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style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
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<div class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
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<hr size=2 width="100%" align=center tabindex=-1>
</span></font></div>
<p class=MsoNormal><b><font size=2 face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;
font-family:Tahoma;font-weight:bold'>De:</span></font></b><font size=2
face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'> <st1:PersonName
w:st="on">Regina Celia Santanna Adami Santos</st1:PersonName> <br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> sexta-feira, 1 de
março de 2013 16:40<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Para:</span></b> SPMULHERES - GERAL<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> VIOLÊNCIA CONTRA AS
MULHERES - Autora Francisca Sena.</span></font><o:p></o:p></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
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<p class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
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<p class=MsoNormal style='background:white'><font size=4 color=black
face="Courier New"><span style='font-size:14.0pt;font-family:"Courier New";
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<p class=MsoNormal style='background:white'><font size=3 color=black
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt;color:black'> <o:p></o:p></span></font></p>
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face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt;color:black'> <o:p></o:p></span></font></p>
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<div>
<p class=MsoNormal style='text-align:justify;background:white'><strong><b><font
size=3 color=black face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt;
color:black'>A vida de uma mulher equivale a uma lata de manteiga?</span></font></b></strong><font
color=black><span style='color:black'><br>
<br>
Em 2006, o noticiário divulgou o julgamento de uma jovem de 19 anos, empregada
doméstica, por ter tentado roubar um pote de manteiga num comércio em São
Paulo. O roubo foi evitado pelo dono do estabelecimento. A jovem foi condenada
a 4 anos de prisão, em regime semi-aberto. <br>
Em fevereiro de 2008, Antonio Francisco Araújo da Silva cometeu um grave crime
no interior do Ceará, na cidade de Ubajara. Espancou todo o corpo e deu
marteladas na cabeça de Francisca das Chagas Oliveira (conhecida como Fran),
mulher com quem era casado. Fran, depois de muito machucada, inclusive com
afundamento da caixa craniana, desmaiou em meio a tamanha agressividade. O
desmaio fez o agressor acreditar que ela havia morrido e por isso ele parou com
seu ataque de fúria. Fran so<st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>eviveu,
mas em decorrência desse crime <st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>utal,
até hoje tem seqüelas que alteraram radicalmente a sua vida: toma medicamentos,
vive submetida a tratamento psicológico, perdeu 50% da audição e sofre com
dores no <st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>aço direito, entre
outras. A dor e o transtorno na família de Fran também não podem ser
esquecidos.<br>
<br>
Diante da impossibilidade de apagar esse crime na história de sua vida, ao
longo desses 5 anos, familiares e amigas/os da Fran, movimentos feministas - em
especial o Movimento Ibiapabano de Mulheres - MIM, vem clamando por justiça, na
tentativa desse crime não ficar impune. Esse sentimento foi alimentado ainda
mais pelo fato do acusado não ter ficado preso um dia sequer pelo crime
cometido. <br>
Ontem, 27/02, finalmente Antonio Silva foi julgado no Fórum Clóvis Bevilaqua,
em Fortaleza. Ao final do julgamento, veio a sentença: 4 anos de condenação em
regime aberto. O argumento absurdo de que o agressor não tem antecedentes c
riminais, funcionou mais uma vez para a<st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>andar
a pena. <br>
<br>
A condenação do Antonio Francisco Araujo da Silva foi mais amena do que a da
jovem mulher que tentou roubar uma lata de manteiga, alegadamente para ajudar
aliviar a fome do seu filho. Isso nos faz concluir que a vida de uma mulher
vale menos do que uma lata de manteiga. Como pode haver uma mesma punição para
dois casos tão díspares, quando o primeiro relaciona-se com a possível violação
de uma mercadoria e o outro caso, tem relação com a violação efetiva da vida de
uma mulher? <br>
Enquanto ainda estamos inconformadas com a sentença, permanecem em nós os
sentimentos ruins provocado durante o julgamento, ao rememorar os fatos da
violência e tocar novamente nas feridas. Tudo isso diante do agressor, frio,
calculista. Há quem o classifique como "monstro", mas queremos considerá-lo na
sua condição humana e por isso mesmo, tem a consciência de que a sua presença
no mundo tem uma dimen são ética, que o torna capaz de tomar decisões, de fazer
escolhas, de prever as conseqüências dos seus atos, de viver em relação com
suas/seus semelhantes. Não, ele não é monstro! É um homem, adulto, machista,
que certamente aprendeu a acreditar ser o dono da vida das mulheres com quem se
relaciona, que usa da força e da violência contra as mulheres para impor suas
vontades e interesses, que estabelece uma relação desigual com uma mulher e se
acha no direito de maltratá-la, de espancá-la e de tentar tirar sua vida
covardemente, que usa a violência como recurso para resolução de conflitos.
Temos que reconhecer que esse comportamento é tipicamente humano. Somente o
considerando humano, é que podemos querer que ele assuma a conseqüência dos
seus atos, que ele seja punido por ter cometido um grave crime de violência
contra a mulher, que podemos pressionar a justiça para retirar do criminoso o
direito de ir e vir livremente. Mas se um crime desta gravida de não é
devidamente punido, fica um péssimo exemplo para outros homens que são ou que
poderão ser violentos com as mulheres que estão em volta deles.<br>
E o que tudo isso tem a ver com cada uma/um de nós? Qual a nossa
responsabilidade em desconstruir as bases de uma sociedade marcadamente
machista? Quando ousaremos educar nossas crianças para a igualdade e o respeito
entre mulheres e homens? Que mudanças no cotidiano podemos fazer para que
outros Antônios não sejam formados e outras Franciscas não sejam vítimas de
violência sexista? Quando teremos a ousadia de semear outros valores para
nossos meninos em formação? Quando deixaremos de presentear nossos filhos com
revólveres e espadas de <st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>inquedo,
para que eles aprendam desde cedo a exercitar a violência? Quando exigiremos
que a justiça <st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>asileira não amenize
os crimes de violência contra as mulheres, sob o pífio argumento de que o homem
não tem antecedentes criminais? Até quando a violência cont ra as mulheres?<br>
A violência sofrida pela Fran nos enche de indignação! E nossa indignação é
porque esta sentença deixa em nós o sabor de impunidade; porque certamente este
homem não cumprirá nem metade desta pena; porque ele permanecerá solto
representando uma ameaça à vida de Fran, de sua família e também de outras
mulheres que se aproximarem dele; porque a justiça é cega para os crimes
cometidos contra as mulheres; porque esse crime não é isolado, mas engrossa as
estatísticas da marca de 1 bilhão de mulheres que sofre com a violência em todo
o mundo.<br>
Mas esta indignação, aliada ao desejo de justiça, também nos mobiliza. Em nome
delas continuaremos a ir pras ruas, a levantar nossas bandeiras, a lutar pelo
fim da violência contra as mulheres, a tocar tambores denunciando as opressões
e, so<st1:PersonName w:st="on">br</st1:PersonName>etudo, a continuar lutando
pela defesa, efetivação e ampliação dos direitos das mulheres. <br>
Enquanto houver injustiça, sempre haverá lut a!!!<br>
<br>
Francisca Sena - militante do Instituto Negra do Ceará e do Fórum Cearense de
Mulheres<o:p></o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal style='text-align:justify;background:white'><font size=3
color=black face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt;color:black'> <o:p></o:p></span></font></p>
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face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt;color:white'>_<o:p></o:p></span></font></p>
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12.0pt'> <o:p></o:p></span></font></p>
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