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<TITLE>ENC: Várias matérias sobre estupro no RJ</TITLE>
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<BODY>
<BR>
<BR>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma">_____________________________________________<BR>
</FONT><B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma">De:</FONT></B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma"> Nilza do Carmo Scotti<BR>
</FONT><B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma">Enviada em:</FONT></B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma"> segunda-feira, 8 de abril de 2013 12:37<BR>
</FONT><B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma">Para:</FONT></B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma"> SPMULHERES - GERAL<BR>
</FONT><B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma">Assunto:</FONT></B><FONT SIZE=2 FACE="Tahoma"> Várias matérias sobre estupro no RJ</FONT><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">O ESTADO DE S. PAULO - SP | ALIAS</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA | OUTROS</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Grito da violência silenciada (Artigo)</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">A adoção de políticas públicas voltadas à prevenção, punição e erradicação dos ataques à mulher, em todas suas manifestações, surge como imperativo de justiça e respeito aos direitos das vítima</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">E m 30 de março, cinco homens estupraram uma turista americana e espancaram seu namorado francês em uma van que circulava em Copacabana. Em 16 de março, uma mulher suíça, viajando de bicicleta na região central da Índia com o marido, foi vítima de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial"> perpetrado por oito homens. Em 10 de fevereiro, um grupo de cinco homens mascarados estuprou seis espanholas em uma casa de praia próxima a Acapulco, no México. Em 26 de dezembro, o</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial"> coletivo de uma mulher em um ônibus em Nova Délhi chocou a comunidade internacional, gerando profunda comoção e intensos protestos - fomentando a criação de uma comissão nacional na Índia que recebeu mais de 80 mil sugestões para fortalecer as medidas de combate à violência contra a mulher.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">A gravidade e a brutalidade do</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial"> rompem o silêncio da violência epidêmica contra amulher, realçando seu componente cultural como expressão de relações de poder historicamente desiguais e assimétricas entre homens e</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">. Em virtude da intencionalidade do agente e do profundo sofrimento físico, psíquico e moral causado à vítima, a jurisprudência internacional tem equiparado o</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial"> à tortura.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">No caso brasileiro, o Mapa da Violência 2012 publicado pelo Instituto Sangari aponta que, de 1980 a 2010, foram assassinadas no país em média 91 mil</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">. A mesma pesquisa ressalta que duas em três pessoas atendidas no SUS são</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> vítimas de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">violência doméstica</FONT></B><FONT FACE="Arial"> ou sexual.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Fruto de reivindicação do movimento de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">, a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">discriminação</FONT></B><FONT FACE="Arial"> contra a Mulher foi adotada pela ONU em 1979, sendo hoje amplamente ratificada por 187 Estados. Embora a convenção não explicite a temática da violência contra a mulher, o Comitê da ONU sobre a Eliminação de todas as Formas de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">discriminação</FONT></B><FONT FACE="Arial"> contra a Mulher adotou relevante recomendação geral sobre a matéria, afirmando que: "A violência baseada no gênero é uma forma de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">discriminação</FONT></B><FONT FACE="Arial"> que seriamente impede a mulher de exercer seus direitos e liberdades com base na igualdade com relação ao homem.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Para a ONU, a violência contra as</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> é um fenômeno generalizado, que alcança um elevado número de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">, sem distinção de raça, classe, religião, idade ou qualquer outra condição.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">No âmbito da ONU, o secretário-geral BanKi-moon, em discurso perante a Assembleia Geral no último</FONT><B> <FONT FACE="Arial">Dia Internacional da Mulher</FONT></B><FONT FACE="Arial"> (8/3/2013), reiterou o compromisso das Nações Unidas no combate à atual epidemia mundial de violência contra a mulher.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Segundo a ONU, sete em dez</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> no mundo já foram vítimas de violência física e/ou sexual em algum momento de sua vida (dado da Campanha UNite to end Violence against Women, lançada pelo secretário-geral em 2008).</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Nesse sentido, a Comissão sobre o Status da Mulher (CSW na sigla em inglês) da Assembleia-Geral da ONU, aprovou, durante sua 57ª sessão, realizada entre 4 e 15 de março de 2013, uma resolução contendo as conclusões de seus países-membros sobre a eliminação e prevenção de todas as formas de violência contra</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> e meninas. A resolução demanda expressamente que os Estados acelerem esforços para desenvolver, revisar e fortalecer políticas para combater as causas estruturais de violência contra</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> emeninas, incluindo</FONT><B> <FONT FACE="Arial">discriminação</FONT></B><FONT FACE="Arial"> e estereótipos de gênero, desigualdades e desequilíbrio nas relações de poder entre homens e</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">, entre outros fatores. Reitera, ainda, a necessidade de empreender esforços com vistas a erradicar a pobreza e as persistentes desigualdades econômicas, sociais e legais principalmente por meio do fortalecimento da participação econômica de</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> emeninas, como uma forma de diminuir o risco de violência.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">De volta ao Brasil, em absoluta harmonia com os parâmetros protetivos internacionais, a</FONT><B> <FONT FACE="Arial">Lei Maria da Penha</FONT></B><FONT FACE="Arial"> inaugurou uma política integrada para prevenir, investigar, sancionar e reparar a violência contra a mulher. A adoção da</FONT><B> <FONT FACE="Arial">Lei Maria da Penha</FONT></B><FONT FACE="Arial"> permitiu afastar a omissão do Estado brasileiro, que estava a caracterizar um ilícito internacional ao violar obrigações jurídicas internacionalmente contraídas quando da ratificação de tratados internacionais.