[Pactonacional] ENC: Posição da Irmandade Muçulmana sobre mulheres estimula temores no Egito (New York Times)

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Abril 15 15:31:26 BRT 2013



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De: Nilza do Carmo Scotti 
Enviada em: segunda-feira, 15 de abril de 2013 09:58
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Posição da Irmandade Muçulmana sobre mulheres estimula temores no
Egito (New York Times) 

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Posição da Irmandade Muçulmana sobre mulheres estimula temores no Egito (New
York Times) 
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Veja a matéria no site de origem
<http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2013-04-14/posicao-da-irmandade-mu
culmana-sobre-mulheres-estimula-temores-no-egito.html
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culmana-sobre-mulheres-estimula-temores-no-egito.html> > 
Chamada de capa 
Em comunicado contra proposta de declaração da ONU para condenar a violência
contra as mulheres, grupo opina que elas têm de se submeter aos homens em
todas as questões 
Em comunicado contra proposta de declaração da ONU para condenar a violência
contra as mulheres, grupo opina que elas têm de se submeter aos homens em
todas as questões 
Durante suas décadas como um movimento islâmico secreto, a Irmandade
Muçulmana há muito pregava que as mulheres do Islã precisavam obedecer seus
maridos em todas as questões. 
Infográfico: Saiba mais sobre as mulheres no mundo árabe e muçulmano 
Feminista egípcia: Contrarrevolução frustra avanço de egípcias, diz ativista

"Uma mulher precisa ser confinada dentro de uma estrutura em que seja
controlada pelo homem da casa", disse Osama Yehia Abu Salama, um
especialista em família da Irmandade, a respeito da abordagem geral do grupo
durante um seminário recente para mulheres treinando em se tornar
conselheiras matrimoniais. 
Mesmo que uma mulher apanhasse de marido, aconselhou: "Mostre-lhe como ela
teve culpa pelo que aconteceu", acrescentando: "Se ele é o culpado, ela
compartilha 30% ou 40% da responsabilidade." 
Agora, com um líder do braço político da Irmandade no palácio presidencial
do Egito e uma grande quantidade de seus membros dominando o Parlamento,
alguns pontos de vista profundamente patriarcais que a organização há muito
tempo ensina a seus membros vêm à tona para o conhecimento do público. 
Declarações estridentes da Irmandade reforçam temores entre muitos liberais
egípcios sobre as potenciais consequências da ascensão do grupo ao poder e
criam constrangimento para o presidente Mohammed Morsi enquanto ele se
apresenta como um novo tipo de islâmico moderado que tenta agradar o
Ocidente. 
Especial 2011: Apesar de papel em levantes, mulheres árabes ainda lutam por
direitos 
Saiba mais: Veja o especial do iG sobre a Primavera Árabe 
Em um comunicado emitido na quarta-feira de 13 de março sobre um projeto de
declaração da ONU que condena a violência contra as mulheres, a Irmandade
publicou uma lista de objeções, formalmente definindo seus pontos de vista
sobre as mulheres pela primeira vez desde que chegou ao poder. 
No comunicado, a Irmandade disse que as mulheres não deveriam ter o direito
de apresentar queixas contra seus maridos por estupro, acrescentando que os
maridos não deveriam estar sujeitos às mesmas punições aplicadas a autores
de estupro sem parentesco com as vítimas. 
Um marido deve ter "tutela" sobre sua mulher, e não uma "parceria" de
igualdade, declarou o grupo. Filhas não deveriam ter os mesmos direitos de
herança que filhos. A lei também não deveria anular "a necessidade de
consentimento do marido em assuntos como trabalho, viagens ou uso de
contraceptivos" - uma reforma na lei de família tradicional islâmica que foi
promulgada pelo ex-presidente Hosni Mubarak e creditada à sua mulher,
Suzanne. 
NYT: Egito proíbe testes de virgindade em mulheres detidas 
As declarações pareciam de muitas maneiras refletir a doutrina de longa data
da Irmandade, ainda discutida em aulas como a de Abu Salama e no fórum do
grupo de mulheres. feministas disseram que o comunicado também reflete a
opinião da maioria das mulheres na cultura tradicionalista e conservadora do
Egito. 
Em uma entrevista em 14 de março, Pakinam El-Sharkawy, conselheira política
de Morsi e representante do Egito na última comissão da ONU, procurou
distanciar o governo dele da nota da Irmandade. 
O grupo, enfatizou, não fala pelo presidente; ele renunciou à Irmandade, mas
continua sendo um membro do seu partido político. 
"Será que qualquer declaração emitida por qualquer partido político ou grupo
representa a presidência?", perguntou. "Eles não são a instituição da
presidência, não são uma entidade oficial." O governo egípcio, disse,
"explora todos seus poderes e políticas para impedir todas as formas de
violência contra as mulheres". 
Sistema patriarcal: Revolução é apenas o começo para mulheres do Egito 
O governo contestou a declaração da ONU condenando a violência contra as
mulheres, ela disse, somente em questões como a de descrever restrições ao
aborto como um ato de violência contra as mulheres. Segundo ela, isso
ofendeu as normas culturais em muitos países árabes e africanos. 
Em seu seminário para futuras conselheiras matrimoniais islâmicas, Abu
Salama justificou a abordagem do grupo ao casamento explicando que o Islã
requer dos maridos que sejam compassivos, assim como requer das mulheres
obediência. 
Citando a prescrição de Maomé de que um homem "não deve agir com sua mulher
como se fosse um animal", um livro didático na aula de Abu Salama indicou
que o Islã instrui os homens a fazer preliminares antes do sexo e a atender
a satisfação de sua parceira. Quanto à herança, estudiosos islâmicos
argumentam que um filho deve ter uma maior participação, mas também a
obrigação de cuidar do bem-estar financeiro de sua irmã. 
Mas Abu Salam também argumentou que os maridos devem manter suas mulheres
sob um rígido controle. "É da natureza do fraco desrespeitar os limites caso
a mulher tenha espaço e liberdade para fazer isso, assim como acontece com
crianças", disse no seminário. A maioria das mulheres presentes concordou. 
Concluindo sua declaração sobre a declaração da proposta da ONU, a Irmandade
parecia querer ir ainda além. As disposições discutidas são "ferramentas
destrutivas destinadas a minar a família como uma instituição importante",
conclui o comunicado, e "voltar para a ignorância da sociedade
pré-islâmica". 
*Por David D. Kirkpatrick e Mayy El Sheikh 


Nilza Scotti
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