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<div class=Section1>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 color=purple face="Bookman Old Style"><span
style='font-size:12.0pt;font-family:"Bookman Old Style";color:purple'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<div class=MsoNormal align=center style='text-align:center'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>
<hr size=2 width="100%" align=center tabindex=-1>
</span></font></div>
<p class=MsoNormal><b><font size=2 face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;
font-family:Tahoma;font-weight:bold'>De:</span></font></b><font size=2
face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;font-family:Tahoma'> Nilza do Carmo
Scotti <br>
<b><span style='font-weight:bold'>Enviada em:</span></b> quinta-feira, 28 de
março de 2013 17:55<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Para:</span></b> SPMULHERES - GERAL<br>
<b><span style='font-weight:bold'>Assunto:</span></b> ntrevista com Aparecida
Gonçalves, secretária nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres</span></font><o:p></o:p></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
<div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'> <o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<div>
<p class=MsoNormal><font size=2 face=Tahoma><span style='font-size:10.0pt;
font-family:Tahoma'><br>
<br>
</span></font> <o:p></o:p></p>
</div>
<p class=MsoNormal style='margin-bottom:12.0pt'><font size=3
face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'><a
href="http://www.gazetadopovo.com.br/blog/mulherio/">http://www.gazetadopovo.com.br/blog/mulherio/</a><o:p></o:p></span></font></p>
<div>
<h3><b><font size=4 face="Times New Roman"><span style='font-size:13.5pt'><a
href="http://www.gazetadopovo.com.br/blog/mulherio?id=1357835&tit=entrevista-com-aparecida-goncalves-secretaria-nacional-de-enfrentamento-a-violencia-contra-as-mulheres">Entrevista
com Aparecida Gonçalves, secretária nacional de enfrentamento à violência
contra as mulheres</a><o:p></o:p></span></font></b></h3>
</div>
<div>
<div style='margin-left:7.5pt;margin-top:7.5pt;margin-right:7.5pt;margin-bottom:
7.5pt;float:left'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
<p class=creditos><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'>Divulgação/ SPM<o:p></o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><img border=0 width=370 height=252 id="_x0000_i1025"
src="http://www.gazetadopovo.com.br/midia_tmp/370--Aparecida.jpg"
style='width:370px'
alt="Divulgação/ SPM / A secretária-executiva da Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves"
title="Divulgação/ SPM / A secretária-executiva da Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves"
NOSEND=1><em><i><font face="Times New Roman">A secretária-executiva da
Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves</font></i></em><o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'>Relatório divulgado este mês pelo <strong><b><i><font
face="Times New Roman"><span style='font-style:italic'>Conselho Nacional de
Justiça (CNJ)</span></font></i></b></strong> trouxe a público os números da <strong><b><i><font
face="Times New Roman"><span style='font-style:italic'>Lei Maria da Penha</span></font></i></b></strong>
(LMP) desde a promulgação da legislação de gênero, em 2006. No total, foram
mais de <strong><b><i><font face="Times New Roman"><span style='font-style:
italic'>677 mil procedimentos</span></font></i></b></strong> - que dizem
respeito tanto a ações penais quanto a inquéritos e medidas protetivas -,
distribuídos por 60 juizados e varas de competência exclusiva [que só atendem
casos relativos à LMP]. <o:p></o:p></span></font></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>Pouco
depois da divulgação, foi realizado em Curitiba o primeiro seminário sobre
violência doméstica e familiar da capital, que este ano passou a contar com uma
secretaria municipal da mulher. Uma das palestrantes foi a <strong><b><i><font
face="Times New Roman"><span style='font-style:italic'>secretária-executiva da
Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de
Políticas para as Mulheres (SPM) do governo federal, Aparecida Gonçalves.</span></font></i></b></strong><o:p></o:p></span></font></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>Durante o
encontro, a <strong><b><i><font face="Times New Roman"><span style='font-style:
italic'>secretária prometeu aquele que é considerado o programa dos sonhos do
movimento de mulheres</span></font></i></b></strong>: um local que concentre
todos os serviços especializados de atendimento à mulher agredida, como
juizado, delegacia e atendimento psicossocial, que recebeu um nome de efeito: <strong><b><i><font