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">É dever dos Estados atuar com a devida diligência para prevenir, investigar, processar, punir e reparar a violência contra a mulher, assegurando às</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> recursos idôneos e efetivos. A tolerância estatal à violência contra a mulher perpetua a impunidade, simbolizando uma grave violência institucional que se soma ao padrão de violência sofrido por</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Nesse contexto, há urgência na adoção de medidas voltadas à prevenção e à repressão da violência sexual do</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial">, bem como à proteção de suas vítimas. Fundamental é avançar no Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, lançado em 2007, envolvendo todas as esferas federativas com o objetivo de consolidar uma Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">, por meio da implementação de políticas públicas integradas.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">Entre os desafios ao enfrentamento da violência sexual do</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial">,destacam-se: 1)mapear a situação da violência sexual contra a mulher (mediante a sistematização de dados, adotando ficha de notificação compulsória de casos de violência sexual nos serviços de saúde, identificando o alcance, o impacto e as vítimas da violência); </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">2) ampliar ações de conscientização e sensibilização pública, por meio de campanha nacional contra a violência sexual contra as</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> e meninas e pela promoção da igualdade de gênero; </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">3) fortalecer serviços de denúncia (enfrentando a impunidade, que se mostra ainda mais latente nos casos de violência sexual, que em geral nem se quer são comunicados à polícia em virtude do medo e da vergonha da vítima); </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">4) fomentar programas de treinamento e capacitação para enfrentar a violência sexual contra as</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial"> especialmente nas áreas da segurança e da Justiça (combatendo os estereótipos de gênero baseados em preconceito que ameaçam a credibilidade da mulher, levando ao desprezo de suas denúncias); </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">5) avançar na atuação integrada e articulada de instituições, sob a perspectiva multidisciplinar e transetorial, visando à prevenção e repressão à violência sexual do</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial">; </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">6) conferir proteção e assistência às vítimas; e </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">7) identificar e implementar as práticas exitosas para o eficaz combate à violência sexual contra a mulher.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial">A adoção de políticas públicas voltadas à prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher, em todas as suas manifestações, surge como imperativo de justiça e respeito aos direitos das vítimas dessa grave violação que ameaça o destino e rouba a vida de tantas</FONT><B> <FONT FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT FACE="Arial">.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="DejaVu Sans Mono">✽</FONT><B></B><FONT FACE="Arial"> FLÁVIA PIOVESAN É PROFESSORA DOUTORA DA PUC/SP, MEMBRO DO CLADEM (COMITÊ LATINOAMERICANO E DO CARIBE PARA A DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER), MEMBRO DO CONSELHO DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA E PROCURADORA DO ESTADO </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="DejaVu Sans Mono">✽</FONT><B></B><FONT FACE="Arial"> SILVIA PIMENTEL É PROFESSORA DOUTORA DA PUC/SP, MEMBRO DO CLADEM (COMITÊ LATINOAMERICANO E DO CARIBE PARA A DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER), MEMBRO DA COMISSÃO DE CIDADANIA E REPRODUÇÃO E MEMBRO DO COMITÊ DA ONU SOBRE A ELIMINAÇÃO DA</FONT><B> <FONT FACE="Arial">discriminação</FONT></B><FONT FACE="Arial"> CONTRA A MULHEr </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT FACE="Arial"> A jurisprudência internacional tem equiparado o</FONT><B> <FONT FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT FACE="Arial"> à tortura</FONT><B></B></P>
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<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#FF0000" SIZE=1 FACE="Arial">O ESTADO DE S. PAULO - SP | ALIAS</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA | OUTROS</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">O país do autoengano</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><B><I><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Para psicanalista, recentes erupções de violência no Rio de Janeiro mostram que, sob a fachada do ufanismo desenvolvimentista, o Brasil esconde as velhas mazelas de sua modernização imperfeita</FONT></I></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O conceito de "retorno do reprimido", descrito por Sigmund Freud pela primeira vez em 1895, é um mecanismo de defesa segundo o qual os conteúdos reprimidos, expulsos da consciência de uma pessoa, tendem a reaparecer constantemente. Três tragé- dias ocorridas sucessivamente no Rio de Janeiro nos últimos dias parecem sintomas de algum distúrbio oculto. Na manicure que asfixiou sem dó um menino de 6 anos com quem convivia, no</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> brutal de uma turista americana que pegou uma van em Copacabana e na agressão incompreensível que teria provocado a queda de um ônibus de cima de um viaduto expressamse os sintomas de um antigo mal-estar de nossa civilização: a violência. Nascido em São Paulo e radicado no Rio, o filósofo e psicanalista André Martins Vilar de Carvalho vê nesses acontecimentos a ponta do iceberg do autoengano nacional. "A propaganda enganosa da pacificação do Rio é a mesma do Engenhão construído há só cinco anos, que corre o risco de cair na cabeça da multidão", compara. "O Brasil vive uma espécie de capitalismo desenvolvimentista selvagem, que no fundo não quer gastar dinheiro com o social." Doutor em filosofia pela Universidade de Nice e em teoria psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde é professor associado, Martins diz ter a sensação de que tudo é feito hoje no País apenas para montar uma fachada que esconde nossos problemas mais profundos. Isso é perigoso e "favorece junto a pessoas com menos estrutura psíquica a ideia de que esta é uma terra de ninguém, onde tudo pode ser feito, inclusive crimes hediondos". O professor sustenta que as psicopatias, embora individuais e independentes de formação ou classe social, relacionam-se inevitavelmente ao descaso persistente com a primeira infância em nosso país. Na entrevista a seguir, o autor de Pulsão de Morte? - Por uma Clínica Psicanalítica da Potência (Editora UFRJ, 2010) e O mais Potente dos Afetos: Spinoza e Nietzsche(Martins Fontes, 2009) vê na violência que emerge no cotidiano nacional os sinais da modernização imperfeita do País - em especial a marca persistente da escravidão, que "naturalizou" o fosso social brasileiro e a cultura do privilégio e do interesse mesquinho, que se manifestam tanto na corrupção política quanto nos instintos particularmente animais de certos empresários. