[Pactonacional] ENC: Manifestação sobre o Estupro Coletivo da Banda NEW hit e MÍDIA

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Quarta Setembro 5 10:53:50 BRT 2012


Para conhecimento.

 

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De: amado.kathlen1 Kathlen1 Amado [mailto:amado.kathlen1 em gmail.com] 
Enviada em: segunda-feira, 3 de setembro de 2012 18:20
Para: undisclosed-recipients
Assunto: Manifestação sobre o Estupro Coletivo da Banda NEW hit e MÍDIA

 

Mais uma vez nos deparamos com um caso de estupro, em que as mulheres são
culpabilizadas pela violência e, por isso, acabam sendo agredidas
duplamente. A Marcha das Vadias do DF repudia veementemente a maneira com
que estão sendo tratadas as duas meninas que sofreram abuso sexual por todos
os integrantes da Banda New Hit, que devem responder judicialmente pelos
bárbaros atos! 

É vergonhosa a organização de uma manifestação para apoiar os músicos
criminosos, enquanto as vítimas e seus familiares permanecem encarcerados em
casa por medo de retaliações e consumação das ameaças que recebem por
telefone. A violência sobre essas meninas ainda não terminou: suas vidas e
imagens estão sendo expostas, suas nomeações foram substituídas por
xingamentos. Qual é a lógica que continua determinando o modo de pensar, que
inverte papéis e condena vítimas? O machismo violentou essas meninas
inúmeras vezes: o machismo fez com que estes homens acreditassem que
detinham a propriedade dos corpos dessas meninas; o machismo fez com que
acreditassem que a vontade delas não existia frente à vontade desses homens;
o machismo fez com que duvidassem da denúncia dessas meninas mesmo que
estivessem cobertas de sêmen; o machismo fez com que duvidassem delas mesmo
com o laudo médico atestando a presença de hematomas e lesões nos órgãos
genitais dessas meninas; o machismo fez com divulgassem fotos dessas meninas
com xingamentos e dizeres que induzem a pensar que elas desejaram a
violência sofrida; o machismo fez com que as pessoas organizassem uma
manifestação em defesa de homens que acreditam que os mundo foi feito
somente para eles. Pois estamos aqui e não vamos mais nos silenciar diante
de tanta violência! Esse mundo também é nosso, somos donas dos nossos corpos
e desejos. Não vamos mais deixar que somente o machismo se manifeste por
aqui.

O papel de mídias, redes sociais é comunicar, sem dúvidas. No entanto o que
ocorre é uma reprodução, em larga escala, de padrões de hierarquização que
reificam e essencializam mulheres, por reafirmarem que estas são passivas,
vagabundas, "putas" e que, por tudo isso, são também estupráveis. Se o papel
das mídias é também construir narrativas culturais, pessoas e instituições
que estão despedaçando a imagem dessas meninas vítimas de estupro - por
banalizarem este crime - apenas reafirmam que comportamentos machistas e
agressivos são aceitos socialmente. O padrão de masculinidade veiculado por
mídias e pessoas machistas impede homens de serem mais que apenas
brutamontes, agressores, estupradores, assassinos, "machos de verdade" e,
assim, cria uma cultura de estupro em nossa sociedade.

 Mas, novamente, há vozes dissonantes que lutam por e com mulheres, homens,
pessoas livres de opressão, de violência, de sexo SEM CONSENTIMENTO. Estupro
não é um problema apenas da pessoa que comete o crime, mas sim da nossa
sociedade, que não pode ser conivente com uma violação de corpos e
integridades físicas e morais. Por isso, a Marcha das Vadias acredita que
liberdade de expressão não deve significar liberdade de opressão. E exige
que a SPM/PR se posicione diante desta violência.

 

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/09/laudo-confirma-que-meninas-foram-e
stupradas-por-integrantes-de-banda.html
<http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/09/laudo-confirma-que-meninas-foram-
estupradas-por-integrantes-de-banda.html>  

 

laudo confirma estupro

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