<div dir="ltr"><span style="color:rgb(51,51,51);font-family:'lucida grande',tahoma,verdana,arial,sans-serif;font-size:13px;line-height:17px">Na sexta feira, dia 17/05, falei na rádio CBN Rio sobre o aumento dos registros de estupro na polícia civil e comentei sobre o artigo recentemente publicado que ressuscita o argumento de que o estupro pode ser evitado pelas mulheres, se elas usarem roupas mais decentes, provocarem menos os homens, etc... Homens não são bestas-feras, que se rendem aos instintos animais, e mulheres não são culpadas pelos estupros que sofrem! Quem quiser ouvir é só ir no site da CBN. </span><br>
<div class="gmail_quote"><div dir="ltr">
<a href="http://cbn.globoradio.globo.com/cbn-rj/cbn-rj/2013/05/17/OUTROS-TIPOS-DE-VIOLENCIA-SEXUAL-PASSARAM-A-SER-CLASSIFICADOS-COMO-ESTUPRO-O-QUE-CONTRI.htm" rel="nofollow nofollow" style="color:rgb(59,89,152);text-decoration:none;font-family:'lucida grande',tahoma,verdana,arial,sans-serif;font-size:13px;line-height:17px" target="_blank">http://<span style="display:inline-block"></span>cbn.globoradio.globo.com/<span style="display:inline-block"></span>cbn-rj/cbn-rj/2013/05/17/<span style="display:inline-block"></span>OUTROS-TIPOS-DE-VIOLENCIA-SEXUA<span style="display:inline-block"></span>L-PASSARAM-A-SER-CLASSIFICADOS<span style="display:inline-block"></span>-COMO-ESTUPRO-O-QUE-CONTRI.htm</a><br>
<div><br></div><div>Abaixo, a transcrição quase literal da entrevista. </div><div>Abraços,</div><div>Adriana Mota</div><div style>Gestora do Pacto</div><div style>SPMulheres-RJ</div><div style>SEASDH</div><div><br></div>
<div><blockquote type="cite" style="font-family:arial,sans-serif;font-size:13.333333969116211px">
<blockquote type="cite"><div class="gmail_quote"><div class="gmail_quote"><div><div><b>- Em cinco anos, número de estupros no Estado do Rio quase dobra / Vítimas estão com mais coragem para denunciar, avalia gestora da subsecretária estadual de Políticas para Mulheres -</b> Após repercutir mais um caso de estupro, desta vez, na noite de quinta-feira, em Nova Iguaçu, a CBN informou que o número de casos do crime quase dobrou em cinco anos, no Estado do Rio, segundo dados do ISP. Em 2013, já foram 509 casos de violência sexual. Em 2008, foram 257. A PCivil alega que, atualmente, as pessoas têm mais coragem de denunciar, o que vem aumentando o número de registros. A reportagem lembrou que os dados da polícia não cruzam com o sistema de saúde. O número de estupros pode ser ainda maior. Em nota, a diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher, Márcia Noeli, afirmou que o número de estupros aumentaram porque o Código Penal sofreu alteração em 2009. Os casos que eram registrados, anteriormente como atentado violento ao pudor são agora registrados como estupro. Os abusos sexuais sofridos por menores de 14 anos podem ser registrados por qualquer pessoa, que tenha a informação do fato. Anteriormente, apenas o representante legal da vítima poderia registrar. Ainda segundo a delegada, através de divulgação de informações da PCivil, a sociedade está mais confiante no trabalho da polícia e por isso tem buscado a instituição para registrar as ocorrências. A polícia ainda ressalta que todos os casos de estupro têm sido resolvidos e os criminosos foram presos.</div>
<div>Em seguida, os apresentadores Octávio Guedes e Lilian Ribeiro conversaram com a gestora do Pacto de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, da subsecretária estadual de Políticas para Mulheres, Adriana Mota.</div>