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●O</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> de uma turista dentro de uma van e o assassinato de um menino de 6 anos pela manicure que frequentava sua casa parecem ter feito o Rio despertar do sonho pacificador das UPPs para uma espécie de 'retorno do reprimido' da violência. O que houve? Vejo as UPPs não como uma política ideal, mas possível, que age de maneira razoavelmente eficaz contra o crime organizado e o tráfico de drogas. Acontece que a violência que emerge agora não é fruto desse contexto. No caso da van, foram uma série de assaltos e estupros cometidos por três indivíduos e a manicure, uma mulher que cometeu o crime sozinha. O que vale colocar em questão aqui é esse "sonho pacificador", é a política local transformar uma iniciativa bem-sucedida em uma grande propaganda de um Rio de Janeiro pacificado. Isso é que é falso. Faço uma analogia, guardadas as devidas proporções, com o Engenhão interditado. Às vésperas da Copa do Mundo e da Olimpíada, a coisa é apresentada como se o Rio não tivesse mais problemas, virou uma cidade organizada, valorizada... Aí um estádio que foi construído cinco anos atrás corre o risco de desabar na cabeça da multidão. Descobre-se que a construção foi malfeita, obviamente por algum tipo de superfaturamento - e digo isso sem nenhum cuidado porque acho que é preciso dizer o óbvio. É a mesma propaganda enganosa que assistimos sobre a violência. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●O colunista carioca Artur Xexéo escreveu, sobre os últimos acontecimentos, que 'quando a cidade se olhar no espelho e vir o que ela realmente é por debaixo das muitas camadas de maquiagem e aplicações de botox, talvez descubra como se tornar maravilhosa de verdade'. O Rio e o Brasil padecem de certo distúrbio de autoimagem? Concordo, inclusive em relação ao Brasil, que vive uma espécie de capitalismo desenvolvimentista selvagem, que no fundo não quer gastar dinheiro com o social, interessando-se pelo lucro a qualquer custo. A violência que escapa nesses dois exemplos, dos rapazes da van e da assassina do menino, é proveniente de indivíduos que refletem um descaso social como um todo. Para usar um termo que tem origem na filosofia política do século 17, o Brasil pode até ter um contrato social, mas ele está muito corrompido. E o que não temos é um pacto social, não existe um discurso de construção de fato de um país para todos. O que existe e, mais triste ainda, é aceito, são interesses individuais ou de pequenos grupos mesquinhos, mas não uma disposição de pensar o coletivo. A ideia do "cada um puxa a sardinha para seu lado" está legitimada socialmente no Brasil. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●Então as oportunidades representadas pela organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas estão sendo jogadas fora? Exatamente. Poderíamos estar aproveitando esses eventos para, dentro de um capitalismo minimamente responsável, utilizá-los para captar recursos para melhorias sociais. Todo mundo sabe disso, mas ninguém faz e ninguém cobra. Há um sentimento geral de que tudo é feito no Brasil hoje apenas para montar uma fachada. É algo muito desanimador. E que, no meu entender, favorece junto a pessoas que têm menos estrutura psíquica a ideia de que o Brasil é terra de ninguém, onde tudo pode ser feito, inclusive crimes hediondos. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●Na mesma semana, a queda do ônibus de um viaduto durante uma briga banal entre o motorista e um passageiro mostrou até onde os impulsos agressivos do cotidiano podem levar. O que o fato de ambas as tragédias terem ocorrido no transporte público sinaliza? Esse mesmo descaso com a coletividade. Não é por acaso que o transporte público tanto no Rio como em São Paulo, onde nasci, é tão ruim. E, a partir de um certo nível social ou de idade, ninguém mais quer andar de ônibus, por exemplo, ao contrário do que acontece na Europa ou nos EUA. O universitário que agrediu o motorista já tinha vários antecedentes de violência física. Aquele ônibus já registrava 40 multas, quase a metade por excesso de velocidade. Os motoristas não são fiscalizados e devem cumprir metas de número de viagens diárias. Como motoristas despreparados e sem formação continuam dirigindo? E a responsabilidade dessa companhia de ônibus? Por que não se interessa pela pressão sofrida por seus motoristas, mas ao contrário a exerce e a agrava? No caso dos três rapazes na van, também: se eles já haviam cometido diversos assaltos e estupros, com denúncias registradas inclusive em delegacias da mulher, por que nada foi feito? O mesmo pode ser dito quanto às diversas irregularidades absurdas vigentes no incêndio da boate em Santa Maria no Rio Grande do Sul, quando gestão privada e poder público se preocupavam exclusivamente com o lucro que o negócio gerava. É um problema não só político, mas jurídico. A Justiça brasileira tem que renovar sua forma de funcionar. E Brasília dá um péssimo exemplo com a corrupção, não só do mensalão, que pelo menos foi julgada, mas no sentido amplo da palavra - por sua falta de zelo com a republica, a coisa pública. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●De que maneira as ferramentas da psicanálise ajudam a compreender a violência? É uma psicopatia grave a dessa moça que sequestrou e assassinou um menino com quem convivia havia três anos. O que se percebe é uma falta de identificação com o outro. Essas pessoas, seja a manicure, sejam os rapazes da van, manifestam uma perversidade e indiferença para com o outro. O processo de identificação com o outro se dá ao longo da vida, mas fundamentalmente na infância. Quando a criança lida com cuidadores hostis a ela, pode separar no processo identificatório - que está na origem da capacidade de se sensibilizar com o outro - aqueles com quem se sensibiliza e outros com por quem não sente nada. A pessoa que desenvolve essa psicopatia pode até nutrir sentimentos em relação à mãe, um amigo ou parente, mas não se sensibilizar, por exemplo, por uma criança de 6 anos que conviveu com ela, como aconteceu no crime da manicure. Ou pelas várias</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> que esses homens estupraram, com uma violência capaz de quebrar ossos. Isso significa que filhos de classes mais pobres vão estar necessariamente mais inclinados a esse risco do que os ricos que estudaram em bons colégios? Não. Está aí o caso Suzane Richthofen para mostrar. Ou o próprio agressor do motorista do ônibus, que tinha nível universitário. Mas é preciso reconhecer coletivamente a importância desse cuidado na primeira infância - algo que o País não tem feito. Um exemplo é a falta de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">creches</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> boas e em nú- mero suficiente. Aqui, de novo, não basta "entregar" fisicamente tais obras, mas se preocupar com a qualidade do que será vivenciado lá dentro. O mesmo acontece com a educação pré-escolar e no ensino fundamental. É algo gritante e urgente. