Re: [Conselhosmulherbr] Assédio nos transportes - o que se faz alhures

Antonia Salgado antoniasalgado2000 em yahoo.com.br
Segunda Julho 20 23:27:02 BRT 2015


Obrigada Raquel p/  informação 

abç
Antonia Salgado
(91)8189-1020

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Em seg, 20/7/15, Rachel Moreno <rachelmoreno369 em gmail.com> escreveu:

 Assunto: [Conselhosmulherbr] Assédio nos transportes - o que se faz alhures
 Para: Conselhosmulherbr em listas.planalto.gov.br
 Data: Segunda-feira, 20 de Julho de 2015, 23:10
 
 20/07/2015 - Copyleft             França cria plano de
 ação para combater assédio sexual contra mulheres no
 transporte público                
 Pesquisa constatou que 100% das usuárias já foram
 assediadas dentro de metrôs e ônibus; medidas serão
 aplicadas em território nacional a partir de outubro       
  
                  
  
 
                       0         
           
             
          A         
                  A+ 
               Amanda Lourenço - Opera
 Mundi                  “Eu estava no metrô voltando da
 piscina quando um homem de uns 30 anos começou a me olhar
 fixamente. Eu tenho 20 anos e estava usando um vestido até
 o joelho, nem estava com maquiagem. Ele tinha o olhar meio
 perverso. Quando levantei pra descer, ele pegou na minha
 mão e sussurrou que eu era linda. Fiquei irritada e falei
 pra ele não me tocar porque ele nem me conhecia. Saí do
 metrô e ele continuou me encarando. Meus amigos disseram
 pra eu me acalmar, mas eu fiquei irritada — nós mulheres
 não podemos andar na rua tranquilamente?”.
  
 Depoimentos como este da estudante Clo, moradora de Lyon,
 leste da França, são comuns. Uma pesquisa feita pelo
 órgão francês HCEfh (Alto Conselho de Igualdade entre
 mulheres e homens) entrevistou 600 mulheres na região
 parisiense e concluiu que 100% das usuárias de transporte
 público já foram vítimas de assédio sexual dentro dos
 metrôs e ônibus do país, um “fenômeno amplamente
 minimizado ou normalizado”, segundo o documento.
  
 Diante destas conclusões, o governo francês anunciou um
 plano nacional de luta contra este tipo de agressão que
 deve ser implementado até o fim do ano. As medidas são
 divididas em três partes: prevenção, com campanhas para
 conscientizar o público para o problema; reação, através
 de serviços de alerta eficientes; e sensibilização, com
 profissionais capacitados para lidar com o problema em um
 ambiente não sexista.
  
 Entre as medidas, resumidas em 12 pontos, está a
 determinação de banir propagandas que objetifiquem as
 mulheres nos transportes públicos, pois as peças “criam
 um ambiente hostil para as usuárias”, segundo o próprio
 governo. Um exemplo citado pela secretária de Estado dos
 Direitos das Mulheres, Pascale Boistard, foi a recente
 propaganda da tradicional loja de departamento Galeries
 Lafayette, na qual aparece uma mulher deitada nua com um
 biquíni pendurado no pé. “Não é uma questão moral,
 mas de respeito. Não dá pra vender biquínis sem sequer
 colocar o biquíni sobre a mulher, por exemplo”, disse a
 secretária em um programa de televisão. A seleção das
 propagandas não sexistas será feita pelas próprias
 empresas de transporte, mas os critérios ainda não foram
 divulgados.
  
 As empresas responsáveis também disponibilizarão um
 número de telefone de urgência para que vítimas e
 testemunhas possam denunciar agressões sexuais
 imediatamente. Será criado também um alerta por SMS —
 dependendo da situação, a discrição da mensagem de texto
 é mais apropriada, para não chamar atenção. A campanha
 também pretende lembrar as punições para cada tipo de
 agressão: exibição de partes íntimas pode custar até 15
 mil euros (aproximadamente R$ 50 mil) e um ano de prisão ao
 agressor. Já a pena por xingar uma mulher em público
 porque ela não quis conversa será 22 mil euros (cerca de
 R$ 76 mil) e seis meses de prisão.
  
