<div dir="ltr"><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:black;font-size:7.5pt">Matéria publicada no jornal O Popular deste
domingo, 02 de fevereiro de 2014</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:rgb(153,51,0)">Violência doméstica</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Trabalho realizado pela Semira tem mostrado o perfil das mulheres
da zona rural do Estado</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:black">Malu Longo</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Os ônibus pintados de lilás e equipados com consultórios
independentes para atendimento jurídico, psicológico e de assistência social,
fazem parte da frota de 54 unidades que a Secretaria de Políticas para Mulheres
(SPM), da Presidência da República, começou a doar em agosto do ano passado
para todas as unidades da Federação como parte do programa Mulher, Viver sem
Violência. Goiás foi o segundo Estado a receber as Unidades Móveis.<span> </span>“Depois que as unidades chegaram começamos a
construir as nossas diretrizes de acordo com a realidade local”, explica Renata
Estrela. E reside nessa realidade o medo da exposição.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Em cerca de 15 localidades por onde já passou o ônibus
lilás da Semira as reações são idênticas. “Elas são curiosas, mas quando ficam
sabendo do que se trata, temem serem vistas por alguém conhecido que pode
contar para o marido”, conta a coordenadora do trabalho. Uma das estratégias é
divulgar o trabalho da equipe e a Lei Maria da Penha. “Estamos plantando
sementes para, num futuro próximo, receber manifestações espontâneas”. As rodas
de conversa, na parte externa do ônibus, é um canal revelador.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">A submissão, o papel de protagonista do marido, o medo de
represália, o estigma da mulher separada. Por trás dessas situações
aparentemente cotidianas no meio rural estão mulheres de alma ferida.
“Impressiona a quantidade de relatos de violência física por maridos que usam
álcool ou drogas. Muitas mulheres apanham dos maridos na frente dos filhos.
Elas têm vergonha de falar e acreditam que tudo será solucionado”, conta Luiz
Henrique de Paula Machado, assessor jurídico da equipe.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Titular da Semira, Gláucia Maria Teodoro dos Reis, lembra
que não apenas a agressão física deve ser entendida como violência doméstica,
especialmente na zona rural. “As mulheres do campo enfrentam a violência
sexual, moral e patrimonial, já que trabalham muito e não recebem nada”, diz.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:black">Relatos</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
<font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:black">Algumas histórias reais de dor e violência</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Numa roda de conversa uma mulher contou que foi estuprada
por um vizinho de fazenda, mas na época teve vergonha de contar. Quando
procurou ajuda, disseram que ela tinha seduzido o homem. O estupro, segundo
essas pessoas, teria ocorrido em decorrência do comportamento dela. Ela só
revelou o fato diante de outras mulheres e dos profissionais da Semira.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Uma mulher, prestes a completar 50 anos de casada,
abandonou a propriedade rural onde vivia com o marido somente com a roupa do
corpo. Foi como se fosse do outro lado da cerca para voltar em seguida. Cansada
da violência do marido buscou ajuda de conhecidos em São Paulo. Soube depois
que foi procurada e ameaçada, por isso não voltou mais. Foram sete anos longe
de casa até que soube que o pai de seus filhos tinha sofrido um AVC. Ela voltou
e cuidou do antigo companheiro até a sua morte.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Um assentamento rural em Goiás foi a opção escolhida por
uma mulher ainda jovem que deixou Salvador (BA) fugindo da violência do marido.
Num surto raivoso, ele a derrubou e usou uma grande pedra para atingi­-la na
cabeça. Ela se salvou e fugiu. Morre de saudades da família, mas teme o retorno
por causa das ameaças do antigo companheiro.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><i><span style="color:black">Fonte: Semira</span></i><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><b><span style="color:black">Programas buscam criar rede</span></b><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Lançado em 2007 pela Presidência da República, o Pacto
Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher buscava criar uma rede
de serviços de acolhimento e atendimento à mulher agredida e de divulgação do
instrumento legal, a Lei Maria da Penha. Nele estão inseridos o Ligue 180 –
Central de Atendimento à Mulher; a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de
Violência e o Programa Mulher, Viver sem Violência. Em Goiás, a pesquisa do
Programa Interdisciplinar da Mulher – Estudos e Pesquisas (Pinep) da Pontifícia
Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) mostra que os municípios que aderiram
ao pacto não têm feito a contento o dever de casa.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Os ônibus lilás que começam a chegar nas zonas rurais é
mais uma tentativa de ampliar esses serviços, através da mobilidade.</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p><font color="#000000" size="3" face="Times New Roman">
</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><span style="color:black"><font size="3"><font face="Times New Roman">O Popular:<span> </span></font></font></span><a href="http://www.opopular.com.br/busca/busca-7.218528?filterByDate=true&pbdate=20140102&inputTemplate=&subject=&q=alma+ferida+da+mulher+do+campo" target="_blank"><font color="#0000ff" size="3" face="Times New Roman">http://www.opopular.com.br/busca/busca-7.218528?filterByDate=true&pbdate=20140102&inputTemplate=&subject=&q=alma+ferida+da+mulher+do+campo</font></a><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Fonte: O Popular</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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</font><p style="background:white;margin:1em 0cm;text-align:justify"><font size="3"><font face="Times New Roman"><span style="color:black">Foto: Sebastião Nogueira</span><span style="color:black;font-family:"Calibri","sans-serif""></span></font></font></p>
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