[Pactonacional] ENC: SPM mídia:artigo parlamentar com citação à SPM, Ligue 180 e Compromisso e Atitude

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Quarta Novembro 28 14:23:44 BRST 2012



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De: Isabel Clavelin 
Enviada em: terça-feira, 27 de novembro de 2012 09:42
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: SPM mídia:artigo parlamentar com citação à SPM, Ligue 180 e
Compromisso e Atitude 


Colegas,

segue artigo da deputada federal Marina Sant´Anna sobre o Dia da Não
Violência contra as Mulheres, publicado no jornal Diário da Manhã, com
citação à SPM, campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha e
Ligue 180.


DIÁRIO DA MANHÃ - GO | OPINIÃO 
SECRETARIA DE MULHERES | LEI MARIA DA PENHA | REFORMA ELEITORAL | OUTROS |
LIGUE 180 
25 de novembro: Dia da Não Violência contra a Mulher (Artigo)
Formato A4: PDF
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_notic
ia=4654911
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ia=4654911> > WEB
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=4
654911
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=4
654911> >
Chamada de capa
 (Marina Sant'Anna, deputada federal (PT-GO), titular da Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher do
Congresso Nacional e coordenadora do Grupo de Trabalho de Legislação desta
CPMI)
No momento em que se celebra o Dia Internacional da Não Violência Contra a
Mulher, vivemos uma contradição. O Brasil elegeu a primeira mulher
presidenta da República, Dilma Rousseff, mas mantém altos índices de
violência contra a mulher. Esse fenômeno encontra explicação na nossa
história e remete a soluções de curto, médio e longo prazos, do ponto de
vista das políticas públicas.
País de tradição patriarcal e patrimonialista, não diferente da absoluta
maioria dos países do mundo, o Brasil tem como uma das marcas de sua
história a vulnerabilização de segmentos. A escravidão institucionalizada
nunca libertou totalmente o povo negro do racismo. Idosos, pobres, índios,
homossexuais e mulheres historicamente foram e ainda hoje são vítimas de
preconceito.
Na luta de gênero, no campo pessoal, mesmo com avanços consideráveis dos
últimos anos, persistem a baixa autoestima das mulheres, a submissão, a
vitimização, a naturalização do trabalho doméstico como atributo
especificamente feminino e a quase sempre aceitação de um status de
inferioridade. Nos diversos espaços públicos (mercado de trabalho, educação,
saúde, meios de comunicação social, instâncias de poder e religiões, dentre
outros), as mulheres ainda são tratadas de forma discriminada e
estereotipada. As violências doméstica, sexual ou de gênero ainda são
legitimadas como 'normais' por considerável parcela da sociedade. 
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam a violência doméstica
como principal causa de lesões em mulheres de 15 a 44 anos no mundo, sendo
que 68,8% dos homicídios ocorrem dentro de casa e são praticados pelos
cônjuges. O quadro, no Brasil, também é alarmante. Segundo pesquisa
realizada pelo Ibope, solicitada pelo Instituto Patrícia Galvão, em 2006,
para 55% da população a violência é um dos três principais problemas que
atingem as mulheres e 51% dos entrevistados declararam conhecer ao menos uma
mulher que já foi agredida pelo seu companheiro. Pesquisa da fundação Perseu
Abramo, de 2001, revela que 43% das mulheres já foram vítimas de algum tipo
de violência doméstica e que a cada 25 segundos uma mulher é espancada no
Brasil. A condição das mulheres goianas não é diferente da realidade
nacional. Segundo dados de 2010 do Instituto Sangari, Goiás tem a 12ª
posição nas estatísticas de violência contra a mulher. 
A violência contra as mulheres, portanto, "é um drama complexo e muito mais
frequente no Brasil do que se imagina", como expressa a Ministra Eleonora
Menicucci. 
É nesse contexto que refletimos sobre a passagem de mais um Dia da Não
Violência Contra a Mulher. A data, instituída em 1999 pela ONU, é celebrada
em todo o mundo no dia 25 de novembro. O dia foi escolhido para homenagear
as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela
ditadura Trujillo na República Dominicana. Desde então, inúmeros países
realizam eventos para lembrar que, diariamente, meninas, jovens e adultas
são vítimas de toda sorte de violência. 
Ciente desse cenário, o governo brasileiro, em parceria com Estados,
municípios, Poder Judiciário, Poder Legislativo e organizações da sociedade
civil, trabalha para reparar essa dívida histórica e atua para prevenir e
enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Uma ação do
Executivo Federal é o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as
mulheres, lançado em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O
pacto visa a reduzir os índices de violência contra as mulheres, promover
uma mudança cultural a partir da disseminação de atitudes igualitárias e
valores éticos de irrestrito respeito às diversidades de gênero e de
valorização da paz, e garantir e proteger os direitos das mulheres em
situação de violência, considerando as questões raciais, étnicas,
geracionais, de orientação sexual, de deficiência e de inserção social,
econômica e regional. 
Na prática, o Pacto estabeleceu investimentos para desenvolver políticas
públicas amplas e articuladas, direcionadas, prioritariamente, às mulheres
rurais, negras e indígenas em situação de violência, em função da dupla ou
tripla discriminação a que estão submetidas e em virtude de sua maior
vulnerabilidade social. Os recursos têm sido investidos na implantação dos
