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<title>Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional</title>
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<div class=Section1>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'>Para conhecimento.<o:p></o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<div class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>
<hr size=2 width="100%" align=center tabindex=-1>
</span></font></div>
<p class=MsoNormal><b><font size=2 face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;
font-family:Tahoma;font-weight:bold'>De:</span></font></b><font size=2
face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'> SPMULHERES -
SPMULHERES - Secretaria de Politicas para as Mulheres <br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> terça-feira, 28 de
agosto de 2012 13:36<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Para:</span></b> SPMULHERES - GERAL<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> Portaria AGU 303 -
Advocacia e ilegalidade anti-índio</span></font><o:p></o:p></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'> <o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<p class=MsoNormal style='margin-bottom:12.0pt'><font size=2 face=Tahoma><span
style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'>-----Mensagem original-----<br>
<b><span style='font-weight:bold'>De:</span></b> ascom@consea.planalto.gov.br
[mailto:ascom@consea.planalto.gov.br]<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> Nenhum<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> Portaria AGU 303 -
Advocacia e ilegalidade anti-índio</span></font><o:p></o:p></p>
<div align=center>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellspacing=5 cellpadding=0 width="100%"
style='width:100.0%' height="100%">
<tr>
<td valign=top style='padding:3.75pt 3.75pt 3.75pt 3.75pt'>
<div align=center>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellpadding=0 width=420 bgcolor=white
style='width:315.0pt;background:white'>
<tr>
<td valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><img width=567
height=88 id="_x0000_i1025"
src="http://www4.planalto.gov.br/consea/banners/informe-consea/image"
NOSEND=1><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
<tr height=5 style='height:3.75pt'>
<td height=5 valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt;height:3.75pt'>
<p class=MsoNormal align=right style='text-align:right'><font size=1
face=Verdana><span style='font-size:7.5pt;font-family:Verdana'>27 de agosto
de 2012</span></font><font face=Verdana><span style='font-family:Verdana'> <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellpadding=0>
<tr>
<td style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><b><font
size=1 face=Verdana><span style='font-size:6.5pt;font-family:Verdana;
font-weight:bold'>Portaria AGU 303 - Advocacia<br>
e ilegalidade anti-índio</span></font></b> <o:p></o:p></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>por Dalmo Dallari*<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Uma portaria publicada recentemente, com a
assinatura do advogado-geral da União, contém evidentes
inconstitucionalidades e ilegalidades, pretendendo revogar dispositivos
constitucionais relativos aos direitos dos índios, além de afrontar
disposições legais. Trata-se da Portaria nº 303, de 16 de julho de 2012,
que em sua ementa diz que "dispõe sobre as salvaguardas
institucionais às terras indígenas".<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Antes de tudo, para que fique bem evidente a
impropriedade da portaria aqui examinada, é oportuno lembrar o que é uma
portaria, na conceituação jurídica. Em linguagem simples e objetiva Hely
Lopes Meirelles, uma das mais notáveis figuras do direito brasileiro, dá
a conceituação: "Portarias são atos administrativos internos, pelos
quais o chefe do Executivo (ou do Legislativo e do Judiciário, em funções
administrativas), ou os chefes de órgãos, repartições ou serviços,
expedem determinações gerais ou especiais a seus subordinados, ou nomeiam
servidores para funções e cargos secundários" (Direito administrativo
brasileiro, São Paulo, Ed. Rev.Trib., 1966, pág. 192).<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Como fica evidente, a portaria não tem a força
da lei nem da jurisprudência, não obrigando os que não forem subordinados
da autoridade que faz sua edição. No entanto, a Portaria nº 303, de 16 de
julho de 2012, do advogado-geral da União, diz que o advogado-geral da
União, no uso de suas atribuições, resolve: "artigo 1º. Fixar a
interpretação das salvaguardas das terras indígenas, a ser uniformemente
seguida pelos órgãos jurídicos da Administração Pública Federal direta e
indireta...".<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>É evidente a exorbitância, pois o advogado-geral
da União não tem competência para impor sua interpretação a quem não é
seu subordinado. Essa é uma das impropriedades jurídicas da referida
portaria.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Para dar uma aparência de suporte jurídico aos
dispositivos da portaria, nela foram inseridas, literalmente, restrições
aos direitos constitucionais dos índios constantes de argumentação
expendida pelo ministro Menezes Direito no julgamento recente do caso
reserva Raposa Serra do Sol, dos índios ianomâmi. A questão jurídica
pendente do julgamento do Supremo Tribunal Federal naquele caso era o
sentido da disposição constante do artigo 231 da Constituição, segundo o