face="Times New Roman"><span style='font-style:italic'>Casa da Mulher
Brasileira, parte do programa 'Mulher, viver sem violência'</span></font></i></b></strong>,
lançado no dia 8 de março. Agora, é <strong><b><i><font face="Times New Roman"><span
style='font-style:italic'>preciso cobrar</span></font></i></b></strong> a sua
implementação do governo federal, que promete abrir as portas do centro ainda
este ano. <o:p></o:p></span></font></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>Em
entrevista exclusiva à <strong><b><i><font face="Times New Roman"><span
style='font-style:italic'>Gazeta do Povo e ao Blog Mulherio</span></font></i></b></strong>,
Aparecida falou sobre os números do relatório do CNJ, a falta de estrutura para
atender as mulheres, o veto do prefeito Gustavo Fruet a um projeto de lei que
previa o atendimento psicossocial do agressor e sobre a resistência de alguns
setores da sociedade à lei. <o:p></o:p></span></font></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>--
Confira também <a
href="http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1357748&tit=PR-nao-tem-estrutura-para-atender-agressoes-a-mulheres"
target="_blank">matéria publicada </a>na edição de hoje da Gazeta do Povo sobre
a estrutura ainda deficitária do Poder Judiciário no estado para atender os
casos relativos à Lei Maria da Penha<o:p></o:p></span></font></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>O CNJ divulgou recentemente os números relativos aos
procedimentos da lei Maria da Penha. Percebe-se que em 2006, ano de promulgação
da lei, houve uma diminuição do número de casos. A partir de 2007, eles
voltaram a subir. O que esses números revelam?</span></font></i></b></strong><br>
Quando foi aprovada a lei, em 2006, houve um momento em que a população parou
pra analisar se a lei daria certo ou não. Em 2007, quando nós lançamos o Pacto
Nacional de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher e foram sendo criados os
juizados, a população começou a perceber que a lei efetivamente daria certo e,
então, as mulheres passaram a criar coragem, a confiar no Estado pra fazer
denúncia. Por isso, acreditamos que houve um aumento de denúncia, não um
aumento da violência.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Por que demorou tanto tempo para o Paraná assinar o
pacto?</span></font></i></b></strong><br>
Deve ter por sido problemas políticos, pois o governo na época deve ter tido
outras prioridades que não o enfrentamento, mas efetivamente, foi um dos
últimos a assinar e isso se refletiu no fato de o estado ser um dos que menos
investem, que recebem menos investimentos por parte do governo federal.
Queremos reverter esse processo, por isso, Curitiba será uma das capitais a
receber a Casa da Mulher Brasileira e Foz do Iguaçu terá um programa para
combater o tráfico de mulheres na fronteira.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>De que forma o estado ganha ao assinar o pacto?</span></font></i></b></strong><br>
São cinco eixos que poderão ser trabalhados. O primeiro é a implementação da
Lei Maria da Penha. O segundo é o fortalecimento dos serviços especializados de
atendimento à mulher. O terceiro é a garantia dos direitos sexuais e o combate
ao tráfico de mulheres e à exploração sexual. O quarto é o acesso à justiça e o
direito à segurança cidadã e o último envolve a garantia de direitos e a
autonomia da mulher. Neste caso, as três esferas devem trabalhar para implantar
esses cinco eixos e enfrentar a violência contra a mulher em suas mais diversas
formas.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Na prática, quais programas contemplarão esses eixos?</span></font></i></b></strong><br>
Na semana retrasada, a presidenta Dilma lançou o programa 'Mulher, viver sem
violência', que criará a Casa da Mulher Brasileira, onde serão concentrados num
mesmo local todos os serviços necessários, como delegacias especializadas,
juizados, promotoria, defensoria, apoio psicossocial e orientação profissional,
pra evitar que a mulher fique se deslocando de um lado pro outro, gastando com
passagens de ônibus, perdendo tempo. Será criada uma Casa em cada capital do
país, por isso, Curitiba será contemplada. E Foz do Iguaçu terá um programa de
combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual na fronteira seca.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Haverá outros programas?</span></font></i></b></strong><br>
Haverá campanhas educativas para prevenir a violência, além da humanização dos
serviços que atendem as mulheres vítimas de violência sexual, pois hoje as
mulheres têm de ir ao hospital, têm de ir ao IML, e nós vamos facilitar isso.
