[Pactonacional] ENC: + SPM mídia: entrevista Gláucia no Jornal do Brasil

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Outubro 22 15:43:02 BRST 2012



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De: Isabel Clavelin 
Enviada em: segunda-feira, 22 de outubro de 2012 09:09
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: + SPM mídia: entrevista Gláucia no Jornal do Brasil

Colegas,

segue entrevista da coordenadora de Autonomia Econômica das Mulheres, da
SPM, Gláucia Fraccaro dada ao Jornal do Brasil, a ver nos trechos em
amarelo.

abs,
Isabel

JB ONLINE - RJ | PAÍS
SECRETARIA DE MULHERES | OUTROS 
Preconceito e discriminação são desafios para mulher no mercado de trabalho
Formato A4: PDF
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_notic
ia=4362749
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_notic
ia=4362749> > WEB
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=4
362749
<http://www.linearclipping.com.br/spm/exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=4
362749> >
Veja a matéria no site de origem
<http://www.jb.com.br/pais/noticias/2012/10/21/preconceito-e-discriminacao-s
ao-desafios-para-mulher-no-mercado-de-trabalho/
<http://www.jb.com.br/pais/noticias/2012/10/21/preconceito-e-discriminacao-s
ao-desafios-para-mulher-no-mercado-de-trabalho/> >
Chamada de capa
Um dos momentos mais emblemáticos na história da luta feminina pela
igualdade de direitos aconteceu no final da tarde do dia 25 de março de 1911
quando 150 mulheres, em sua maioria imigrantes judias e italianas, morreram
em um incêndio na 
, em Nova Iorque. Embora algumas versões apontem que os patrões fecharam as
portas da fábrica propositalmente, sabe-se que elas eram mantidas trancadas
como costume, para evitar a saída das trabalhadoras no horário do
expediente. O acidente, que acabou por revelar as condições degradantes das
quais as mulheres eram submetidas, deu força a luta feminista. 
Apesar das mulheres serem parte da produção industrial desde a Revolução
Industrial, a luta por direitos se intensificou apenas no século XX, quando
elas se tornaram fundamentais nas fábricas, enquanto os homens estavam nos
fronts de batalha da Primeira e Segunda Guerra Mundial. As primeiras
manifestações feministas por melhores condições de trabalho e direito ao
voto datam de 1850, mas é o movimento dos Direitos Civis, da década de 60,
que é apontado como fundamental para a inclusão feminina no mercado. 
No Brasil, a primeira legislação protegendo as mulheres é  de 1827, quando
uma lei passou a admitir meninas nas escolas elementares. O direito ao voto
chegou mais de 100 anos depois, em 1934, durante o primeiro governo de
Getúlio Vargas (1930-1945). Porém, apesar dos avanços, a desigualdade de
gêneros ainda é marca profunda no mercado de trabalho em todo o país. 
A desigualdade social no Brasil alcançou o índice mais baixo da história
este ano, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) divulgada no último mês. A principal razão para esta evolução se
deve a expansão do mercado de trabalho, principalmente o formal, como 
ouvidos pelo Jornal do Brasil. Estes avanços beneficiaram diretamente as
mulheres, já que elas são maioria na camada "mais baixa" da pirâmide,
principalmente quando se analisa o mercado de trabalho. 
Segundo dados do IBGE, 51,2% das mulheres estão no trabalho informal e 11,6%
das mulheres ocupadas com 16 anos ou mais não têm rendimentos, trabalham
para o próprio consumo ou não tem qualquer tipo de remuneração. Uma em cada
cinco delas são empregadas domésticas e, apesar de maior escolaridade, as
mulheres ainda recebem, em média, 70% da remuneração masculina. 
Estas diferenças são apenas a ponta do problema. A condição feminina geral é
de vulnerabilidade e precariedade, e a desigualdade de gêneros ainda é
realidade, como evidenciam os dados sobre a renda e empregabilidade das
mulheres brasileiras. 
A autonomia financeira é apontada por especialistas como fundamental para
que as mulheres consigam outros direitos fundamentais. "É apenas com esta
autonomia que elas terão poder e independência para lutar contra outras
desigualdades", analisa Glaucia Faccaro, coordenadora-geral de Programas e
Ações do Trabalho da Secretaria de Políticas para as mulheres (SPM). 
O número de famílias lideradas por mulheres teve aumento substancial nos
últimos anos: de 26,55% em 2000 para 37,4% em 2012, de acordo com a mesma
pesquisa. Porém, o número esconde um problema fundamental enfrentado pelas
mulheres: a dupla ou "até a tripla" jornada de trabalho, sendo elas
responsáveis pelo trabalho, a casa e os filhos. A co-participação dos homens
na vida familiar ainda é baixa. "Elas acabam sobrecarregadas, mais