qual "são reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as
terras que tradicionalmente ocupam".<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Esclarecendo o alcance dessa disposição, diz o
parágrafo 1º do mesmo artigo: "São terras tradicionalmente ocupadas
pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas
para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos
recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias à sua
reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e
tradições".<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Apesar da clareza desse dispositivo, ricos
invasores de terras indígenas pretendiam que só fosse assegurado aos
índios o direito sobre os locais de residência, as malocas, propondo que
a demarcação da área ianomâmi só se limitasse a esses espaços, formando
uma espécie de ilhas ianomâmi. O esclarecimento desse ponto era o objeto
da ação, e o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa aos índios,
considerando legalmente válida a demarcação de toda a área
tradicionalmente ocupada pela comunidade.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Numa tentativa de reduzir o alcance da ocupação,
o ministro Menezes Direito declarou que reconhecia o direito dos índios,
mas que eles deveriam ser interpretados com restrições, externando tais
limitações em dezenove itens, que denominou condicionantes. Estas não
integraram a decisão, que foi exclusivamente sobre o ponto questionado, a
demarcação integral ou em ilhas. E agora a portaria assinada pelo
advogado-geral da União tenta ressuscitar as condicionantes, além de
acrescentar outras pretensas restrições aos direitos indígenas. Assim,
por exemplo, a portaria diz que "é vedada a ampliação da terra
indígena já demarcada".<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Ora, bem recentemente o Supremo Tribunal,
julgando o questionamento da doação de terras dos índios pataxós a
particulares, feita pelo governo do estado da Bahia, concluiu pela
nulidade de tais doações, o que terá como consequência a ampliação da
área até agora demarcada como sendo o limite do território pataxó. E
nenhuma portaria pode proibir isso.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Outro absurdo da portaria aqui questionada é a
atribuição de competência ao Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, para
regular o usufruto dos índios dentro de suas terras, direito
expressamente assegurado pela Constituição e que não pode ser regulado
por uma portaria do advogado-geral da União.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Pelo que já foi exposto, é evidente absurdo
pretender atribuir novas competências a uma autarquia federal por meio de
uma portaria da Advocacia Geral da União. Coroando as impropriedades
jurídicas, a portaria em questão diz que é assegurada a participação dos
entes federados no procedimento administrativo de demarcação das áreas
indígenas, afrontando a disposição expressa e clara do artigo 67 do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias, segundo o qual "A
União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos
a partir da promulgação da Constituição". Como é bem evidente, a
competência para a demarcação é da União, somente dela, sendo
inconstitucional a atribuição de competência aos estados federados como
pretendeu a portaria. Por tudo o que foi aqui exposto, a Portaria nº
303/2012 da Advocacia Geral da União não tem validade jurídica, e
qualquer tentativa de lhe dar aplicação poderá e deverá ser bloqueada por
via da ação judicial p rópria, a fim de que prevaleça a supremacia
jurídica da Constituição, respeitados os direitos que ela assegurou aos
índios brasileiros.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>*Dalmo de Abreu Dallari é jurista.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=2 face="Times New Roman"><span
style='font-size:10.0pt'>Opiniões e conceitos emitidos em artigos
assinados não expressam necessariamente a posição institucional do
Conselho. A veiculação tem o objetivo de estimular o debate sobre temas
de interesse do Consea, respeitando as linhas de pensamento e o
pluralismo de ideias.</span></font><o:p></o:p></p>
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<tr height=3 style='height:2.25pt'>
<td colspan=2 height=3 bgcolor="#287F53" style='background:#287F53;
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<p class=MsoNormal><font size=1 face="Times New Roman"><span
style='font-size:2.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="45%" valign=top style='width:45.0%;padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Assessoria de Comunicação<br>
(61) 3411.3279 / 3483 <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
<td width="55%" valign=top style='width:55.0%;padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'><a href="http://www.presidencia.gov.br/consea">www.presidencia.gov.br/consea</a>
<a href="mailto:ascom@consea.planalto.gov.br">ascom@consea.planalto.gov.br</a>
<br>
<a href="http://www4.planalto.gov.br/consea/banners/redes-sociais-1">Redes
Sociais</a> <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
<p class=MsoNormal style='text-align:justify'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
</div>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
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</td>
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<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
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