapital.
Segundo Menicucci, há "uma grande necessidade" de injetar mais recursos nas
delegacias de mulheres. "Não podemos conviver com uma realidade assim. É uma
obsessão do governo federal implementar a Lei Maria da Penha e eliminar a
violência contra a mulher."
Os números do governo estadual ainda apontam quase 60 mil registros de
ameaças a mulheres e um número semelhante de casos de lesão corporal dolosa
cada, uma média mensal acima de 6,8 mil registros para cada um dos dois
crimes.
Os dados chamam atenção para a realidade do interior de São Paulo, que
registra 2,5 vezes mais casos de homicídio (doloso e culposo) que a capital.
Em torno de 62% deste crime ocorre no interior contra 24% na capital e 14%
nos 38 municípios da região metropolitana de São Paulo. Algo que para Wânia
Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da
Universidade de São Paulo, pode estar relacionado às políticas de
atendimento para mulheres da região. "As mulheres nos grandes centros
poderiam receber maior suporte, o que permitiria uma intervenção mais rápida
para evitar sua morte", avalia.
Menicucci, por outro lado, destaca que os serviços de atendimento à mulher
do interior registram melhor os casos. Logo, essa diferença pode ter
explicação na coleta dos dados e haveria a possibilidade de existirem mais
denuncias e violências na capital que o registrado. "As mulheres do interior
têm, no entanto, maior dificuldade de acesso a serviços de saúde e
educação."
Assim como os casos de homicídios, as tentativas de assassinato são
majoritárias no interior (72%). Apenas 12% dos casos ocorrem em São Paulo e
16,2% na região metropolitana. O mesmo vale para registros de lesão corporal
dolosa (em torno de 63,2% no interior, 18,5% na capital e 18,3% na região
metropolitana). As porcentagens são semelhantes para as ameaças (no interior
chegam a 64,6%, 18,4% na capital e 16,9% na Grande São Paulo).
Destacando que os dados do governo paulista não especificam as classes
sociais atingidas, a ministra estima que isso ocorre porque "as mulheres no
interior estão mais temerosas e vivem mais sobre pressão do marido e do
companheiro". Ela também chama a atenção para a importância avaliar o número
de ameaças. "A mulher denuncia e os serviços, na maioria das vezes, por
falta de pessoal ou treinamento, não dão atenção àquela queixa. Dois ou três
dias depois, elas aparecem assassinadas."
E esse é um panorâma antigo. Segundo o recente estudo Mapa da Violência 2012
do Instituto Sangari, 4.297 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2010.
São Paulo é o estado com mais casos, 663. Mas aparece apenas na 26ª posição
no ranking de incidências para cada 100 mil habitantes. Algo que ocorre
porque o estado é o mais populoso do País. O Espírito Santo lidera a lista,
mesmo que tenha registrado 171 casos. Uma proporção que, defende Pasinato,
precisa ser relativizada. Antes, é necessário saber a resposta do Estado ao
problema em cada cidade, se há delegacias que atendem e quais registros
realizam. Desta forma, cria-se um panorama para avaliar se uma população tem
um comportamento mais violento. "A proporção em si não permite conhecer as
causas e motivações desta distribuição desigual."
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não respondeu ao pedido de
entrevista da reportagem. Em nota, disse que a maior conscientização leva ao
aumento dos registros de casos de violência contra a mulher. "O número de
medidas protetivas aumentou, assim como as medidas deferidas pelo Juizado
Especial Criminal", aponta o comunicado.
Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres
Presidência da República
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