[Pactonacional] ENC: ++ SPM mídia: entrevista ministra Eleonora Correio Braziliense

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Março 4 12:07:53 BRT 2013



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De: Isabel Clavelin 
Enviada em: domingo, 3 de março de 2013 10:54
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: ++ SPM mídia: entrevista ministra Eleonora Correio Braziliense


CORREIO BRAZILIENSE - DF | TRABALHO 
SECRETARIA DE MULHERES | OUTROS 
Os desafios de quem é mãe e executiva
Mariana niederauer
Encontrar o equilíbrio entre trabalho e família ainda é uma das dificuldades
enfrentadas pelas mulheres para chegar a cargos de chefia. Mas a divisão de
tarefas em casa está ajudando a mudar esse quadro
Conciliar o trabalho com as tarefas de casa e a maternidade ainda é um dos
principais desafios das executivas. Quando esse momento chegou para Patrícia
Klein Vital, 37 anos, ela decidiu se afastar da empresa e se dedicar aos
filhos gêmeos, hoje, com três anos de idade. Essa mudança, no entanto, só
foi possível porque houve planejamento. "Tive filhos um pouco mais velha
porque priorizei a carreira. Porém, como tudo foi bem planejado, não hesitei
em deixar a Brasal na época, por achar importante estar com eles naquele
momento", explica ela, que é coordenadora de asseguração da qualidade na
fabricante de bebidas. 
Depois de aproximadamente um ano fora da empresa, ela voltou e reassumiu uma
posição de liderança. O apoio do marido, que ocupa um posto semelhante em
outra organização, foi fundamental. "Como conhece a responsabilidade do
cargo, ele entende quando preciso atender  um telefonema ou ficar na empresa
à noite", relata Patrícia. 
A especialista da Sociedade Brasileira de Coaching Celiane Gonçalves
ressalta que essa divisão de tarefas é mais comum atualmente. "Os homens,
que antes assumiam função patriarcal, hoje assumem tranquilamente o controle
do lar", assegura. Para a especialista em economia do gênero Regina
Madalozzo, a mudança da posição da mulher na sociedade também influencia as
novas gerações. "Hoje em dia, a questão transcende o papel da mulher. O
excesso de responsabilidades, seja para ele ou para ela, pode atrapalhar o
desenvolvimento da carreira." 
A especialista Celiane Gonçalves acredita que, assim como Patrícia, as
mulheres estão fazendo um planejamento cada vez mais detalhado para aliar os
objetivos profissionais ao sonho de ser mãe. "Ela vem decidindo por uma
gestação mais tardia, quando a ausência no ambiente de trabalho não
representa mais tanta vulnerabilidade para a carreira. Se demora mais para
ser mãe, adquire maturidade, ocupa cargos estratégicos, se fortalece no
mercado, tem mais poder, resolve-se financeiramente e consegue se sustentar
melhor", explica. 
Estigma 
Mesmo que a relação entre família e trabalho esteja cada vez mais
equilibrada, as mulheres ainda enfrentam barreiras para chegar a cargos de
chefia. "Ainda existe o estigma da mulher mãe e isso continua sendo um
dilema para elas, principalmente quando chega essa etapa gerencial. Nesse
período, as mulheres costumam estar com cerca de 30 anos e também é o
momento em que começam a pensar em ser mães. É nessa época que as empresas
tendem a evitar a contratação de mulheres", explica Helena Camila Magalhães,
diretora da empresa de recrutamento de altos executivos Fesa no Rio de
Janeiro. Ela relata ainda que, após essa etapa, quando as mulheres já têm
filhos e uma estrutura familiar mais estabilizada, a resistência à
contratação delas para cargos no nível de diretoria diminui. 
Em certos casos, porém, essa característica mais maternal da mulher pode
contribuir para o relacionamento com a equipe. "Ela tende a lidar um pouco
melhor com alguns conflitos do que o homem", afirma Helena. Enquanto eles
são mais pragmáticos, elas trazem a sensibilidade para o ambiente
organizacional. Algumas empresas estão adotando posturas mais flexíveis para
facilitar a divisão de tarefas. Há aquelas que oferecem creches,
flexibilizam horários ou permitem o trabalho em casa após a licença
maternidade. 
Segurança 
Exigente com a qualidade do trabalho, Patrícia Klein Vital assumiu um posto
de liderança na Brasal em Brasília aos 20 anos, como chefe do antes chamado
setor de xaroparia. "Eles entendem que ser mãe não é uma tarefa fácil, mas
que, obviamente, eu sabia separar bem a maternidade e vida profissional. É
importante ter o respaldo da empresa", reforça. Após o período em que ficou
longe do trabalho, Patrícia se sentiu segura para deixar as crianças em
casa, prontas para lidarem com a ausência dela por um tempo maior. "Os meus
filhos comentam tudo o que acontece com eles, por isso, eu posso ficar
despreocupada. Até brincam que querem trabalhar na Coca-Cola também", conta.

Hoje, ela é responsável por assegurar a qualidade dos produtos e procura ter
uma equipe equilibrada entre homens e mulheres. "Sempre gostei muito de
trabalhar com homens, porque eles são mais práticos e a mulher, na média, é
muito crítica e organizada. Repassar a segurança da qualidade para o
consumidor final, no meu setor, é primordial", explica a executiva. 
Três perguntas para 
Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as mulheres 
Como vem sendo a evolução das mulheres na sociedade,principalmente no
trabalho? 
As mulheres romperam diferentes barreiras no mercado de trabalho e chegaram
a carreiras profissionais até então concentradas no público masculino. Hoje,
são técnicas, gestoras, executivas, presidentes de empresas e
empreendedoras. Mas ainda é grande a concentração em profissões ligadas aos
cuidados. Para alterar esse quadro, é preciso não somente formação e
qualificação em áreas científicas e tecnológicas mas também mudança nas
relações cotidianas. Isso quer dizer que homens e mulheres devem
compartilhar responsabilidades, para que elas não continuem sobrecarregadas
com os cuidados com a família. Esse é um obstáculo real que deve ser
derrubado para que tenham condições de aproveitar as oportunidades de
mercado e de ascensão profissional. 
A mulher precisa superar obstáculos maiores para chegar à mesma posição que
um homem? 
Homens e mulheres têm a mesma possibilidade de desenvolver trabalhos
semelhantes. O que difere são as condições para que isso realmente possa
acontecer, porque a sociedade ainda vê as mulheres cumprindo o duplo papel,
a conhecida dupla jornada de trabalho: profissionais e responsáveis pela
administração das casas e da família. 
O que é preciso para que mais mulheres ocupem os cargos tradicionalmente
assumidos por homens? 
É preciso que a sociedade divida o trabalho diário que está concentrado nas
mulheres, isto é, a quebra da divisão sexual do trabalho. Ou seja, isso
requer ação das políticas públicas e das pessoas sobre a forma como
organizam suas rotinas diárias, em especial a divisão das tarefas dentro de
casa. As mulheres têm escolaridade, qualificação profissional e competência
para chegar a postos de poder dentro das empresas e das instituições. O que
falta é que os fatores que impedem essa chegada, tais como administração da
família e tempo dedicado aos cuidados da casa, sejam eliminados, para que
elas possam exercer a liderança a que estão preparadas a colocar em prática
no mercado de trabalho.


Isabel Clavelin
Chefe de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres - SPM
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