[Pactonacional] ENC: Estudo sobre aborto no Brasil

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Terça Setembro 25 19:21:36 BRT 2012



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De: Nilza do Carmo Scotti 
Enviada em: terça-feira, 18 de setembro de 2012 16:51
Assunto: Estudo sobre aborto no Brasil

CORREIO BRAZILIENSE - DF | SAÚDE 
DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS 
Estudo sobre aborto no Brasil é premiado
RENATA MARIZ
Formato A4: PDF
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Chamada de capa
Professores de Brasília conseguiram definir, por um método científico, a
quantidade de mulheres que se submetem ao procedimento no país. A
importância do trabalho foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde
  Dois cientistas de Brasília receberam ontem, em Washington, nos Estados
Unidos, o prêmio mais importante sobre saúde pública nas Américas. Oferecido
pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Fred L. Soper à Excelência
em Literatura sobre Saúde Pública reconheceu, neste ano, como o melhor
trabalho publicado no meio científico especializado o estudo aborto no
Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna, de autoria do
economista e sociólogo Marcelo Medeiros e da antrópologa Debora Diniz, ambos
professores da Universidade de Brasília (UnB). Entre os méritos do trabalho,
financiado pelo Ministério da Saúde, está a identificação da magnitude do
aborto no país. 
Constatou-se de forma confiável, pela primeira vez no Brasil, que uma em
cada cinco mulheres aos 40 anos já interrompeu a gravidez ao menos uma vez
na vida. Metade delas teve de ser internada. "Esses resultados tiraram o
debate de uma discussão moral para uma constatação científica, colocando-o
na pauta da saúde pública", diz Medeiros. Até então, não havia estatística
confiável sobre o assunto. Costumava-se usar o número de 200 mil curetagens
feitas no SUS por ano, multiplicando-as por cinco para estimar o fenômeno do
aborto. "O dado era frágil, obtido por um método indireto. Nosso estudo
funciona como uma pedra fundamental nesse tema porque traz um dado
definitivo e uma metodologia confiável", explica Debora. 
A metodologia foi o item mais trabalhoso na pesquisa, que durou dois anos.
Era preciso convencer as mulheres a contar se fizeram aborto, um tema
delicado por si só, ainda mais em um país onde a prática é considerada
crime. Dessa dificuldade surgiu a ideia de usar a técnica de urna. As
entrevistadas respondiam a um rápido questionário sociodemográfico oral e,
depois, nos moldes de uma eleição, recebiam uma cédula com cinco perguntas
específicas a respeito da interrupção da gravidez. Preenchiam o papel e o
depositavam na urna vedada. Explicando assim, pode até parecer uma
metodologia simplória, mas, na prática, as dificuldades começaram bem antes
do trabalho de campo, que alcançou 2 mil entrevistadas em todo o Brasil,
exceto em uma parte da área rural. 
Um dos pontos mais problemáticos, lembra Debora, foi elaborar a cédula.
"Parece uma coisa tola, mas pode invalidar toda a pesquisa se os
entrevistados não entendem o que estamos perguntando. E isso foi constatado
no pré-teste, todo ele realizado em Ceilândia (no Distrito Federal), quando
perguntávamos na cédula: "Qual a sua idade?", seguido de dois quadradinhos
para serem preenchidos. Em vez de colocar a idade, muita gente escrevia o
ano de nascimento. Outro problema era deixar claro que, respondendo "não" à
primeira pergunta - "Você já fez aborto?"- chegava-se ao fim a pesquisa. Ou
seja, a pessoa não precisava responder às outras quatro questões", conta a
antropóloga. A solução veio de uma diagramadora visual da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), especialista em pesquisa com população de baixa
escolaridade, que redesenhou a cédula. 
Depois de preparar o material para a pesquisa, a dupla contratou o Instituto
Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, mais conhecido como Ibope, para
aplicar o questionário e compilar os resultados. A técnica usada foi amostra
probabilística aleatória, que possibilita projetar os resultados para o país
inteiro com margens de erro muito pequenas - mesmo método usado nas
pesquisas eleitorais feitas atualmente no pleito municipal. Foram escolhidas
apenas mulheres para os 192 postos de entrevistador, exatamente para
facilitar a abordagem. Outras 40 pessoas aproximadamente participaram das
diversas etapas do estudo em funções diversas - da confecção das urnas à
aplicação dos pré-testes. Na cerimônia de ontem, os pesquisadores receberam
um prêmio de U$ 5 mil. 
Efeito nas Américas 
Criado em 1990, o Prêmio Fred L. Soper à Excelência em Literatura sobre
Saúde promove o mais alto padrão em pesquisas que tragam contribuições
significativas para as Américas. Um corpo de jurados analisam artigos
indicados pela comunidade científica. O prêmio leva o nome do
epidemiologista americano Frederick Soper, doutor pela Escola de Saúde
Pública da Universidade Johns Hopkins e autoridade mundial em doenças como
malária, varíola e febre amarela. 
 

Nilza Scotti
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