Na hora em que ela for ao hospital para tomar o remédio de contracepção de
emergência, haverá a coleta da prova e se for necessário que ela vá ao IML,
haverá uma central de transporte que a levará até lá. <o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Quando essa Casa passará a funcionar?</span></font></i></b></strong><br>
Pretendemos começar o trabalho em algumas capitais do Brasil já no segundo
semestre deste ano. Existe vontade política por parte da prefeitura e do estado
para que Curitiba esteja nesta lista.<o:p></o:p></p>
<div style='margin-left:7.5pt;margin-top:7.5pt;margin-right:7.5pt;margin-bottom:
7.5pt;float:left'>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
<p class=creditos><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'>Assessoria de Comunicação/Presidência da República<o:p></o:p></span></font></p>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><img border=0 width=370 height=246 id="_x0000_i1026"
src="http://www.gazetadopovo.com.br/midia_tmp/370--CMB030341.jpg"
style='width:370px' alt="Assessoria de Comunicação/Presidência da República / "
title="Assessoria de Comunicação/Presidência da República / " NOSEND=1><o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Desde 2006, foram computados 677 mil procedimentos,
entre ações penais, inquéritos policiais, medidas protetivas etc. É muita
coisa?</span></font></i></b></strong><br>
Sim, se você pensar que isso só leva em conta os números de juizados
especializados [que atendem somente casos de violência doméstica], é muito,
pois nós temos apenas 60 juizados e varas especializadas, considerando que
alguns abriram há um ou dois anos. É uma demanda muito grande. E se você
analisar o número de medidas protetivas concedidas, 280 mil, também é um número
alto. Mas se de um lado é alto, de outro é bom, pois pode significar que 280
mil vidas podem ter sido salvas, então, isso é um dado muito importante que
mostra a eficácia da Lei Maria da Penha.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Mas não há saturação desses serviços? Seria
necessário criar mais juizados?</span></font></i></b></strong><br>
Sim, o número é muito baixo, não dá conta, é preciso ter mais, pois o juizado,
com a promotoria e a defensoria, é garantia de acesso à justiça dessas
mulheres. Então, é pouco, e precisa aumentar, e muito, esses números para que a
gente consiga erradicar a violência contra a mulher.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Quais são os outros gargalos?</span></font></i></b></strong><br>
Um dos maiores gargalos que nós temos é a questão do atendimento psicossocial
para as mulheres. Há poucos centros de referência que façam esse atendimento,
além de delegacias especializadas. Esses serviços especializados básicos como
um todo não chegam a 10% dos municípios brasileiros. É preciso que mais
municípios invistam nesses serviços pra que as mulheres efetivamente se sintam
seguras.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Houve um caso aqui em Curitiba de uma mulher que foi
vítima de um estupro coletivo e não foi atendida pela delegacia especializada,
com o caso sendo transferido para a Delegacia de Furtos e Roubos. Qual é a
opinião da SPM sobre o assunto? E como mudar esse cenário?</span></font></i></b></strong><br>
Nós precisamos trabalhar dentro da perspectiva do atendimento especializado,
com formação permanente. E nós precisamos, dentro do serviço público, seja na
Segurança Pública, no Judiciário, na Assistência Social ou na Saúde, ter em
mente que é importante ir para as delegacias especializadas aquele profissional
que tem o mínimo de vontade de trabalhar naquele lugar. A delegacia não pode
ser um espaço visto como um castigo. Deve ir pra lá o profissional que tem
condições de fazer um bom atendimento, pois a delegacia é um dos locais que
mais faz atendimento. Isso é em todo o país e com o Paraná não é diferente. A