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●Dois dos crimes que o sr. cita tiveram um componente sexual - evidente no caso do</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, mas presente também na acusação, feita pela manicure, de que estaria sendo assediada pelo pai do menino. Ambos não parecem ter sido cometidos só pelo benefício financeiro. Por que foram então? Primeiro, não vejo que esses crimes possam ser atribuídos a aquelas pulsões agressivas do ser humano que Freud chamou de pulsão de morte ou destrutiva, ou a uma pulsão sexual vista como fundamentalmente bestial. Três rapazes que sentem mais prazer em violentar</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> para poder ter uma relação sexual paradoxalmente não estão encontrando o gozo no sexo em si, mas na violência. Uma pessoa minimamente saudável, numa situação dessas, perderia o interesse, acharia deprimente. Muito mais do que expressar pulsões naturais ou bestiais do ser humano, eles estão se excitando sexualmente por uma violência hedionda e atroz contra outra pessoa. Eu vejo como parte dessa patologia comum da não identificação, que gera uma raiva difusa e uma destrutividade por essa vítima que eles não conhecem, como no caso da van, ou que conhecem muito bem, como no caso da manicure. Repito: a não identificação é construída em relações afetivamente precárias da primeira infância, não é "natural" ou instintiva. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●Seu trabalho discute a forma como o corpo é manipulado na atual sociedade de consumo. Como a violência se insere nisso? É outro aspecto, mas que se liga a esse que acabamos de discutir. A propagação, seja por interesses de mercado ou financeiros, de um ideal de corpo perfeito, de felicidade financeira perfeita, de relações sexuais performáticas, cria uma pressão psicológica social que suscita nas pessoas que se percebem distantes desses ideais um mal-estar, que pode se expressar em ressentimento. Que, em casos graves, pode se expressar em violência, destruição em relação a essa sociedade em que elas não se encaixam. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> ●Então, a mistura do déficit social brasileiro com a expansão das possibilidades de consumo tem um potencial explosivo. Sim. E aí podemos voltar àquele ponto inicial do sonho pacificador não só no Rio de Janeiro, mas do momento econômico do Brasil. Do que a gente está se vangloriando tanto? De que as classes C, D e E possam consumir? Isso é muito bom em vários aspectos. Agora, a possibilidade de consumir vir à frente da sociedade ter um pacto coletivo, sentir-se coletivamente envolvida numa melhor distribuição de renda, com melhorias na saúde, na educação e na moradia, é uma visão deturpada do coletivo. E a violência é uma face disso.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">●Há diversas explicações para o caráter violento da sociedade brasileira, desde as que culpam o trauma da colonização, as que apontam nossa prolongada escravidão, até o precário acerto de contas com violações cometidas durante a ditadura militar. Qual dos fatores concorre mais, em sua opinião? Todos concorrem, mas o segundo, no meu entender, é sem dúvida o predominante: a nossa história de escravidão. Porque nos outros dois outros fatores podemos até encontrar aspectos positivos. No caso da colonização, apesar de toda a violência, tivemos a miscigenação, a mistura de raças, que nos trouxe qualidades distintivas. Mesmo em relação à ditadura, com a sua injusti- ça escandalosa, há o elogiável sentimento brasileiro de não cultivar o ódio ou a vingança. Já a herança escravocrata é particularmente perversa: ela cria um sentimento de desigualdade social aceito de maneira não questionada no Brasil. E também uma perversidade na relação de poder, a ideia de que inevitavelmente vai existir uma elite, que esse fosso de distribuição de renda "faz parte". É um sentimento muito ruim, muito prejudicial para o pacto coletivo de que precisamos.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">●O componente sexual dessas agressões pode também estar relacionado a essa heran- ça escravocrata? Sem dúvida. Na escravidão, como se sabe, as negras eram também escravas sexuais.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O que difundiu uma percepção de que é legítimo submeter sexualmente o outro à for- ça, de que o sexo não é nem precisa ser algo bom e consensual entre parceiros, um prazer ou uma alegria compartilhados. Isso é cultural, não um comportamento advindo de alguma natureza bestial do ser humano. Nem tem a ver com o sadomasoquismo, que é um jogo compartilhado. Mas com o desprezo pelo outro e o prazer pela violência.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">●Como o Brasil pode lidar melhor com esse conteúdo violento que parece tentar negar, seja nesse ufanismo pré-Copa, seja sob a eterna fantasia do povo alegre e festeiro? A tese que defendo é que é inútil para o Brasil tomar a Europa como um modelo civilizatório. A civilização, no sentido europeu do termo, conseguiu combater uma violência primária, direta e sem mediação, ao preço de desenvolver uma violência secundária, que se dá em nome da civiliza- ção, de forma institucionalizada - e cujo maior exemplo são as guerras. Há menos violência nas ruas, mas mais violência contida que estoura no momento de uma guerra. No Brasil, a gente manteve uma violência primária que vem junto com o nosso tão propalado caráter cordial.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">●Que não é necessariamente positivo, como alguns interpretam.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">É isso. A cordialidade, como bem definiu Sérgio Buarque de Holanda, vem da palavra "coração": é uma não mediação social.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Algo assim: "Olha, vou ser muito gentil com você, se você for comigo. Mas se você não for, vou ser muito violento". É o contrário do que ocorre na Europa, onde predomina a polidez: mesmo pessoas muito zangadas e com raiva das outras, mantêm uma delicadeza dissimulada no trato. Enquanto a cordialidade aproxima, para o bem e para o mal, a polidez afasta, para o bem e para o mal. Penso que essa reflexão pode orientar o Brasil no sentido um projeto de coletividade: não vale a pena a gente aspirar a um processo civilizatório tal como o da Europa, pois muito dificilmente a gente vai aceitar essa imposição da lei, no sentido psicanalítico, pelo preço que isso acarreta. Então, insistir nisso é insistir num provincianismo brasileiro de pensamento que considera que o modelo dos outros é bom em todos os aspectos e o nosso ruim em todos os aspectos. Porém, para que serve observar esses modelos? Para tentarmos entender que um certo respeito às instituições, um pouco de polidez, e ter um pacto social de projeto de coletividade é preciso - mas isso pode ser feito a nossa maneira. Mantendo o aspecto cordial do povo, que aproxima as pessoas, mas aprendendo o valor do respeito às instituições, jurídicas, políticas e de organização urbana. Tentar importar a polidez europeia nunca vai dar certo e vira uma desculpa para não se fazer nada. E acaba nos levando a simplesmente enaltecer a cordialidade, sem perceber que, sem o respeito às instituições e um projeto de coletividade, junto com ela vem a violência.