[Pactonacional] ENC: conheci mento
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Outubro 15 11:35:42 BRT 2012
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De: Nilza do Carmo Scotti
Enviada em: segunda-feira, 15 de outubro de 2012 10:52
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: conheci mento
FOLHA DE S. PAULO - SP | MUNDO
DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS | OUTROS
Uruguai muda leis e assume "vanguarda"
SYLVIA COLOMBO
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Veja a matéria no site de origem
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/71880-uruguai-muda-leis-e-assume-van
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Chamada de capa
SYLVIA COLOMBO
ENVIADA ESPECIAL A MONTEVIDÉU
País debate alterações em legislação de direitos civis para eliminar
restrições à maconha e liberar aborto e casamento gay
Governo do país prevê produzir 81 mil quilos de maconha por ano, para
atender a cerca de 150 mil consumidores
Andres Stapff/Reuters Blocos de maconha seca expostos em Montevidéu; projeto
do governo uruguaio permite o cultivo, a venda e o consumo
Às vésperas de aprovar o fim de restrições à maconha, ao aborto e ao
matrimônio gay, o pacato Uruguai aos poucos se posiciona como vanguarda no
que diz respeito a leis relacionadas a direitos civis na América Latina.
Em distintos estágios, as três estão no Congresso e a previsão é que
terminem de ser votadas ainda neste ano. O aborto já passou pela Câmara de
Deputados.
Por trás delas, há um grupo de jovens legisladores da Frente Ampla,
coligação de esquerda que o presidente Jose "Pepe" Mujica integra.
Sebastian Sabini, 31, é professor de história e recebeu a Folha em seu
gabinete na Assembleia Legislativa de jeans e tênis vermelhos. "Trouxemos
uma nova agenda, mas não estamos fazendo nenhuma revolução, ela é coerente
com a tradição do país."
"Somos um Estado laico, que não proibiu o consumo de maconha nem durante a
ditadura e sempre esteve adiante em temas como divórcio e direitos civis em
geral", acrescenta Sabini.
O projeto tem no presidente Mujica e em seu ministro de Defesa, Eleuterio
Huidobro, ambos ex-guerrilheiros, seus maiores entusiastas.
Segundo o texto, o Estado produzirá e controlará a produção da droga. Serão
criadas empresas públicas para as plantações, e cada cidadão poderá comprar
até 40 cigarros por mês após registrar-se como usuário. Só valerá para
uruguaios ou residentes.
"Dessa forma, pretendemos combater o narcotráfico. Hoje, de cada três presos
no Uruguai, um está relacionado ao problema da droga. A estratégia
proibicionista de países como Colômbia e México não trouxe resultados e
criou mais violência", diz.
Segundo o Ministério da Defesa uruguaio, a maconha é um negócio que move US$
75 milhões por ano e conta com 1.200 vendedores e distribuidores. O país
possui 3,3 milhões de habitantes.
Uma pesquisa do Observatório Uruguaio de Drogas diz que 20% dos uruguaios
entre 15 e 65 anos já provaram maconha alguma vez; 25% fumam regularmente;
21,1%, algumas vezes por semana; e 14,6%, diariamente.
Os planos do governo são produzir 81 mil quilos de maconha por ano, para
atender a cerca de 150 mil consumidores, numa área de pelo menos 64
hectares.
A Frente Ampla possui uma maioria pequena na Câmara dos Deputados e no
Senado. Por isso, a aprovação de cada uma dessas leis tem de ser muito
negociada.
No caso do aborto, a proposta da coligação era mais ampla e foi rejeitada.
Em setembro, os deputados acabaram aprovando uma lei alternativa, da
oposição, que estabelece uma junta à qual a mulher tem de se apresentar e
justificar suas intenções.
Alguns movimentos feministas reclamaram, alegando que se tratava de um
constrangimento, e houve um protesto de mulheres nuas do lado de fora do
Parlamento.
OPINIÕES CONTRÁRIAS
No caso da maconha, a disputa é mais acirrada, e alguns deputados ainda não
definiram o voto. O governo é pressionado pelos dois lados.
Por um, a direita, liderada por deputados como Pedro Bordaberry (filho do
ditador Juan María Bordaberry), diz que a liberação vai aumentar os índices
de violência. "Precisamos de leis para combater a violência, e não para
legalizar as drogas", diz.
O ex-presidente Tabaré Vázquez, também da Frente Ampla, médico e
pré-candidato a suceder Mujica, posicionou-se contra, dizendo que a maconha
prejudica a saúde e leva a outros vícios.
Por outro lado, entre os consumidores, a grita é para que a lei contemple o
cultivo próprio, hoje proibido.
O diretor da Associação de Estudos da Cannabis do Uruguai, Juan Vaz, diz
temer o fato de que o Estado terá uma lista de usuários. "Na verdade, a lei
é um passo atrás, uma vez que o consumo aqui já é despenalizado. O que muda
é que agora vamos estar sob a vigilância do governo. Uma lista estigmatiza."
Em artigo no jornal "El País", o escritor peruano Mario Vargas Llosa disse,
referindo-se ao projeto da maconha, que o Uruguai hoje é um "modelo de
legalidade, liberdade, progresso e criatividade".
Nilza Scotti
Assessora de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres Presidência da República
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