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<title>Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional</title>
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<div class=Section1>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<div class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>
<hr size=2 width="100%" align=center tabindex=-1>
</span></font></div>
<p class=MsoNormal><b><font size=2 face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;
font-family:Tahoma;font-weight:bold'>De:</span></font></b><font size=2
face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'> SPMULHERES -
SPMULHERES - Secretaria de Politicas para as Mulheres <br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> sexta-feira, 26 de
outubro de 2012 11:54<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Para:</span></b> SPMULHERES - GERAL<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> Os motivos da luta dos
Guaranis e Kaiowás pelos territórios tradicionais</span></font><o:p></o:p></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'> <o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<p class=MsoNormal style='margin-bottom:12.0pt'><font size=2 face=Tahoma><span
style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'>-----Mensagem original-----<br>
<b><span style='font-weight:bold'>De:</span></b> ascom@consea.planalto.gov.br
[mailto:ascom@consea.planalto.gov.br]<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> Nenhum<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> Os motivos da luta dos
Guaranis e Kaiowás pelos territórios tradicionais</span></font><o:p></o:p></p>
<div align=center>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellspacing=5 cellpadding=0 width="100%"
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<tr>
<td valign=top style='padding:3.75pt 3.75pt 3.75pt 3.75pt'>
<div align=center>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellpadding=0 width=420 bgcolor=white
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<tr>
<td valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><img width=567
height=88 id="_x0000_i1025"
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</td>
</tr>
<tr height=5 style='height:3.75pt'>
<td height=5 valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt;height:3.75pt'>
<p class=MsoNormal align=right style='text-align:right'><font size=1
face=Verdana><span style='font-size:7.5pt;font-family:Verdana'>25 de
outubro de 2012</span></font><font face=Verdana><span style='font-family:
Verdana'> <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign=top style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellpadding=0>
<tr>
<td style='padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><b><font
size=1 face=Verdana><span style='font-size:6.5pt;font-family:Verdana;
font-weight:bold'>Os motivos da luta dos Guaranis e <br>
Kaiowás pelos territórios tradicionais</span></font></b> <o:p></o:p></p>
<p style='text-align:justify'><em><i><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Por Tonico Benites</span></font></i></em><br>
<br>
A pretensão deste artigo é fazer uma breve análise das motivações
principais que levaram historicamente e ainda levam hoje os Guaranis e
Kaiowás a retornarem aos territórios tradicionais, tekoha guasu, de onde
foram expulsos e dispersos. Além disso, pretende-se ressaltar os
significados vitais dos territórios específicos reivindicados para os
povos Guaranis e Kaiowás. Esses territórios tradicionais estão
localizados nas margens das bacias dos rios situados no cone sul do
estado do Mato Grosso do Sul.<o:p></o:p></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Como é sabido, no início da segunda metade do
século XX, intensificou-se o processo de colonização oficial do sul do
atual estado do Mato Grosso do Sul, e inúmeras comunidades Guaranis e
Kaiowás foram expropriadas e expulsas de seus territórios antigos, sendo,
na maioria dos casos, transferidas e confinadas nas Reservas Indígenas
e/ou Postos Indígenas do Serviço de Proteção dos Índios (SPI). Diante
desse quadro, iniciativas de articulação e luta de várias lideranças
Guaranis e Kaiowás para retornar aos antigos territórios começaram a
despontar no final da década de 1970.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Os grandes rituais religiosos - jeroky
guasu - foram fundamentais para os líderes políticos e religiosos
se envolverem nos processos de reocupação e recuperação dos territórios
tradicionais específicos. A atuação, ação e valorização dos saberes
Guaranis e Kaiowás, rituais religiosos e a intermediação dos líderes
religiosos nos processos de reocupação e recuperação de parte dos
territórios tradicionais foram e são muito importantes para este povo. Nesse
sentido, é importante explicitar que as manifestações rituais e
religiosas observadas em situações de reocupação de territórios
tradicionais expressam uma ação e concepção indígena bem específica e
inteiramente desconhecida dos não indígenas, gerando diferentes reações e
posições entre as diversas autoridades envolvidas em conflitos
fundiários, tais como, fazendeiros e instituições do Estado brasileiro, e
Justiça.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>É relevante considerar que os Guaranis e Kaiowás
sentem-se originários dos espaços territoriais reivindicados, e que, nos
últimos 30 anos, tendo sido privados da possibilidade de se reassentarem
