Re: [Mulheresdepartidos] Considerações

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Terça Abril 20 00:47:51 BRT 2010


Olá Liège,
Está muito boa a sua sistematização, parabéns. Estou estudando a minha complementação...
Regina Perondi.PMDB Mulher

  Companheiras

  Na última reunião do Fórum, realizada em Brasília, no dia 08 de abril, fui indacada pelas presentes para  fazer uma síntese dos pontos debatidos e consensuados sobre o Documento "Cartilha de Formação Política para Mulheres de Partidos Políticos":

  1. Consideramos que o documento não é uma cartilha e apesar de já se ter levantado em reuniões anteriores sobre esta caracterização, a mesma continua sendo utilizada.
  2. No nosso entendimento este deveria ser um documento a ser apresentado aos partidos como contribuição para os cursos de capacitação destinados às mulheres, em cumprimento a determinação da mini reforma eleitoral sobre os 5% do Fundo Partidário.
  3. Na Unidade I, entendemos que o documento deveria abordar as várias concepções existentes sobre a opressão da mulher na sociedade. O documento apresenta apenas uma visão, não cumprindo assim ao objetivo a que se propõe, de estimular o debate e possibilitar o conhecimento sobre as várias correntes existentes no Brasil, que se refletem no próprio movimento feminista brasileiro, não se referindo sobre os debates classe, raça e genero, entao é texto parcial. A autora inclusive honestamente declara que explorou mais textos academicos, e mesmo assim direcionados a uma visão. 
  Para ser "cartilha"  deveria ser mais informativo o texto sobre diversidades de feminismos, contribuicao dos classicos em escritos sobre direitos das mulheres, e inclusive  mais provocativo sobre o por que as mulheres nao estarem no exercicio da politica.
  4. Na Unidade II, que enfoca "O que é gênero", a autora afirma que abordará "o enfoque do feminismo acadêmico.im em apresentar apenas uma visão da discussão, não fazendo a relação/interação com a questão de classe, raça e etnia.
  5. Na Unidade III - Breve história da trajetória da luta das mulheres no Brasil - apresenta interessante pesquisa, mas observamos algumas lacunas importantes. Ao citar as Conferências, não se refere a Conferência de Viena sobre os Direitos Humanos, onde a violência contra a mulher teve um destaque nos debates, resultando no reconhecimento desta violência como uma questão de direitos humanos. Ao falar do papel das mulheres na luta não se refere a; Movimento Feminino pela Anistia, Movimento Contra a Carestia (das Panelas Vazias)  e o Movimento por Creches, tres momentos importantes da participação política das mulheres, algumas das lideranças destes movimentos ingressaram no parlamento. 
  6. Na Unidade IV  - pensamos ser forte a afirmativa de que no tema do aborto "agenda praticamente intocada até hoje". Onde fica a Comissão Tripartite? E a mobiliação das mulheres em articulações nacionais?
     A Secretaria da Mulher criada por Fernando Henrique Cardoso não tinha o mesmo caráter da criada no Governo Lula - a SPM. A primeira não tinha status de Ministério e era liga da ao MJ. A SPM tem status de Ministério e é ligada à Presidência da República. E hoje já é Ministério.
  7. No Módulo II A Mulher na Política - Não se pode generalizar que nos partidos são os "caciques" que decidem as candidaturas das mulheres. Não se deve reforçar "a falta de ambição política das mulheres", que elas não querem buscar a reeleição....
  Se olharmos no quadro nacional muitas são as mulheres reeleitas!!!
  Lembramos que este documento vai para os partidos, devemos retratar a realidade, mas devemos jogar para cima o papel das mulheres na política e sua importância. 
  Não podemos reforçar a tese de que a mulher traz à politica qualidades que poderiam (nao é a autora que diz) ser interepretadas como femininas, como o cuidar, ser mais atenta ao local, à experiencias do cotidiano. Assim resvalamos para um principio  do essencialismo de genero, e nao sua realizacao hoje em uma sociedade de classe e racista, e discriminadora.
  O documento fala das cotas, mas em nenhum momento coloca a importância das sanções para o seu não cumprimento como fator decisivo na ampliação da participação das mulheres.
  8. No item que trata do partido político como instrumento de participação política enfoca com  prioridade a via parlamentar, mas a participação mais efetiva das mulheres nas lutas sociais, fica subrepresentada. E ao citar com mais amplitude experiências internacionais, faz afirmações "não há realização de políticas efetivas sendo implementadas", o que não é bem assim. Ou bem ou mal, as mulheres nos partidos vêm se movimentando para fazer avançar o processo e pensamos que o documento deva estimular a participação e não jogar para baixo. E as iniciativas com a discussão da reforma eleitoral e a conquista da mini reforma tem que ser implementadas.
  9. O segundo documento consideramos, também, muito extenso e com informações detalhadas demais e em alguns aspectos conjunturais, que não cumprem papel para um curso de capacitação continuado.

  Solilcito que as companheiras que estavam na reunião complementem a minha sistematização.

  Coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos.

  Saudações
  Liège Rocha
  Secretária Nacional da Mulher/PCdoB



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