[Pactonacional] ENC: artigo conselheira CNDM Jacqueline Pitanguy - violência contra as mulheres (O Globo)
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Sexta Junho 15 18:16:41 BRT 2012
Prezadas,
Para conhecimento.
Susan Alves
-----Mensagem original-----
De: Isabel Clavelin
Enviada em: sexta-feira, 15 de junho de 2012 07:58
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: artigo conselheira CNDM Jacqueline Pitanguy - violência
contra as mulheres (O Globo)
Colegas,
segue para conhecimento artigo da conselheira do CNDM Jacqueline Pitanguy,
publicado hoje (15/6), no jornal O Globo sobre violência contra as mulheres.
att,
Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres
Presidência da República
61 3411 4228 / 9659 7975
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Sob o manto doméstico (Artigo)
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Chamada de capa
JACQUELINE PITANGUY
Durante séculos a violência contra mulheres exercida entre os muros da casa,
por maridos e companheiros, conhecida como violência doméstica, não tinha
visibilidade pública nem era reconhecida como crime. As mulheres apanhavam
no silêncio do lar, entre tapas e beijos, no espaço emocional que,
teoricamente, lhes traria segurança. Sendo esta uma violência de repetição,
apanhavam com regularidade e frequentemente morriam assassinadas.
Essa forma de violência se diluía na cumplicidade da sociedade, "em briga de
marido e mulher não se mete a colher", e na ausência de acolhimento
institucional às vítimas.
De fato a configuração da violência doméstica como crime, passível de
punição, e a implementação de delegacias especializadas, legislações e
juizados próprios para acolher suas vítimas esperaram séculos de nossa
história para serem efetivadas, e o foram por uma luta árdua e continuada
dos movimentos feministas.
Hoje, apesar de que esta violência continua a existir, suas vítimas sabem
que não devem ficar caladas porque há quem acolha suas denúncias.
O aumento expressivo dos registros de violência contra mulheres no Brasil é
também indicador de que se está rompendo o silêncio e a invisibilidade que
cobria este tipo de agressão.
Existe entretanto em nosso país outra forma de violência ainda encoberta
pelo manto da invisibilidade, uma forma de agressão perversa, silenciosa e
constante: me refiro à violência sexual contra crianças e adolescentes,
perpetrada por seu pais, padrastos, tios, parentes, homens adultos
geralmente próximos das vítimas. Os laços de autoridade, afetividade e
dependência que unem a vítima ao agressor aumentam exponencialmente seu
desamparo e vulnerabilidade.
Enquanto no caso da mulher adulta é ela, via de regra, que rompe o silêncio
e denuncia, as meninas e adolescentes, maiores vítimas deste tipo de abuso,
necessitam do apoio de um adulto para romper o manto de invisibilidade que
protege o agressor.
Necessitam do apoio de mães, parentes, ou de instituições como a escola, ou
serviços de saúde quando atendem meninas com doenças sexualmente
transmissíveis e gravidez precoce.
A criança não chega sozinha a uma delegacia de polícia, nem a um hospital,
tem medo de falar com a professora e vergonha de contar para as colegas, se
sente envergonhada e culpada e vê seu desamparo aumentar diante da relação
afetiva de sua mãe com o monstro agressor, em casos de incesto ou abuso por
padastros. Confundida e aterrorizada por ameaças do agressor ela teme
denunciar o que ela nem mesmo sabe como nomear.
O depoimento público corajoso e digno de Xuxa às câmeras de televisão no
programa "Fantástico", relatando abusos sexuais sofridos em sua infância e
adolescência, tem tido um efeito catalizador. A capacidade multiplicadora de
suas revelações tem levado adolescentes a romper os grilhões desta forma de
prisão onde o abuso sexual as une de forma perversa e aterrorizada ao
agressor.
Esperamos que as denúncias se multipliquem, que os adultos que cercam a
criança abusada tenham um olhar mais atento para os sinais físicos e
emocionais deste abuso, e que os agressores recuem em seu comportamento
predatório e criminoso.
JACQUELINE PITANGUY é socióloga e coordenadora da organização não
governamental Cepia.
-------------- Próxima Parte ----------
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