Compas, para inaugurarmos os debates políticos desta lista, envio dois textos veiculados nos últimos dias de novembro sobre a crise internacional e o modelo de desenvolvimento brasileiro. <br><br><font size="6">1</font><br>
<br><table class="contentpaneopen"><tbody><tr><td class="contentheading" width="100%">Para onde vai o capitalismo?<br>Publicado originalmente em: <a href="http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6574%3Amanchete301111&catid=72%3Aimagens-rolantes&">http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6574%3Amanchete301111&catid=72%3Aimagens-rolantes&</a><br>
</td>
                                
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                                        </tr>
</tbody></table>
<table class="contentpaneopen">
<tbody><tr>
        <td valign="top">
                <span class="small">
                        Escrito por Wladimir Pomar                </span>
                
        </td>
</tr>
<tr>
        <td class="createdate" valign="top">
                Quarta, 30 de Novembro de 2011        </td>
</tr>
<tr>
<td valign="top">
<p> </p>
<p>A atual crise econômica e financeira mundial tem de positivo o fato
de que está suscitando debates, há muito amortecidos, sobre a gravidade e
a profundidade das crises do capital. O mundo de paz e prosperidade,
prometido pela propaganda neoliberal, especialmente após o colapso da
União Soviética e do socialismo do leste europeu, está se transformando
rapidamente não só num mundo hipócrita e perigoso, como acentuamos em
comentário anterior, mas também de desemprego, pobreza e desesperança
nos países que antes se arrogavam os centros desenvolvidos e ricos do
planeta.</p>
<p> </p>
<p>Nessas condições é natural que ressurjam, com ênfase cada vez maior,
perguntas sobre os caminhos reais do capitalismo. Afinal, qual a
natureza da presente crise e para onde vai esse modo de produção que se
proclamava eterno? Muitas pessoas se perguntam se a crise atual é igual à
de 1929, ou tem algo de diferente. Outras acham que estamos diante de
uma crise terminal, e que os países imperiais, ou imperialistas,
buscarão nas guerras a saída para suas dificuldades estruturais. E,
paradoxalmente, também existem aquelas pessoas que consideram a China a
responsável por tudo que está acontecendo.</p>
<p> </p>
<p>A crise atual tem semelhança com a de 1929, na medida em que seu
epicentro está localizado nos Estados Unidos. O Japão já sofrera as
conseqüências dos problemas norte-americanos desde antes, mas só agora
suas ondas de choque estão abalando a Europa, embora muita gente não
acreditasse que isso ocorreria. Fora isso, sua natureza é diferente. A
crise atual, embora tenha muitas características de superprodução, tem
por base a transformação da ciência e tecnologia nas principais forças
produtivas, e dos capitalismos monopolistas nacionais, ainda comuns nos
anos 1920 a 1960, num capitalismo corporativo transnacional.</p>
<p> </p>
<p>As corporações transnacionais, embora ainda mantenham matrizes em
seus países de origem, transferiram suas plantas de fabricação para
outros países, às vezes mantendo nos Estados Unidos e na União Européia
apenas unidades de montagem. Ainda mais sério é que possuam uma ação
global, que as torna independentes de suas nações.</p>
<p> </p>
<p>Nos anos 1980, suas unidades de projetos, e de pesquisa e
desenvolvimento, também eram conservadas em território dos países
centrais. Porém, nos anos posteriores, até mesmo essas unidades
“cerebrais” foram realocadas rumo a países que ofereciam melhores
condições para elevar as margens de rentabilidade.</p>
<p> </p>
<p>Paralelamente, todas as corporações transnacionais incorporaram novos
braços comerciais e financeiros, os primeiros para impor preços
internacionais administrados a seus produtos, e os segundos para
