[Pactonacional] ENC: Por do sol é toque de recolher das mulheres, na Índia

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Janeiro 7 08:40:49 BRST 2013



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De: Nilza do Carmo Scotti 
Enviada em: segunda-feira, 7 de janeiro de 2013 08:32
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Por do sol é toque de recolher das mulheres, na Índia


FOLHA DE S. PAULO - SP | MUNDO 
LEI MARIA DA PENHA 
Na Índia, pôr do sol é toque de recolher das mulheres 
FLORÊNCIA COSTA 
Formato A4: PDF <exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_noticia=4990032> WEB
<exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=4990032> 
Veja a matéria no site de origem
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/87259-na-india-por-do-sol-e-toque-de
-recolher-das-mulheres.shtml
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/87259-na-india-por-do-sol-e-toque-de
-recolher-das-mulheres.shtml> > 
Chamada de capa 
Regras para evitar estupro incluem não usar roupa chamativa e chegar cedo em
casa 
FLORÊNCIA COSTA 
ESPECIAL PARA A FOLHA 
Depoimento 
O país que deu ao mundo o primeiro manual sexual, o Kamasutra, e que
reverencia a energia feminina -a deusa Shakti- vive hoje uma revolução de
costumes. Duas Índias -a nova e a antiga- se chocam diariamente. 
Nos últimos dias, o mundo tem visto esse embate, com protestos gigantescos
após o estupro coletivo dentro de um ônibus e a tortura que resultou na
morte de uma jovem de 23 anos em Nova Déli. 
A mulher indiana está no olho do furacão dessa disputa em uma das sociedades
mais patriarcais do mundo. Há quase meio século, a Índia recebia a sua
primeira governante mulher: Indira Gandhi assumiu o cargo de
primeira-ministra em 1966. Mas isso não impediu as mulheres de continuarem
sendo cerceadas. Até hoje elas lutam para ter o mesmo direito ao espaço
público que os homens tem. 
Voltar para casa antes do anoitecer é um mantra ouvido por milhões de
indianas todos os dias. O pôr do sol é o primeiro aviso desse "toque de
recolher". Se a mulher não obedecer e acontecer algo, ela pediu. A culpa é
sempre da mulher. Nunca do homem. 
As grandes empresas indianas que queiram ter funcionárias mulheres devem
abrir os cofres. A lei obriga as empresas a colocar um carro com motorista a
disposição das funcionárias após as 22h. 
Nos seis anos em que vivi na Índia -de 2006 a 2012-, cansei de ler nos
jornais notícias dessas agressões, em geral, estupro em gangue, como chamam
os indianos. 
Eu mesma, e muitas outras estrangeiras que conheci por lá, tomava cuidados
especiais para evitar o assédio: evitava roupas chamativas e não andar de
noite sozinha, pelo menos em Déli, onde o problema é mais grave. Na
avalanche de comentários sobre o estupro no ônibus, muitos se perguntavam
por que ela andava na rua de noite. 
Há poucos meses, um político chegou a culpar o macarrão chinês cada vez mais
consumido no país por aumentar a libido dos indianos. 
O irônico é que mesmo na Índia moderna todos os tipos de violência contra a
mulher permanecem latentes. Segundo o Departamento Nacional de Crimes,
ligado ao governo, houve um aumento de 7% em crimes contra a mulher entre
2010 e 2011. Alguns casos mobilizaram a opinião pública. Em 2008, jornais e
televisões estampavam que em Mumbai duas garotas foram atacadas e assediadas
sexualmente por uma multidão em numa festa de Réveillon na rua. 
Há alguns meses, a maior democracia do mundo parou para debater o caso de
humilhação pública de uma moça que cometeu o erro de curtir uma noite em um
bar. 
Ela foi arrastada pelos cabelos e humilhada por 18 homens durante 45 minutos
na frente de uma câmera de televisão em uma cidade no nordeste da Índia. 
Enquanto rasgava a sua roupa, a gangue masculina sorria para a lente do
cinegrafista com orgulho. 
O grande nó da questão é a apatia da Justiça e do governo nos casos de
violência contra a mulher. Os homens não temem a polícia -que costumam
acusar as mulheres sempre que acontece algo. Em uma sociedade patriarcal,
meninos valem mais do que meninas. Mães se legitimam dentro de suas famílias
ao darem à luz um menino e caem em desgraça quando nasce uma menina. 
Que bom que dessa vez os indianos -muitos homens entre eles- foram às ruas
protestar. Não foi um protesto só contra o estupro, mas contra a aceitação
sutil da punição a mulheres que "ousam" ignorar "o toque de recolher" não
oficial. Enquanto os conservadores culpam a influência ocidental por tudo de
ruim que acontece com as mulheres, a nova Índia grita cada vez mais alto. 

Nilza Scotti
Assessora de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres Presidência da República
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