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Entrevista André Martins FILÓSOFO, MEMBRO DO CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO E AUTOR, ENTRE OUTROS, DEPULSÃO DE MORTE? (EDITORA UFRJ, 2010)</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">_____ </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> "Crimes como o da van revelam uma total falta de identificação com o outro</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#FF0000" SIZE=1 FACE="Arial">O GLOBO - RJ | RIO</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">Menor detido: grupo que estuprou turista saiu para ´caçar gringos´</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">Formato A4:</FONT><B></B><U></U><U> <FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">PDF <</FONT></U><B></B><A HREF="http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_noticia=5922288"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=1 FACE="Arial">http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_noticia=5922288</FONT></U><B></B></A><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">></FONT></U><B></B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial"></FONT><B></B><U></U><U> <FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">WEB <</FONT></U><B></B><A HREF="http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=5922288"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=1 FACE="Arial">http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=5922288</FONT></U><B></B></A><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">></FONT></U><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">Veja a matéria no site de origem <</FONT></U><B></B><A HREF="https://www.oglobodigital.com.br/"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=1 FACE="Arial">https://www.oglobodigital.com.br/</FONT></U><B></B></A><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">></FONT></U><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Menor detido: grupo que estuprou turista saiu para ´caçar gringos´</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Jovem de 13 anos confirma que agrediu francês com barra de ferro</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Vera Araújo</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B></B><A HREF="mailto:Varaujo@oglobo.com.br"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=1 FACE="Arial">Varaujo@oglobo.com.br</FONT></U><B></B></A><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Criminosos. Carlos Armando, Jonathan e Walace, presos pelo ataque ao casal de estrangeiros em Copacabana</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Marcelo Carnaval</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Na madrugada do último dia 30, os criminosos que atacaram os turistas estrangeiros dentro de uma van - estuprando uma americana e espancando seu namorado francês, além de terem assaltado o casal - saíram por Copacabana para "caçar gringos". A informação foi dada, em depoimento, pelo adolescente F., de 13 anos, que atuava como cobrador do veículo e foi detido ontem, escondido num abrigo no Centro. Além dele, outros três criminosos já foram presos.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O menor negou ter estuprado a turista, mas confirmou participação no roubo. Segundo o delegado assistente Gilbert Stivanello, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente(DPCA), responsável pela detenção, F. admitiu que agrediu o turista francês.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">- Eu batia na cabeça do gringo com a barra de ferro toda vez que ele tentava olhar para a mulher dele - contou o menor à equipe da DPCA.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Ele disse que foi trabalhar como cobrador, mas sabia que o grupo tinha como hábito assaltar os passageiros. Segundo F., o motorista do veículo, Jonathan Froudakis de Souza, de 19 anos, e o cúmplice Walace Aparecido Souza Silva, de 21, já tinham combinado, antes de o casal de turistas embarcar, que iam percorrer Copacabana em busca de estrangeiros para assaltar. O menor contou que Jonathan teria dito: "Hoje (dia 30), a gente está querendo caçar gringo". Tanto Jonathan como Walace já estão presos, assim como um terceiro acusado, Carlos Armando Costa dos Santos, de 21.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Depois de várias voltas pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Jonathan e o menor viram o casal e pararam a van, que tinha como destino a Lapa. Mais adiante, ainda segundo F., cinco jovens também fizeram sinal para o carro. Para não despertar suspeita nos estrangeiros, o motorista parou. Como combinado, Walace entrou na altura da Rua Duvivier. Depois de anunciado o assalto, as passageiras brasileiras, sem dinheiro e celulares, foram largadas na subida da Perimetral.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O grupo, ainda de acordo com o menor, seguiu então para Niterói com o casal de estrangeiros. Mais adiante, Carlos Armando embarcou. F. contou que eles passaram em postos de gasolina para retirar dinheiro em caixas eletrônicos com os cartões das vítimas. Segundo o adolescente, Jonathan e Walace ficaram com a americana, enquanto ele foi encarregado de algemar e golpear o francês com uma barra de ferro. A mulher, no entanto, afirma que o menor também participou da série de estupros. F. diz que saltou ainda em Niterói e não sabe o que aconteceu depois.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">- Acredito que ele esteja negando o</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> porque é um crime mais complicado de confirmar. Na cabeça dele, não haveria problema em confessar que roubou - disse o delegado Gilbert.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O menor já foi reconhecido pelas vítimas do roubo. A punição máxima para o adolescente é ficar três anos internado numa instituição. Outras duas</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> já acusaram o bando de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O crime contra o casal já afeta o movimento nas vans: ontem de madrugada, na Lapa, motoristas diziam que, com medo, passageiros (principalmente</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">) estão evitando usar o transporte alternativo à noite.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#003666" SIZE=1 FACE="Arial">Ficha técnica</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=1 FACE="Arial"> Pág.: CAB09 Tam.: 96cm Editoria: RIO Data: 08/04/2013 Cadastro: 08/04/2013 04:03 </FONT><B></B><BR>