<div><br></div><div><b>>> Octávio Guedes: Como a Secretaria está vendo esse aumento do número de casos de violência contra as mulheres?</b></div></div><div><b>Adriana Mota:</b> Com relação ao estupro, é importante dizer que houve uma mudança na legislação e os dados agrupados pela segurança pública, atualmente, fazem com que os crimes denunciados aumentem. Antes, a gente podia denunciar atentado violento ao pudor, estupro e outras violências sexuais. Hoje, tudo é enquadrado como estupro. Além disso, temos visto, na imprensa, uma série de casos que vêm sendo denunciados pelas mulheres. Acredito que exista hoje uma maior confiança para poder fazer a denúncia, uma maior segurança das mulheres reconhecerem os acusados - como ocorreram nos últimos casos. A imprensa tem mostrado os retratos, fotografias e isso causa impacto para que outras mulheres denunciem. </div>
<div><div>Não é possível ainda afirmar se há um aumento no número de casos ou se há aumento das denúncias. Temos percebido que, nos casos denunciados, não há apenas uma única vítima. Na sequência, surgem outras vítimas para denunciarem o mesmo agressor. As vítimas têm tido mais coragem.</div>
<div><br></div><div><b>>> Octávio Guedes: Como a Secretaria está vendo o aparato do Estado para estas mulheres? Está satisfatório?</b></div></div><div><b>Adriana Mota: </b>O aparato ainda precisa melhorar. Temos visto, em alguns casos, uma demora para fazer os exames periciais. A gente sabe que nem sempre as mulheres vão conseguir chegar nos locais de denúncias e serem, imediatamente, acolhidas e atendidas de forma humanizada. Tanto o governo federal quanto o *Governo do Estado* vêm se preocupando com isso. Recentemente, a presidente Dilma lançou um decreto para tratar especificamente do atendimento a mulheres que sofrem violência sexual e precisam fazer exames e para que a perícia seja feita nos hospitais. A perícia só é feita no IML, que é uma unidade vinculada à segurança pública e não à saúde. Se a gente puder fazer com que profissionais da saúde sejam capacitados também para fazer perícia médica, vamos avançar. Hoje, o número de peritos é menor do que o número de médicos no Estado. Tudo isso depende de capacitação ainda e está sendo acordado. Por outro lado, precisamos também continuar investindo - como vem sendo feito - na qualificação dessas equipes.</div>
<div><div><br></div><div><b>>> Octávio Guedes: Então, tem que melhorar a questão da perícia e não ser no IML, mas no local do registro de ocorrência?</b></div><div><b>Adriana Mota:</b> Em alguma unidade de saúde que tenha profissional de saúde médica que possa fazer essa perícia. Porque o exame, geralmente, pode ser feito por um médico que não é perito. </div>
<div> </div></div><div><b>>> Octávio Guedes: Muitos dizem que esse exame é uma segunda violência, que é constrangedor, mas tem que fazer, não é?</b></div><div><div><b>Adriana Mota:</b> Sem coleta de prova você não consegue acessar banco de DNA, não consegue ter material para confirmar a agressão.</div>
<div><br></div></div><div><b>>> Lilian Ribeiro: Em um artigo, a Danuza Leão fala sobre as roupas que as mulheres utilizam e um tipo de sedução acaba estimulando esse os casos de abuso. Ainda existe essa cultura da mulher ser culpada pelo próprio abuso sofrido?</b></div>
<div><b>Adriana Mota:</b> Sim. Essa cultura faz parte do machismo, do patriarcalismo Como cultura, homens e mulheres, estamos sujeitos a esse tipo de pensamento. Não li o artigo e não posso comentar, mas sei que muitas pessoas têm esse pensamento. A única coisa que posso afirmar, com toda certeza, que só existe uma pessoa que pode evitar o estupro: o estuprador. Não nos cabe julgar a vítima pela roupa, pelo horário em que ela estava na rua, pela situação socioeconômica, pelas características físicas. Isso é leviandade. A gente tem que encarar o estupro como um dos crimes que mais exacerba o machismo e o sexismo contra as mulheres. É importante a gente refletir bastante antes de emitir essa opinião, porque isso pode gerar mais impunidade. Não é o papel de uma formadora de opinião.</div>
</div></div></blockquote></blockquote></div></div>
</div><br></div>