ingressar na jogatina da especulação financeira, na ânsia de elevar seus
lucros através da criação de dinheiro fictício, sem base real na
riqueza material. O chamado mercado mundial, onde se daria a competição,
se transformou momentaneamente numa ficção.</p>
<p> </p>
<p>Essas mudanças estruturais no capitalismo desenvolvido causaram
modificações importantes no ritmo de crescimento dos produtos internos
brutos. Os países desenvolvidos reduziram seu ritmo, enquanto vários dos
países da periferia capitalista os elevaram substancialmente, em
especial a China. Enquanto parte do produto interno bruto dos países da
periferia era transferido para os países centrais, estes ainda podiam
manter mecanismos de estímulo aos padrões de consumo interno.</p>
<p> </p>
<p>No entanto, à medida que os países periféricos adotaram medidas para
elevar seu produto nacional bruto, reduzindo aquelas possibilidades de
altas transferência de rendas, e em que a ciranda financeira atingiu
patamares hoje considerados irresponsáveis, as corporações
transnacionais viram-se diante do retorno de parte da competição do
mercado e viram-se obrigadas a adotar medidas para manter sua
lucratividade, fazendo isso às custas dos seus Estados nacionais.</p>
<p> </p>
<p>Nessas condições, as corporações transnacionais transferiram, pelo
menos momentaneamente, a tendência de crise de realização do capital
para os Estados nacionais, transformando-a em crise fiscal. Isto é o que
explica, pelo menos em parte, o fato de que os Estados centrais vivem
uma crise sem solução aparente, enquanto suas corporações transnacionais
parecem demonstrar grande vigor, porque ainda retiram sua rentabilidade
dos diversos países em que se realocaram.</p>
<p> </p>
<p>As duas tendências principais, decorrentes dessas mudanças, residem
no declínio lento e extremamente perigoso da hegemonia norte-americana e
de seus parceiros europeus, e da ascensão não só dos BRIC, mas também
de diversos outros países emergentes. Há, portanto, um paradoxo em que o
capitalismo entra em declínio nos países centrais, todos eles tendendo a
se transformar numa Inglaterra pós-final do colonialismo, e o
desenvolvimento do capitalismo no resto do mundo, com a participação
direta das corporações transnacionais.</p>
<p> </p>
<p>Assim, a não ser que ocorram revoluções sociais nos países centrais,
que os transformem em países socialistas de transição para um novo modo
de produção, o capitalismo ainda possui o resto do campo planetário para
desenvolver-se, antes de esgotar todas as suas possibilidades de
reprodução. Não se deve, pois, pensar que esta seja uma crise terminal.</p>
<p> </p>
<p>É lógico que a hipótese de guerras também continua presente. Por
outro lado, quanto mais os Estados Unidos e os países centrais europeus e
o Japão investirem recursos públicos em armas, para tentar fazer com
que seus complexos industriais bélicos reergam suas economias, mais
profundas se tornarão as crises fiscais de seus Estados. A experiência
recente tem mostrado que, ao contrário do passado, as guerras deixaram
de ser produtoras de riquezas das grandes potências industriais e se
transformaram em dilapidadoras da riqueza acumulada. Nada muito
diferente do que ocorreu com o Império Romano a partir de determinado
momento de sua história.</p>
<p> </p>
<p>Quanto ao papel da China nessa situação complexa, fica para a próxima semana.</p>
<p> </p>
<p><strong>Wladimir Pomar é escritor e analista político. </strong></p></td>
</tr>
<tr>
        <td class="modifydate">
                Última atualização em Sexta, 02 de Dezembro de 2011        </td>
</tr>
</tbody></table>
<span class="article_separator"> </span>
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</form><br><font size="6">2</font><br><br><br><h1 class="documentFirstHeading">A miséria do "novo desenvolvimentismo"
</h1>
                