<B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#FF0000" SIZE=1 FACE="Arial">O ESTADO DE S. PAULO - SP | METRÓPOLE</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">Menor acusado de participar de estupro de turista é detido no Rio</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">Veja a matéria no site de origem <</FONT></U><B></B><A HREF="http://digital.estadao.com.br/home.asp"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=1 FACE="Arial">http://digital.estadao.com.br/home.asp</FONT></U><B></B></A><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#993300" SIZE=1 FACE="Arial">></FONT></U><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A polícia também prendeu no fim de semana os suspeitos de assaltarem grupo de turistas alemães</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Marcelo Gomes / Rio</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Polícia Civil do Rio apreendeu anteontem à noite o menor acusado de envolvimento no</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> de uma turista americana dentro de uma van no Rio. O adolescente, de 14 anos, estava num centro de acolhimento da Prefeitura no centro da cidade e foi localizado por policiais da Delegacia de Proteção à Criança e do Adolescente (DPCA).</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">De acordo com o depoimento da vítima, o menor era o cobrador da van onde ela, de 21 anos, e seu namorado, um francês de 22 anos, foram atacados. O adolescente teria usado uma barra de ferro para agredir o francês e também teria estuprado americana. O menor foi encaminhado ontem a um centro de triagem para infratores na Ilha do Governador, zona norte.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Os estrangeiros pegaram a van em Copacabana, na zona sul, e seguiriam para a Lapa, bairro boêmio na região central da cidade. Na subida do Elevado da Peri-metral, os bandidos obrigaram os outros passageiros a descer e seguiram com o casal para São Gonçalo.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Poucas horas após o crime, policiais prenderam três acusados: Jonathan Foudakis de Souza, de 20 anos; Wallace Aparecido Souza Silva, de 22; e Carlos Armando Costa dos Santos, de 21. A polícia ainda está à procura de um quinto integrante do bando.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A repercussão do caso fez com que pelo menos outras duas</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> que haviam sido estupradas anteriormente pelo mesmo bando procurassem a polícia.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Turistas. A Polícia Civil deteve também quatro dos cinco suspeitos de envolvimento no assalto a um grupo de nove turistas alemães que passeavam no Parque Nacional da Tijuca, na manhã da última quinta-feira.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">As vítimas, uma guia de turismo e o motorista da van que transportava o grupo foram rendidos pelos criminosos na Estrada das Paineiras, quando seguiam para uma cachoeira.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Após roubarem os pertences das vítimas, os ladrões fugiram num Palio vermelho, que mais tarde foi localizado abandonado no bairro de Laranjeiras, na zona sul da cidade.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Os criminosos (três menores e dois maiores) são moradores das favelas Cerro-Corá e Ladeira dos Guararapes, no Cosme Velho, que dão acesso ao Parque Nacional da Tijuca e ao monumento do Corcovado.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Perícia feita no veículo identificou um dos suspeitos, um menor, por meio das impressões digitais. Em depoimento na frente de seu pai, o adolescente confessou o crime e entregou os quatro comparsas. A polícia fez buscas nas casas dos outros suspeitos, onde foram recuperados bens dos alemães e à dona do Palio. Os outros dois menores e Jean Vinícius da Silva, de 18 anos, também foram detidos.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Suspeito. A polícia pediu ontem ao Plantão Judiciário a decretação da prisão dos suspeitos, mas até as i6h não havia resposta. O quinto suspeito, que foi identificado como Walace Guilherme Soares Silva, de 18 anos, também teve a prisão pedida, mas ainda não havia sido localizado pelos investigadores até ontem à noite.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">"Ao contrário do que pensávamos, os menores são de famílias estruturadas, frequentam a escola e não tinham antecedentes criminais. Seus pais não desconfiavam de nada. As famílias precisam ficar atentas", disse o delegado Alexandre Braga.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#003666" SIZE=1 FACE="Arial">Ficha técnica</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=1 FACE="Arial"> </FONT><B></B> <FONT SIZE=2 FACE="Times New Roman"></FONT><B></B> <FONT SIZE=1 FACE="Arial"> </FONT><B></B> <FONT SIZE=2 FACE="Times New Roman"></FONT><B></B> <FONT SIZE=1 FACE="Arial"> </FONT><B></B> <FONT SIZE=2 FACE="Times New Roman"></FONT><B></B> <FONT SIZE=1 FACE="Arial"> </FONT><B></B> <FONT SIZE=2 FACE="Times New Roman"></FONT><B></B> <FONT SIZE=1 FACE="Arial">Pág.: C05 Tam.: 95cm Editoria: METRÓPOLE Data: 08/04/2013 03:29 </FONT><B></B><BR>
<B></B></P>
<BR>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#FF0000" SIZE=1 FACE="Arial">DESTAK - RJ | RIO</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">Vans com película já podem ser multadas</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Após estupros, carros com vidros escuros são vetados; medida também vale para kombis</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A partir de hoje, as vans e kombis que circularem pela cidade com películas escuras nos vidros serão multadas e lacradas. A medida foi motivada pelo</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> de uma americana dentro de uma van no fim de março, e instaurada por meio de decreto publicado na sexta no "Diário Oficial do Município". Estão proibidas películas em qualquer tonalidade, e o valor da multa é de R$ 1.251,48.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">"Percebemos que há, em alguns casos, a intenção de usar o veículo para a ação de crimes, até por poder transportar grande quantidade de pessoas e de carga, como armas, de forma dissimulada", declarou o chefe da Coordenadoria Especial de Transporte Complementar, o delegado Cláudio Ferraz.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Na madrugada de sábado, a Polícia Civil, a PM e o Batalhão de Choque rebocaram cerca de 30 vans numa operação contra o transporte alternativo irregular na Lapa.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Novo caso</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Na sexta, a Polícia Civil divulgou o retrato falado do suspeito de estuprar uma mulher dentro de uma kombi, na terça-feira, dia 2, no bairro de Vista Alegre, em São Gonçalo. O veículo, de cor branca, fazia o trajeto Alcantara-Engenho Pequeno. Segundo a vítima, depois que a última passageira desceu do veículo, o criminoso seguiu até um campo aberto, apontou uma arma e a estuprou. Depois, a jogou fora da van e a deixou no local.