nos seus territórios tradicionais e sobreviver conforme seus usos,
costumes e crenças, passaram a investir reiteradamente nas táticas de
recuperação deles.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Em relação ao significado vital do território
para o povo Guarani e Kaiowá é preciso observar em detalhe o modo
específico de relacionamento desses indígenas com os seres
invisíveis/guardiões (protetores/deuses) da terra, manifestados através
de cantos e rituais diversos dos líderes espirituais. O respeito a esses
seres humanos invisíveis e a forma de diálogo com eles marca uma
diferença muito importante em relação à percepção e ao uso dos recursos
naturais da terra. Este é um aspecto fundamental e determinante do
relacionamento dos Guaranis e Kaiowás com os territórios antigos. Ao
lutar pela recuperação dos territórios, já nas terras
reocupadas/retomadas, os Guaranis e Kaiowás demonstram e acionam
claramente a sua especificidade e condição de pertencimentos aos
territórios de origem.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Importa observar que os Guaranis e Kaiowás têm
ligação e conexão direta com os territórios específicos, considerando-se
a si e aos territórios como uma só família, dado que o território
específico é visto por esses indígenas como humano. Os Guaranis e Kaiowás
possuem um forte sentimento religioso de pertencimento ao território
específico, fundamentado em termos cosmológicos, sob a compreensão
religiosa de que os Guaranis e Kaiowás foram destinados, em sua origem
como humanidade, a viver, usufruir e a cuidar deste território
específico, de modo recíproco e mútuo, portanto eles podem até morrer
para salvar a terra. Há um compromisso irrenunciável entre os Guaranis e
Kaiowás e o guardião/protetor da terra, há pacto de diálogo e apoio
recíproco e mútuo: os Guaranis e Kaiowás protegem e gerenciam os recursos
da terra, por sua vez, o guardião da terra vigia e nutre os Guaranis e
Kaiowás.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>A compreensão dos espaços territoriais pelos
Guaranis e Kaiowás tem uma concepção cosmológica específica, sui generis,
e uma fundamentação cosmológica e histórica que se enraíza em tempos
passados. Assim, o processo de luta antiga pela reocupação e recuperação
dos territórios tradicionais é uma ação exclusivamente indígena
interconectada aos seres do cosmo Guaranis e Kaiowás, ou seja, trata-se
de uma concepção etnicamente diferenciada, eles sentem profundamente a
importância de retornar ao território específico.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Dessa forma, a luta de recuperação das antigas
áreas ocupadas pelos Guaranis Kaiowás é realizada por meio de retorno ao
território, caracterizado como um movimento pacífico e político-religioso
exclusivo. Isto é, trata-se de uma articulação política, comunitária e
intercomunitária de lideranças religiosas Guaranis e Kaiowás.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Nesse contexto, destaca-se o papel da Aty Guasu,
uma assembleia geral realizada entre as lideranças políticas e religiosas
dos Guaranis e Kaiowás a partir do final de 1970. Decisões vitais que
afetam a todos, como decisões sobre a recuperação de parte dos territórios
antigos, por exemplo, são discutidas religiosamente e acatadas. A Aty
Guasu é definida como o único foro legítimo de discussão religiosa e de
decisão articulada das lideranças políticas e religiosas dos Guaranis e
Kaiowás.<o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Por fim, o que se deve ressaltar, como conclusão
parcial do que foi exposto, é a importância da continuidade histórica da
luta político-religiosa das lideranças Guaranis e Kaiowás. <o:p></o:p></span></font></p>
<p style='text-align:justify'><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Tonico Benites é Guarani-Kaiowá, mestre e
doutorando em Antropologia Social do Museu Nacional/Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).<br>
<o:p></o:p></span></font></p>
<table class=MsoNormalTable border=0 cellpadding=0 width="100%"
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<tr height=3 style='height:2.25pt'>
<td colspan=2 height=3 bgcolor="#287F53" style='background:#287F53;
padding:.75pt .75pt .75pt .75pt;height:2.25pt'>
<p class=MsoNormal><font size=1 face="Times New Roman"><span
style='font-size:2.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="45%" valign=top style='width:45.0%;padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'>Assessoria de Comunicação<br>
(61) 3411.3279 / 3483 <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
<td width="55%" valign=top style='width:55.0%;padding:.75pt .75pt .75pt .75pt'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'><a href="http://www.presidencia.gov.br/consea">www.presidencia.gov.br/consea</a>
<a href="mailto:ascom@consea.planalto.gov.br">ascom@consea.planalto.gov.br</a>
<br>
<a href="http://www4.planalto.gov.br/consea/banners/redes-sociais-1">Redes
Sociais</a> <o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
<p class=MsoNormal style='text-align:justify'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span
style='font-size:12.0pt'><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
</div>
<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><o:p></o:p></span></font></p>
</td>
</tr>
</table>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
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