                                 
        
        
                                        
                                        
                                        <table summary="detalhe notícia"><tbody><tr class="clipping-generico">
         <td>Autor(es): José Luís Fiori </td>
         </tr>
                                        <tr class="clipping-generico">
         <td>Publicado no Valor Econômico - 30/11/2011</td>
         </tr>
                                        <tr>                        
                                                <td> Disponível em: <a href="http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/30/a-miseria-do-novo-desenvolvimentismo">http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/30/a-miseria-do-novo-desenvolvimentismo</a><br>
</td>
                                        </tr>
         <tr>
         <td><div style="text-align: justify;"><br>
<p>O capitalismo só triunfa quando se identifica com o estado, quando é
o estado". Fernand Braudel, "O Tempo do Mundo", Editora Martins
Fontes, SP, p: 34.</p>
<p>O "debate desenvolvimentista" latino-americano não teria nenhuma
especificidade se tivesse se reduzido à uma discussão macroeconômica
entre "ortodoxos", neo-clássicos ou liberais, e "heterodoxos",
keynesianos ou estruturalistas. Na verdade, ele não teria existido se
não fosse por causa do Estado, e da discussão sobre a eficácia ou não
da intervenção estatal para acelerar o crescimento econômico, por cima
das "leis do mercado". Até porque, na América Latina como na Ásia, os
governos desenvolvimentistas sempre utilizaram políticas ortodoxas,
segundo a ocasião e as circunstâncias, e o inverso também se pode dizer
de muitos governos europeus ou norte-americanos ultra-liberais ou
conservadores que utilizaram em muitos casos, políticas econômicas de
corte keynesiano ou heterodoxo. O pivô de toda a discussão e o grande
pomo da discórdia sempre foi o Estado e a definição do seu papel no
processo do desenvolvimento econômico.</p>
<p>Apesar disto, depois de mais de meio século de discussão, o balanço
teórico é decepcionante. De uma forma ou outra a "questão do Estado"
sempre esteve presente, nos dois lados desta disputa, que acabou sendo
mais ideológica do que teórica. Mas o seu conceito foi sempre
impreciso, atemporal e ahistórico, uma espécie de "ente" lógico e
funcional criado intelectualmente para resolver problemas de
crescimento ou de regulação econômica. Desenvolvimentistas e liberais
sempre compartilharam a crença no poder demiúrgico do Estado, como
criador ou destruidor da boa ordem econômica, mas atuando em todos os
casos, como um agente externo à atividade econômica.</p>
<p>Um agente racional, funcional e homogêneo, capaz de construir
instituições e formular planos de curto e longo prazo orientados por
uma idealização do modelo dos "capitalismos tardios" ou do estado e
desenvolvimento anglo-saxão. E todos olhavam negativamente para os
processos de monopolização e de associação do poder com o capital, que
eram vistos como desvios graves de um "tipo ideal" de mercado
competitivo que estava por trás da visão teórico dos
desenvolvimentistas tanto quanto dos liberais. Além disso, todos
trataram os Estados latino-americanos como se fossem iguais e não
fizessem parte de um sistema regional e internacional único, desigual,
hierarquizado, competitivo e em permanente processo de transformação. E
mesmo quando os desenvolvimentistas falaram de Estados centrais e
periféricos, e de Estados dependentes, falavam sobretudo de sistema
econômico mundial que tinha um formato bipolar relativamente estático,
onde as lutas de poder entre os Estados e as nações ocupavam um lugar
bastante secundário.</p>
<p>No fim do século XX, a agenda neoliberal reforçou um viés da
discussão que já vinha crescendo desde o período desenvolvimentista: o
deslocamento do debate para o campo da macroeconomia. Como volta a
acontecer com o chamado "neo-desenvolvimentismo" que se propõe inovar e
construir uma terceira via (uma vez mais), "entre o populismo e a
ortodoxia". Como se tratasse de uma gangorra que ora aponta para o
fortalecimento do mercado, ora para o fortalecimento do Estado.</p>
<p>Na prática, o "neo-desenvolvimentista" acaba repetindo os mesmos
erros teóricos do passado e propondo um conjunto de medidas ainda mais
vagas e gelatinosas do que já havia sido a ideologia
nacional-desenvolvimentista dos anos 50. Passado a limpo, trata-se de
um pastiche de propostas macroeconômicas absolutamente ecléticas, e que
se propõem fortalecer, simultaneamente, o Estado e o mercado; a
centralização e a descentralização; a concorrência e os grandes
"campeões nacionais"; o público e o privado; a política industrial e a
abertura; e uma política fiscal e monetária, que seja ao mesmo tempo
ativa e austera. E finalmente, com relação ao papel do estado, o
"neo-desenvolvimentismo" propõe que ele seja recuperado e fortalecido
mas não esclarece em nome de quem, para quem e para quê, deixando de
lado a questão central do poder, e dos interesses contraditórios das
classes e das nações.</p>
<p>Neste sentido, fica ainda mais claro que o desenvolvimentismo
latino-americano sempre teve um parentesco maior com o keynesianismo e
com "economia do desenvolvimento" anglo-saxônica, do que com o
nacionalismo econômico e o anti-imperialismo, que são a mola mestra do
desenvolvimento asiático. E que, além disto, os desenvolvimentistas
latino-americanos sempre compartilharam com os liberais a concepção
econômica do Estado do paradigma comum da economia política clássica,
marxista e neo-clássica. Esse paradoxo explica, aliás, a facilidade
teórica com que se pode passar de um lado para o outro, dentro do
paradigma líbero-desenvolvimentista, sem que de fato se tenha saído do
mesmo lugar..</p>
<p>José Luís Fiori é professor titular do Programa de Pós-Graduação em
Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro "O Poder
Global", da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às
quartas-feiras.</p>
</div></td></tr></tbody></table><br>-- <br><font style="color: rgb(67, 67, 67);" size="2"><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;"><span style="font-weight: bold;">Marcel Franco Araújo Farah<br>Rede de Educação Cidadã<br>
</span></span><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-style: italic; font-weight: bold;"></span><b></b><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-style: italic; font-weight: bold;">61-82237319, 61-96067450 ou 61-34113890</span></font><br>