[Pactonacional] ENC: Polícia resgata adolescente, mulheres e travesti escravas em prostíbulo no Pará

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Quarta Fevereiro 20 09:54:50 BRT 2013



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De: Cilene Alves Menezes de Freitas Pinheiro 
Enviada em: quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 14:33
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Polícia resgata adolescente, mulheres e travesti escravas em
prostíbulo no Pará

14/02/2013 - 12:55
Adolescente é resgatada de prostíbulo em Belo Monte

Menina de 16 anos foge de boate onde polícia encontrou 15 mulheres em
situação de cárcere privado e regime de escravidão. Caso pode ser
caracterizado ainda como tráfico de pessoas

Verena Glass | Categoria(s):  Notícias
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A Polícia Civil de Altamira, no Pará, encontrou 14 mulheres e um travesti em
regime de escravidão e cárcere privado em um prostíbulo localizado em área
limítrofe de um dos canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte. A
operação foi realizada na noite desta quarta-feira, 13, após denúncia de uma
garota de 16 anos, que conseguiu fugir. A  adolescente procurou a
conselheira do Conselho Tutelar, Lucenilda Lima, que acionou a polícia.

 Bruno Carachesti/Diário do Pará
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Prostíbulo onde garotas estavam confinadas. Foto: Bruno Carachesti/Diário do
Pará

De acordo com o delegado Rodrigo Spessato, que comandou a operação, as
mulheres eram confinadas em pequenos quartos sem janelas e ventilação, com
apenas uma cama de casal, e havia cadeados do lado de fora das portas. Elas
tinham entre 18 e 20 anos - além da jovem de 16, e eram provenientes do
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com o delegado, em
depoimentos, as vítimas afirmaram que podiam ir à cidade de Altamira uma vez
por semana, por uma hora, mas eram vigiadas pelos funcionários da boate.

Além da situação de cárcere privado, a polícia também encontrou no local um
caderno onde eram anotadas as dívidas das meninas, como gastos com
passagens, alimentos,  e vestimentas, além de "multas" por motivos diversos.

Ameaça de morte
Segundo Lucenilda, do Conselho Tutelar, as garotas disseram ter muito medo
de retaliações, uma vez que o dono da boate teria ameaçado seus familiares
que moravam no Sul. Em entrevista à reportagem, uma das jovens resgatadas
contou que, assim que a adolescente de 16 anos conseguiu fugir, o gerente a
seguiu com uma arma.

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Ele saiu atrás dela armado e disse que não custava matar uma, que ninguém
ficaria sabendo

"Ele saiu atrás dela armado e disse que não custava matar uma, que ninguém
ficaria sabendo", afirma a garota, que tem 18 anos. Procedente de Joaçaba,
no interior de Santa Catarina, ela conta que trabalhava em uma boate cuja
cafetina era "sócia" do dono da boate no Pará. "Viemos em nove lá de
Joaçaba. Falaram para gente que seria muito bom trabalhar em Belo Monte, que
a gente ganharia até R$ 14 mil por mês, mas quando chegamos não era nada
disso", conta.

"Já de cara fizemos uma dívida de R$ 13 mil por conta das passagens [valor
cobrado do grupo]. Aí temos que comprar roupas, cada vestido é quase R$ 200,
e tudo fica anotado no caderninho pra gente ir pagando a dívida. E tem
também a multa, qualquer coisa que a gente faz leva multa, que também fica
anotada no caderno. Depois de cada cliente, a gente dava o dinheiro para o
dono da boate pra pagar as nossas dívidas, eu nunca ganhei nenhum dinheiro
para mim", explica a garota.

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Se desse muita fome, a gente tinha que comprar um lanche. O gerente da boate
dizia
que a gente só poderia sair depois de pagar as dívidas

Sobre as condições às quais foram submetidas na boate, ela conta que morava
com outras três meninas em um pequeno quarto muito quente, e que realmente
não tinha permissão de sair do local. "Eles ligavam o ar condicionado só por
uma hora. A gente tinha que trabalhar 24 horas por dia; quando tinha
cliente, tinha que atender", afirma.

"De comida, tinha almoço e janta. Se você estava trabalhando na hora do
almoço, tinha que esperar a janta. Se desse muita fome, a gente tinha que
comprar um lanche. O gerente da boate dizia que a gente só poderia sair
depois de pagar todas as dívidas, e que nem adiantava reclamar porque
ninguém ia nos ajudar, ele era amigo da justiça e nunca ninguém ia fazer
nada contra ele. Mas ele disse que se a gente falasse, eles iam atrás dos
nossos filhos e parentes lá no Sul".

Belo Monte
Sobre os clientes, ela conta que eram exclusivamente trabalhadores de Belo
Monte. "Eram operários, eram gerentes, tinha de tudo. Todo mundo que
trabalha na obra vinha na boate", explicou.

O delegado Rodrigo Spessato diz não saber se o prostíbulo está dentro ou
fora dos limites do canteiro de obras. A conselheira Lucenilda Lima relata,
no entanto, que para chegar à boate foi preciso atravessar o canteiro de
Pimental, um dos principais da usina. "Foi uma burocracia na entrada para a
gente conseguir passar. E lá mesmo toda hora passavam os carros e tratores
de Belo Monte, eu considero que a boate está na área da usina".

Como Pimental fica no município de Vitória do Xingu, o caso está sendo
apurado pela delegacia desta cidade. O delegado local chegou a Altamira na
manhã desta quinta-feira para tomar os depoimentos das vítimas. De acordo
com o delegado de Altamira, que efetuou a prisão de dois funcionários da
boate na noite passada, além de exploração sexual de menor, cárcere privado
e regime de escravidão, o caso poderá ser caracterizado como tráfico de
pessoas.



http://reporterbrasil.org.br/2013/02/adolescente-e-resgatada-de-prostibulo-e
m-belo-monte/
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em-belo-monte/> 

Cilene de Freitas
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