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Na madrugada do dia 30 de março, cinco bandidos fizeram um casal de turistas reféns por seis horas dentro de uma van, agredindo o rapaz e estuprando a namorada dele.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#FF0000" SIZE=1 FACE="Arial">ISTO É | COMPORTAMENTO</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">LEI MARIA DA PENHA | OUTROS</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B><FONT COLOR="#6A6A6A" SIZE=1 FACE="Arial">Selvageria à Brasileira</FONT></B></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A barbárie dos estupros coletivos cometidos por um bando no Rio de Janeiro expõe um País em guerra com as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">. Em apenas três anos, triplicou o número de casos, o que coloca o Brasil em situação tão inaceitável quanto a da Índia</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Wilson Aquino, Tamara Menezes e Laura Daudén</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Uma moça de 21 anos, evangélica, nascida em uma pequena cidade fluminense, passava férias no Rio de Janeiro, em março. No sábado 23, ela e um amigo resolveram conhecer a Lapa, bairro boêmio da cidade. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma das mais movimentadas da zona sul, tomaram uma van. Era madrugada. Nesse veículo, a jovem perdeu a virgindade de forma brutal. Foi estuprada por três criminosos que se revezaram no ato covarde durante uma hora. Depois do crime, ela foi abandonada em uma rua da cidade vizinha de Niterói. Sem saber do paradeiro do amigo, expulso do coletivo antes do ataque, ela começou a correr "feito louca por ruas que não conhecia", como disse à ISTOÉ. Depois de finalmente conseguir ligar para o pai, a jovem se dirigiu à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). Se a denúncia apresentada por ela naquela noite tivesse sido investigada, outra jovem de 21 anos poderia ter tido destino diferente. No sábado 30, uma turista americana que fazia intercâmbio foi estuprada pelo bando. A barbárie dos ataques sexuais expôs um Brasil em guerra com as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, um estado de selvageria chocante no qual o poder público se mostra ineficiente para protegê-las.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O mesmo grupo pode ter cometido até dez crimes similares, segundo estimativas do delegado Alexandre Braga, da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista. Por enquanto, a polícia carioca confirmou três, está em vias de fechar a apuração de um quarto</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> e investiga outras seis vítimas que não chegaram a registrar denúncia. A extensão da violência desse caso faz parte de um quadro mais amplo e aterrador: em 2012, a cada 24 horas, dez brasileiras foram estupradas por desconhecidos. Entre 2009 e 2012, esse tipo de crime teve um aumento de 162%, segundo o Ministério da Saúde. No mesmo período, o total de notificações de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> triplicou. Segundo o Instituto de Segurança Pública, só na capital fluminense são registrados 16 estupros por dia. Em São Paulo, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública, o número chega a 35. Essas denúncias incluem agressões sexuais antes consideradas "atos libidinosos", como beijos forçados, que passaram a ser enquadrados no espectro do crime de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> em 2009, além de violações cometidas contra crianças e homens, dentro e fora do ambiente doméstico.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A denúncia da turista americana gerou uma resposta das autoridades policiais - muito diferente da dispensada à jovem brasileira. Em menos de 12 horas, os suspeitos foram identificados e presos em flagrante. Eles são Jonathan Froudakis de Souza, conhecido como "Gordinho", 21 anos, Wallace Aparecido Souza Silva, o "Cachorrão", 19 anos, e Carlos Armando Costa dos Santos, o "Baby", 21 anos. A quadrilha é composta por mais duas pessoas, que continuam foragidas. Eles seguem o perfil delineado por Danilo Baltieri, coordenador do Ambulatório de Transtornos da Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC, para quem as características do criminoso que pratica um</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> coletivo são diferentes daquelas apresentadas por outros estupradores. "Trata-se de um grupo de homens que compartilha crenças, que se crê imbatível, superior", diz. "Eles normalmente já estão envolvidos em outros crimes e cometem a agressão sexual mesmo sabendo que é uma prática abominável inclusive dentro da cultura penitenciária."</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Ainda traumatizada, a moça que sonhava ter sua primeira relação sexual com um homem que amasse contou à ISTOÉ que os bandidos também praticaram tortura psicológica. "Falavam que queimariam a van comigo dentro. Cheguei a falar para eles: vocês não têm irmã nem mãe? Eles apenas riram, sem um pingo de humanidade", diz ela, que lamenta a inércia da polícia. "Se tivessem dado atenção ao meu caso, talvez não tivesse acontecido de novo." Imediatamente após saber da prisão de seus algozes, ela e o pai procuraram a polícia para fazer o reconhecimento. Ao saber que a denúncia da jovem brasileira não tinha sido investigada, a chefe de Polícia do Rio, delegada Martha Rocha, exonerou a delegada da Deam de Niterói, Marta Dominguez, e a perita de São Gonçalo, Martha Pereira. "Quando as vítimas chegam à delegacia para registrar</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, as primeiras perguntas sugerem que a mulher é responsável pelo crime</FONT><B></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">. Somos vistas como objeto de desejo e propriedade e, sendo assim, podemos ser culpadas pelo abuso", diz a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, Aparecida Rodrigues.