estressadas e ainda sem tempo para se dedicar as atividades que podem
melhorar suas vidas", afirma Glaucia. 
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE de
2006, juntando as horas gastas com o trabalho formal e dentro de casa, as
mulheres chegam a trabalhar mais de 58 horas por semana, treze a mais que os
homens. E é este "tempo da mulher" que a historiadora Eleutéria Amora da
Silva gosta de destacar em meio aos seus trabalhos como coordenadora-geral
da Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra), no Rio de Janeiro. 
"Uma das piores conseqüências é o abandono do estudo. Quem trabalha essa
quantidade de tempo, com filhos, não tem forças nem tempo para estudar.
Faltam às empresas creches e políticas de apoio para que as mulheres possam
também ascender profissionalmente", enfatiza. 
Além disso, a quantidade de mulheres que ocupam cargos de chefia também é
muito baixo: apenas 23% na presidência ou posições similares. As questões
culturais, que as colocam sempre no papel de "cuidadora" e "protetora"
acabam afastando a sua participação em algumas profissões mais técnicas que
remuneram melhor, como engenharia, por exemplo. É o que afirma Glaucia. 
"As profissões tidas como femininas estão sempre ligadas as relações
humanas, como enfermagem, professora, por exemplo". Segundo ela, as
políticas públicas de incentivo a qualificação da mulher, realizadas pela
SPM, tem surtido efeito. "Há interesse pela área, mas uma barreira cultural
muito forte ainda". 
Estudante de engenharia, Juliana Nunes, de 25 anos, é um típico exemplo
desta mulher que começa a aparecer na mão de obra brasileira. Ela chegou a
se formar em Pedagogia antes de perceber que gostava mesmo de outra área.
"Sempre adorei matemática, mas não pensava em engenharia, até ver meu irmão
se dando bem na carreira. Aí, tomei coragem e fiz. Ganhava mal e não me
sentia realizada antes", contou. 
Um dos problemas constantemente relatados para Eleutéria é o assédio moral,
sexual e a discriminação no ambiente de trabalho. "É extremamente comum. Há
casos de exploração, em que algumas acabam ficando 12, 14 horas por dia nos
estabelecimentos", conta. Um levantamento recente, realizado por um site
especializado, revelou que 32% das mulheres entrevistadas afirmam sofrer ou
já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho. 
Com apenas 24 anos, a assistente de projetos Letícia Alves Maione, formada
em Relações Internacionais, afirma já ter sentido na pele discriminação e
assédio no ambiente de trabalho. "Fui infantilizada diversas vezes durante
reuniões e apresentações de projeto, com trejeitos usados para crianças
mesmo. As pessoas tendem a diminuir suas críticas, te colocam em um papel de
fragilidade, de uma feminilidade negativa, como se fôssemos mais fracas". 
Ela contou ainda que o assédio dos chefes era comum. "Eles tentavam estar
comigo em momentos em que estivéssemos sozinhos, para assediar mesmo, me
chamando de "gatinha" e fazendo insinuações. Você, como subordinada,
empregada, se sente vulnerável. Imagina se eu dependesse minha vida neste
emprego? Muita gente tem que conviver com isso diariamente", lamenta. 
A discriminação é muito pior para as mulheres negras. Neste caso, a
diferença de remuneração para um homem branco pode chegar a 40% do salário
deles. E a pressão para se "alinhar" aos padrões de beleza europeu são
grandes. "Uma de nossas atendidas aqui na Ong foi demitida por se recusar a
alisar o cabelo. E ela não é a única: vemos muito menos negras em posições
de exposição, como recepcionista ou vendedora, por exemplo", conta
Eleutéria. 
Um dos principais projetos da Camtra acontece no mercado de trabalho
informal do Saara, no centro da capital fluminense. Lá, as características
que marcam a realidade da maioria das mulheres trabalhadoras ficam
evidentes. Segundo pesquisa realizada pela Ong, cerca de 64% está empregada
ilegalmente e mais de 75% das trabalhadoras que engravidaram perderam o
emprego ou o salário durante o resguardo. "Em alguns casos, as funcionárias
foram obrigadas a retornar ao trabalho apenas uma semana após o parto",
relata a coordenadora. 
A equiparação de direitos entre homens e mulheres ainda é um "grande
desafio" para o país. Além do aumento na atuação das Ongs, as políticas
públicas de incentivo, dentro e fora das empresas, são consideradas
fundamentais para que a cultura de "inferioridade feminina" seja eliminada
de vez da cultura brasileira. 
"Inegavelmente, existem avanços. Mas ainda temos medo de andar sozinhas na
rua, ou acreditamos ser culpadas quando somos assediadas dentro do trabalho.
Muitas coisas precisam mudar, temos um longo caminho pela frente", finalizou
Eleutéria. 



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