 As primeiras medidas devem ser colocadas em prática a
 partir de outubro. Clo afirma estar satisfeita com a
 iniciativa. “Acho ótimo que eles façam alguma coisa
 contra isso. Os homens que assediam assim na rua precisam
 entender que não têm esse direito. Se eu pudesse denunciar
 quando aconteceu comigo, não pensaria duas vezes”, contou
 ela a Opera Mundi.
  
 Conscientização
  
 O índice de 100% das usuárias de transportes públicos
 assediadas sexualmente nestes espaços provocou
 incredulidade em parte do público francês, mas
 associações feministas afirmam que o resultado não é
 nenhuma surpresa. Romain Sabathier, secretário-geral do
 HCEhf, explicou aOpera Mundi a metodologia da
 pesquisa: “Nosso estudo contabiliza agressões sexistas,
 sejam elas conscientes ou não. Algumas mulheres responderam
 ‘não’ quando perguntadas se já haviam sofrido
 assédio, mas logo depois disseram que sim quando
 especificamos os tipos de assédio, que vai desde um assovio
 inapropriado até uma mão na coxa ou pior”, diz. “A
 campanha já tem o mérito de tornar visível um fenômeno
 que até agora foi muito tolerado e extremamente
 minimizado”, conclui Sabathier.
 Associações feministas demonstraram satisfação com a
 preocupação do governo com o tema e reconheceram os pontos
 positivos da campanha, mas algumas apontaram lacunas, como a
 falta de um plano orçamentário detalhado, por exemplo.
 Também argumentaram que as medidas de segurança continuam
 apenas colocando a mulher em situação de vítima, enquanto
 o problema é mais profundo.
 Anne Favier faz parte da associação Stop Harcèlement de
 Rue (fim do assédio nas ruas, em tradução literal) e é
 bastante favorável à campanha: “Acho que tudo que faz
 avançar as mentalidades sobre o assédio é positivo.
 Lembrar aos homens que esse tipo de agressão é crime e
 pode ser punido por lei é importante”. Mas a ativista
 também tem algumas ressalvas quanto às medidas
 securitárias, que tendem a responsabilizar as mulheres pela
 própria segurança, aliviando, de certa forma, a culpa dos
 agressores. “Na cidade de Nantes vão experimentar a
 parada de ônibus fora do ponto à noite, mas a campanha
 foca apenas na vulnerabilidade das mulheres. Eles
 negligenciam que há outras pessoas, como os homossexuais ou
 idosos, que serão beneficiados”, afirma Favier.
  
 Iniciativas em outros países
 Na Bélgica, uma lei contra o sexismo em espaços públicos
 está completando um ano sem os resultados esperados. Na
 capital Bruxelas apenas 22 multas foram distribuídas, menos
 de duas por mês. Representantes da associação belga Vie
 Féminine não parecem surpresas: “As mulheres não veem
 vantagem em denunciar. O sexismo está tão banalizado na
 sociedade que elas não acham que valha a pena passar por
 todo o processo por tão pouco”, afirmou Ariane Estenne,
 porta-voz da Vie Féminine à imprensa local.
 A Argentina também está atenta ao problema — três
 projetos de leis foram apresentados contra o assédio sexual
 nas ruas neste ano. Um dos focos é justamente treinar
 os agentes de segurança para lidar com este tipo de
 denúncia, sem desestimular as mulheres durante o processo
 burocrático. A campanha francesa também espera
 sensibilizar a população para a importância de denunciar
 e pretende incentivar as testemunhas a tomar partido da
 vítima, seja denunciando o agressor diretamente ou
 demonstrando apoio à vítima para que ela perceba que não
 está sozinha.
 Outras soluções imediatistas, como a criação de vagões
 para mulheres, adotada em algumas cidades brasileiras, foram
 estudadas, porém descartadas. “Achamos que este método
 está ultrapassado, pois parte do princípio de que todas as
 mulheres são vítimas e todos os homens são agressores.
 Pior ainda: se uma mulher escolhe não usar um destes
 vagões, este ato poderia ser interpretado como um convite a
 uma agressão?”, questiona Sabathier.
 
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