[Pactonacional] ENC: Falta de creches no Japão leva mães a busca desesperada
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Sexta Março 1 10:36:15 BRT 2013
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De: Isabel Clavelin
Enviada em: sexta-feira, 1 de março de 2013 10:33
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Falta de creches no Japão leva mães a busca desesperada
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Falta de creches no Japão leva mães a busca desesperada
Veja a matéria no site de origem
<http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-03-01/falta-de-creches-no-japa
o-leva-maes-a-busca-desesperada.html
<http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-03-01/falta-de-creches-no-japa
o-leva-maes-a-busca-desesperada.html> >
Embora o governo subsidie escolas infantis, número de vagas é insuficientes
e mulheres têm que escolher entre emprego e filhos
Embora o governo subsidie escolas infantis, número de vagas é insuficientes
e mulheres têm que escolher entre emprego e filhos
Ayaka Okumura estava apenas no início de sua gravidez quando começou a
pensar em como manteria seu emprego de gerente após o nascimento do filho,
algo que teria sido impossível para uma mulher uma geração antes, quando as
japonesas eram contratadas apenas como "tias do escritório", com funções que
se resumiam a servir chá e receber os convidados.
Nos EUA: Universalização das creches nos EUA enfrenta resistências de
Estados
No Brasil: Rede privada avança mais que pública em creches
O governo japonês subsidia milhares de creches ao redor do país para as
famílias de todos os níveis de renda e exige que os responsáveis passem por
exames rigorosos para cuidar de crianças que normalmente requerem dois anos
de escolaridade especial.
Mas a qualidade da rede de creches públicas - e uma crescente escassez de
vagas, pois cada vez mais mulheres estão entrando para o mercado de trabalho
-, criou seu próprio conjunto de problemas aparentemente irreversíveis.
mulheres cada vez mais desesperadas são forçadas a competir anualmente por
vagas nas creches, algo que já recebeu sua própria nomenclatura, "hokatsu",
e que aparentemente superou o estresse da busca de empregos que os
estudantes universitários japoneses precisam enfrentar.
Okumura está cansada dessa disputa.
Durante meses, à medida que sua barriga aumentava, a futura mãe, agora com
30 anos, foi de creche em creche, algumas públicas e outras particulares, no
pouco tempo que conseguia ficar longe do trabalho, colocando seu nome em
listas de espera que às vezes têm mais de 200 nomes à frente.
Até o momento em que deu à luz a sua filha, Ayane, no ano passado, ela havia
visitado 44 creches em Tóquio - sua última visita estava programada, mas ela
teve que cancelá-la quando começou a ter contrações.
Estudo: Excluídos demais fatores, adolescentes que foram à creche vão melhor
no Pisa
"Eu vou enlouquecer", disse ela enquanto caminhava para uma creche espremida
entre dois arranha-céus. "Por que será que é tão difícil encontrar uma
creche?"
De acordo com os defensores dos direitos das mulheres, a raiz do problema é
que as mães que trabalham enfrentam dois tipos de obstáculos: uma nova
tendência demográfica que vai contra elas e uma nova leva de mães que
trabalham. Como muitas mulheres entrevistadas para este artigo, Okumura fez
a maioria de suas visitas às creches sozinha, pois no Japão os pais
geralmente consideram o cuidado das crianças uma responsabilidade da mãe.
"Sempre me perguntam: O seu trabalho é tão importante que você precisa
colocar o seu bebê na creche? Por que você está sendo tão egoísta?", disse
Mariko Saito, que trabalha para uma empresa de produtos farmacêuticos em
Tóquio e está participando de uma campanha para mais opções de creches. "Mas
eu não estou trabalhando para mim. Estou trabalhando para sustentar minha
família, assim como o meu marido".
Cada vez mais, famílias procuram por creches particulares, que podem ser
duas vezes mais caras apesar de oferecerem padrões piores de atendimento.
Mas em cidades do Japão, até mesmo centros privados estão lotados.
Algumas famílias estão tão ansiosas para conseguir uma vaga em uma creche
pública que desestruturaram suas vidas, mudando-se para bairros conhecidos
por terem listas de espera menores.
A busca de Okumura não foi muito diferente, mesmo que ela tenha visitado um
número de creches um pouco maior do que o normal. Ainda assim, as
autoridades em Shinagawa, região costeira de Tóquio, disseram que suas
chances eram pequenas.
Lentamente, ela começou a ter uma nova preocupação, pois as creches
particulares começam o seu "ano escolar" em abril, coincidindo com o anúncio
de admissões públicas, ela enfrentou uma escolha dolorosa. Mesmo que sua
família tivesse sorte suficiente para ser aceita em uma creche, Okumura
seria forçada a perder sua licença de maternidade legalmente por oito meses
e deixar Ayane, seu bebê, aos cuidados da creche. Se Okumura estendesse sua
licença até abril do ano seguinte, ela temia colocar em risco seu emprego.
Ela se culpou por não ter programado a gravidez para dar à luz logo depois
de abril, um mês ruim para as listas de espera - uma estratégia recomendada
em sites de bate-papo cheio de mensagens sérias sobre estratégias para
conseguir vagas nas creches.
Shinzo Abe, o recém-nomeado primeiro-ministro, prometeu criar novas creches,
mas não está claro o quanto ele conseguirá fazer levando em consideração a
população crescente e politicamente ativa de idosos do Japão. Quase 70% dos
gastos do Japão em bem-estar social é dirigido a pessoas de 65 anos ou mais,
enquanto que menos de 4% apoia crianças e famílias, de acordo com um grupo
de pesquisa filiada ao governo.
"Tornou-se um ciclo vicioso", disse Hiroki Komazaki, fundador de várias
creches. "Nós não investimos nas futuras gerações, e isso leva
inevitavelmente a uma sociedade em envelhecimento".
No final de tudo, Okumura, exausta, teve sorte e recentemente recebeu uma
oferta de uma cobiçada creche pública. Mas ela ainda não sabe se irá
aceitá-la.
"Eu gostaria de poder ficar com a minha filha durante mais tempo", disse
ela. "Estou tão preocupada, e completamente exausta."
Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres - SPM
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