</FONT><B></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O caminho percorrido pela turista americana foi outro: ela se dirigiu ao Consulado Americano e, de lá, na companhia de uma assistente social, seguiu até a delegacia do turista. Em seu depoimento consta que ela foi estuprada pelos três criminosos na presença de seu namorado, um francês de 23 anos, que, tal como ela, estudava português no Brasil. A americana voltou para os Estados Unidos na segunda-feira 1º. Seu namorado continua no País e tem colaborado com a polícia, apesar de ainda estar em de choque. Por envolver dois turistas estrangeiros, o caso gerou grande repercussão internacional: jornais de todo o mundo lembraram que, apesar da patente falta de segurança, o Rio será palco de eventos como a Copa das Confederações e a Jornada da Juventude, ainda este ano, a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. O episódio foi amplamente comparado ao ocorrido na Índia em dezembro de 2012, quando uma jovem estudante sofreu um</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> coletivo dentro de um ônibus. A repercussão do caso indiano resultou em uma redução de 25% no número de turistas que visitaram o país no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. "O mercado turístico é muito sensível a esse tipo de notícia. A pessoa que não conhece um lugar passa a conhecê-lo através de um acontecimento que fere a sensibilidade das pessoas civilizadas e acaba pensando duas vezes antes de viajar", diz o sociólogo Williams Gonçalves, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">O turismo, no entanto, é a parte menos sensível e relevante do problema. O crime mostra que o notável avanço da legislação brasileira na última década e o expressivo aumento no número de notificações não foram acompanhados de uma maior mobilização do poder público para punir os responsáveis. Apesar da inexistência de dados oficiais sobre a taxa de condenação dos agressores processados, um estudo publicado em 2009 por Sérgio Adorno, do Núcleo de Estudos de Violência da USP, e por Wânia Pasinato, do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, mostra que apenas 36,4% dos boletins de ocorrência de casos de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> são convertidos em inquérito policial, mesmo quando se conhece o autor do delito. Outra investigação publicada em 2007 pela pesquisadora Joana Vargas, do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ, mostra que apenas 9% dos casos reportados de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> na cidade de Campinas (SP) resultaram em condenação.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Respostas para essa impunidade podem estar na maneira como a sociedade e o poder judiciário olham para as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">. Em sua tese de doutorado, a pesquisadora da USP Daniella Coulouris ressalta que, por normalmente contar com poucas provas materiais e testemunhas, o julgamento de casos de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> está essencialmente calcado nos depoimentos das vítimas. Além de contornar a dor que supõe recordar, detalhar e expor a violência sofrida, o testemunho das</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> tem de superar a inerente e histórica desconfiança com a qual se aceita a palavra feminina. "Essa questão demonstra que um julgamento de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> é especialmente desfavorável às vítimas, porque a doutrina, a jurisprudência e os juízes presumem o consentimento por parte da mulher adulta, cabendo à vítima provar o contrário", afirma a pesquisadora na tese.</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">Esse exemplo expõe as camadas mais profundas do problema: para acabar com a violência contra a mulher, é necessário alcançar a estrutura patriarcal milenar que organiza as sociedades e que se sobrepõe a qualquer fronteira geográfica e econômica. Segundo Nalu Faria, da coordenação nacional da Marcha Mundial das</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, esse patriarcado se manifesta de maneira singular e ambígua no País. "O Brasil é teoricamente livre do ponto de vista da sexualidade, mas se utiliza dessa liberdade para desqualificar e culpar as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">", diz. "Não temos de andar cobertas por um véu nem somos proibidas de dirigir, mas seguimos sujeitas a uma ideia de inferioridade que molda a maneira como as pessoas tratam as</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">." Luiza Eluf, procuradora aposentada do Ministério Público, afirma que o Brasil vive imerso em uma cultura de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">, que envolve o desrespeito à mulher em todos os âmbitos de sua vida. "Ela é estuprada emocionalmente, intelectualmente, culturalmente todos os dias. Essa é a regra", diz. Para ela, a situação da opressão no Brasil é um "vexame internacional", especialmente por explicitar a negligência com que as delegacias lidam com os casos de violência contra a mulher. </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">A divulgação, no último ano, de outros casos de</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">estupro</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> especialmente cruéis envolvendo mais de dois agressores, aponta para um recrudescimento da violência machista. Em fevereiro de 2012, na pequena cidade paraibana de Queimadas, cinco</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">mulheres</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> foram estupradas durante uma festa de aniversário e duas delas acabaram assassinadas por reconhecerem seus algozes. Os nove suspeitos (três deles menores de idade) foram condenados. Poucos meses depois, duas adolescentes de 16 anos foram estupradas por nove integrantes da banda de pagode New Hit, na cidade baiana de Ruy Barbosa. O episódio, que tem mobilizado os principais movimentos</FONT><B> <FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial">feministas</FONT></B><FONT COLOR="#000000" SIZE=1 FACE="Arial"> brasileiros, deve ser julgado em setembro. A procuradora Marisa Marinho, responsável pelo caso, espera que os agressores recebam pena mínima de dez anos. "Entendemos, contudo, que não há dinheiro, valor pecuniário, que apague as lembranças da noite de terror e violência sexual vivida pelas duas jovens, que borre as dores, os traumas e as perdas experimentadas por elas e suas famílias", afirma."Nenhuma indenização, por mais vultosa que seja, devolverá às adolescentes a vida que tinham antes."</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT COLOR="#003666" SIZE=1 FACE="Arial">Ficha técnica</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=1 FACE="Arial">Pág.: 67 Tam.: 256cm Editoria: COMPORTAMENTO Data: 06/04/2013 22:16</FONT><B></B><BR>
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<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">Nilza Scotti</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">Assessora de Imprensa</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">Assessoria de Comunicação Social</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">Secretaria de Políticas para as Mulheres Presidência da República</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">(61)3411.4229</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><B></B><A HREF="mailto:nilza.scotti@spmulheres.gov.br"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=2 FACE="Arial">nilza.scotti@spmulheres.gov.br</FONT></U><B></B></A><B></B></P>
<P ALIGN=LEFT><B></B><A HREF="http://www.spm.gov.br"><B></B><U></U><U><FONT COLOR="#0000FF" SIZE=2 FACE="Arial">www.spm.gov.br</FONT></U><B></B></A><B></B><FONT SIZE=2 FACE="Arial"> </FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">facebook.com/spmulheres</FONT></P>
<P ALIGN=LEFT><FONT SIZE=2 FACE="Arial">twitter.com/spmulheres</FONT><B></B></P>
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