Sistemas Estaduais de Enfrentamento à Violência Contra as mulheres, na
instalação de Centros de Referência, com atendimento jurídico e psicossocial
às mulheres vítimas de violência e discriminação, e de Núcleos
Especializados de Atendimento às mulheres, além da construção de Casas de
Abrigamento e realização de campanhas socioeducativas e de apoio na
estruturação das novas Delegacias Especializadas de Atendimento às mulheres
(DEAMs). O Pacto prevê ainda ações em diferentes esferas da vida social:
educação, trabalho, saúde, segurança pública, assistência social, entre
outras. 
No âmbito da segurança pública, em Goiás, três convênios firmados pela
Secretaria de Políticas para mulheres da Presidência da República (SPM-PR)
com a Secretaria de Políticas para as mulheres e Promoção da Igualdade
Racial de Goiás (Semira) resultaram, em outubro, na entrega de 35 veículos
para a rede de enfrentamento à violência contra a mulher no Estado. Os
repasses da SPM, com esses três convênios, totalizam R$ 8,4 milhões,
beneficiando 28 municípios goianos. Vinte e nove viaturas foram entregues às
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e aos Núcleos
Especializados de Atendimento à Mulher (NEAMs). Os recursos financeiros e os
veículos têm como objetivo agilizar e qualificar o atendimento às mulheres
em situação de violência doméstica e familiar.
Outro marco institucional da luta contra a violência à mulher é a Lei Maria
da Penha (Lei 11.340/06). A lei prevê que os agressores sejam presos em
flagrante ou tenham prisão preventiva decretada, aumentou a pena máxima de
um para três anos de detenção e acabou com o pagamento de cestas básicas
como forma de fiança. Resposta positiva do poder público contra a impunidade
é a campanha "Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha - A lei é mais
forte", que objetiva dar celeridade aos julgamentos dos casos e mobilizar a
sociedade brasileira para o enfrentamento da violência contra as mulheres. A
ação é desenvolvida em parceria por vários ministérios, Poder Judiciário,
Ministério Público e Defensorias. Apesar de atitudes alvissareiras como
essas citadas, passados seis anos de sua vigência, posso afirmar que a Lei
Maria da Penha está longe de ser solução para a violência contra a mulher.
Isto porque em parte dos Estados a rede de proteção às mulheres vítimas de
violência ainda é frágil. Alguns recebem os recursos, mas não os têm
investido conforme pactuado.
Em algumas regiões, o sentimento é de "terra sem lei". Caso do Entorno do
Distrito Federal, onde há o total descumprimento da Lei Maria da Penha. Em
outubro, em diligências da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da
Violência contra a Mulher, da qual sou membro, constatamos: não há
prevenção, falta assistência ou, quando há, é precária. A mulher moradora da
região que sofre violência doméstica passa por uma verdadeira via crucis
para fazer a denúncia: ir à delegacia, depois ao IML para fazer o exame de
corpo delito, voltar à delegacia e, posteriormente, ainda ter que acompanhar
o processo no Judiciário. 
Atualmente, há pouquíssimas delegacias especializadas, redes de apoio e
casas de abrigo. Faltam juizados preparados para o integral atendimento à
mulher, que fica à mercê da própria sorte e não é respeitada como vítima.
Também falta estrutura física e humana para o trabalho dos poderes
constituídos. Não há polícia e faltam condições adequadas ao Poder
Judiciário para dar andamento nos inquéritos. Essa incapacidade do Estado em
cumprir a lei deixa a mulher que sofre violência inerte e com medo. Confia
na Lei Maria da Penha, mas sente-se acuada diante da sua ineficácia.
A aprovação, no dia 21 de outubro, pela Câmara dos Deputados, com o meu voto
favorável, do Projeto de Lei Complementar 114/11, que regulamenta a
autonomia financeira e orçamentária das defensorias públicas dos Estados,
gera boas perspectivas. As defensorias são importante instrumento de
democratização do acesso gratuito à Justiça pela população desprovida de
recursos. Do mesmo modo, é extremamente positiva a aprovação em primeiro
turno, nessa semana, da Proposta de Emenda Constitucional 478/10, que amplia
os direitos trabalhistas de domésticas, babás, cozinheiras e outros
trabalhadores em residências. 90% desse universo é composto de mulheres. 
Outro importante serviço é a Central de Atendimento às mulheres (ligue 180),
da Secretaria de Políticas para mulheres (SPM), que já recebeu quase 3
milhões de denúncias desde a promulgação da Lei Maria da Penha. Somente este
ano, foram 561.298 atendimentos entre janeiro e setembro. Desse total,
68.396 foram denúncias de violência, majoritariamente física (38.535). É
importante salientar que, de acordo com a SPM, 27.638 mulheres relataram
sofrê-la diariamente, e 19.723 se perceberam em risco de morte. Em 25.329
casos, os filhos presenciaram ataques à mãe. As agressões às mulheres,
quando denunciadas, têm amparo legal para providências. Essas e outras
medidas refletem o novo Brasil, que, juntos, estamos construindo.
Mudar esse cenário exige políticas públicas específicas e transversais em
todos os setores. Há que se modificar as relações sociais, práticas,
discursos e a estrutura do Estado. É preciso avançar na redução da
desigualdade entre os gêneros, garantindo autonomia cultural, política e
econômica à mulher e o pleno cumprimento pelo Estado/Nação das leis que
protegem a cidadania. Acima de tudo, é preciso avançar na cultura da paz, da
não violência, da tolerância, da convivência. 

Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres
Presidência da República
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