[Pactonacional] ENC: Nº mulehres adolescentes sem trabalho e estudo é dobro dos rapazes
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Sexta Novembro 16 17:38:49 BRST 2012
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De: Nilza do Carmo Scotti
Enviada em: sexta-feira, 16 de novembro de 2012 09:42
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Nº mulehres adolescentes sem trabalho e estudo é dobro dos rapazes
Qualificação do profissional brasileiro (Artigo)
» FREI BETTOEscritor, é autor de Alfabetto %u2014 autobiografia escolar
(Ática), entre outros livros
Formato A4: PDF
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565451
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Veja pagina da matéria
<http://www.linearclipping.com.br/Capa/2012111653717.jpg
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Chamada de capa
Tomara que o Congresso aprove a aplicação de 10% do PIB na educação. É
pouco, mas bem melhor que os atuais 4,5%. Ainda não se descobriu outra via
para desenvolver uma nação, aumentar o seu Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH) e reduzir exclusão, miséria e violência, fora do investimento
significativo em educação de qualidade.
O contingente de pessoas que trabalham em nosso país chega a 92,5 milhões,
praticamente metade da população. Desses, 45,5% não têm carteira assinada ou
trabalham por conta própria. E somente 771.409 têm mestrado ou doutorado. Os
dados são do IBGE (Pnad 2011).
Apenas 12,5% dos que trabalham têm curso superior completo. Quase metade da
mão de obra ocupada concluiu o ensino médio: 46,8%. O que significa que
53,2% de nossos trabalhadores não têm sequer nível médio.
Nossas universidades abrigam, hoje, 6,6 milhões de estudantes (de um
contingente de 27,3 milhões de jovens entre 18 e 25 anos), 73,2% dos quais
em faculdades particulares. E há apenas 1,2 milhão de estudantes em cursos
técnicos.
Na Alemanha, quarta economia do mundo, a maioria dos alunos do ensino médio
(60%) se encontra em cursos técnicos. A educação é profissionalizante,
facilitada pela parceria entre escolas e empresas, onde os aprendizes fazem
estágios. Isso se reflete na economia do país. Em agosto, o desemprego entre
jovens alemães com menos de 25 anos atingia o índice de 8,1%. Nos demais
países da zona do euro, 22,8%.
A renda familiar está associada ao nível de ensino. No Brasil, quem possui
diploma universitário chega a ganhar 167% mais do que quem concluiu apenas o
ensino médio. Quem possui mestrado ou doutorado ganha, em média, 426% mais,
comparado a quem tem apenas ensino médio.
Não têm qualquer escolaridade ou frequentaram menos de 1 ano a escola 19,2
milhões de brasileiros. Em 2011, nossa média de escolaridade era de 7,3
anos. Para os que estão empregados, 8,4 anos de estudos.
Nos EUA, em 1960, haviam cursado o ensino médio 60% dos trabalhadores. Hoje,
o índice chega a 90%. Porém, há um dado alentador: o grupo brasileiro com 11
anos de escolaridade cresceu em 22 milhões de pessoas de 2001 a 2011.
Não sabem ler nem escrever 12,9 milhões de brasileiros com mais de 7 anos de
idade. E 20,4% da população acima de 15 anos são de analfabetos funcionais -
assinam o nome, mas são incapazes de redigir uma carta ou interpretar um
texto. Na população entre 15 e 64 anos, em cada três brasileiros apenas um
consegue interpretar um texto e fazer operações aritméticas elementares.
Em 2011, 22,6% das crianças de quatro a cinco anos estavam fora da escola.
E, abaixo dessas idades, 1,3 milhão não encontravam vagas em creches.
É animador constatar que 98,2% dos brasileiros entre 6 e 14 anos estudam.
Mas um dado é alarmante: dos 27,3 milhões de jovens brasileiros entre 18 e
25 anos, 5,3% se encontram fora da escola e sem trabalho.
Dos jovens entre 15 e 17 anos, 40% não frequentam a escola (FGV, 2009). Na
parcela mais pobre, com renda per capita mensal até R$ 77,75, quase a metade
se encontra fora da escola e do trabalho. De que vive essa gente? Por que
fora da escola?
É nesse contingente dos "nem nem" (nem estudo nem trabalho) que são maiores
os índices de criminalidade. Muitos abandonam a escola por desinteresse,
devido à falta de pedagogia, por não terem recursos financeiros, por
ingressarem no narcotráfico ou se tornarem dependentes químicos e também por
gravidez precoce. O número de moças (3,5 milhões) do grupo "nem nem" é quase
o dobro do número de rapazes (1,8 milhão). E 50% dessas moças já são mães.
Morei cinco anos na favela de Santa Maria, em Vitória. Constatei que as
adolescentes deixam de ser molestadas a partir do momento em que engravidam.
Moça solteira sem filho fica vulnerável ao assédio permanente, às vezes
violento. Muitas engravidam por falta de educação sexual e de orientação no
uso de contraceptivos.
Na economia globalizada é imprescindível falar inglês. Apenas 0,5% da
população brasileira domina o idioma de Shakespeare. A maioria, sem
fluência.
O Brasil enfrenta hoje - em plenas obras do PAC, da Copa e das Olimpíadas -
o deficit de 150 mil engenheiros. Apenas 10% dos universitários cursam
carreiras vinculadas às engenharias. Temos somente seis engenheiros para
cada mil pessoas economicamente ativas. Nos EUA e no Japão, a proporção é de
25/mil.
Falta no Brasil interação entre academia e empresa, teoria e prática. Nossos
universitários não têm suficiente conhecimento técnico. Em nosso país, o
professor é valorizado pelo número de pesquisas e publicações, não pela
experiência de trabalho. O mestre se apresenta como detentor do conhecimento
e não como facilitador do aprendizado.
O preconceito a Paulo Freire fortalece o anacronismo de nossas
universidades. E nossas empresas, que aspiram por mão de obra qualificada,
ainda não despertaram para o seu papel de indutoras da educação.
Ficha técnica
Pág.: A13 Tam.: 132cm Editoria: OPINIÃO Data: 16/11/2012
Nilza Scotti
Assessora de Imprensa
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