delegacia é a porta de entrada.<o:p></o:p></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>E mais:
tem de ser um tratamento diferenciado, pois a violência é diferenciada. Você
não tá tratando com um bandido da rua, um desconhecido. É o companheiro de 35
anos da mulher, pai dos filhos dela. E nem por isso deixa de ser um caso de
polícia, isso é importante de se dizer. A lei diz que tem de ser instaurado um
inquérito e que a renúncia da mulher só pode ser feita perante o juiz, não
perante a delegada. Claro que esse não é um problema só do Paraná. Em todo
lugar é preciso saber escolher os profissionais que vão prestar atendimento
especializado.<o:p></o:p></span></font></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Recentemente, o prefeito Gustavo Fruet vetou um
projeto de lei que previa o atendimento psicossocial para o agressor, o que é
previsto em lei. Apesar de haver preocupação com o tema demonstrada com a
criação de uma secretaria municipal da mulher, isso não vai contra a luta para
erradicar a violência doméstica? </span></font></i></b></strong><br>
Bom, eu acho que o agressor é um criminoso, não é um doente. Começa por aí. Por
que criar um serviço psicossocial pro agressor e não criar pra mulher, que
apanhou por anos, que está numa condição de submissão, que não é mais sujeito
de direitos? Acho que essa é a primeira questão. Para o agressor, não é
atendimento psicossocial, é um serviço de responsabilidade e reeducação, que
envolve uma outra perspectiva, um outro olhar, com outros profissionais. Se
tivesse sido criado um serviço deste tipo, eu diria que o prefeito estava
errado, mas neste caso ele está certo. Tem de ser um serviço de responsabilização.
O agressor tem de saber da responsabilidade de seus atos. Ele não pode ser
tratado como doente, pois ele não é doente, ele é um criminoso. Segundo a Lei
Maria da Penha, a violência contra a mulher é crime.<o:p></o:p></p>
<p><strong><b><i><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt;font-style:italic'>Sete anos após a criação da lei, ainda há grupos que
afirmam que ela é inconstitucional. Há quem ache que ela é uma lei que
privilegia a mulher. O que a senhora tem a dizer sobre o assunto?</span></font></i></b></strong><br>
Eu diria que privilégio é pode bater e não ser punido. Eu diria que privilégio
é ganhar mais pelo mesmo tipo de trabalho. Privilégio é chegar em casa e ir ver
televisão quando a mulher tem de cuidar dos filhos, lavar, passar e cozinhar. E
privilégio é achar natural poder bater em mulher. Ela não é um privilégio, ela
é uma ação afirmativa. E quem diz que a lei prende a torto a direito não
conhece a lei, ou está mentindo. A lei só prende em dois casos: flagrante e
descumprimento de medida protetiva, de decisão judicial. Em que sentido esse
crime é tratado de forma diferente dos demais? Ela apenas passou a tratar como
caso de polícia aquilo que antes era tratado como questão pessoal. <o:p></o:p></p>
<p><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:12.0pt'>E o
Estado brasileiro, através de suas diversas esferas, legitima esta lei - por
meio do Legislativo, que aprovou esta lei, e do Judiciário, que votou pela
constitucionalidade da lei, e do Executivo, que está implementando a lei. O
Estado diz o seguinte por meio dessas ações: existe uma estrutura de
desigualdade social e de gênero neste país, e são necessárias ações afirmativas
para que as mulheres sejam colocadas em condições de igualdade com os homens. E
com respeito, que é o que efetivamente muitos desses homens não têm. Porque se
a cada 15 segundos uma mulher sofre violência no país, e ela parte, na maioria
das vezes, do companheiro, namorado, marido, significa que falta respeito às
mulheres brasileiras. <o:p></o:p></span></font></p>
</div>
<p class=MsoNormal><font size=3 face="Times New Roman"><span style='font-size:
12.0pt'><o:p> </o:p></span></font></p>
</div>
</body>
</html>