[Pactonacional] ENC: Michelle Bachelet: Cidades mais seguras para mulheres (Arti go)

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Março 4 12:13:36 BRT 2013



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De: Juliana Camelo da Silva 
Enviada em: segunda-feira, 4 de março de 2013 09:42
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Michelle Bachelet: Cidades mais seguras para mulheres (Artigo)

O GLOBO - RJ | OPINIÃO
LEI MARIA DA PENHA
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Cidades mais seguras para mulheres (Artigo)
Veja a matéria no site de origem <https://www.oglobodigital.com.br/
<https://www.oglobodigital.com.br/> >

Michelle Bachelet

Não há cidade ou país no mundo em que mulheres e meninas possam viver livres
do medo da violência. Nenhum líder pode dizer: isto não está acontecendo na
minha área.

Em 2012, dois casos se destacaram, provocando clamor público em seus países
e no mundo: o assassinato de meninas estudantes e da ativista pela educação
feminina Malala, no Paquistão, e o estupro por uma gangue num ônibus e
posterior morte de uma jovem estudante de 23 anos em Nova Delhi. Em todas as
regiões do mundo, casos sem conta aconteceram, mas não alcançaram as
manchetes globais.

Andando nas ruas, usando transporte público, indo para a escola ou vendendo
produtos no mercado, mulheres e meninas estão sujeitas à ameaça de violência
ou assédio sexual. Esta realidade da vida diária limita a liberdade feminina
para obter educação, trabalhar, participar da política - ou simplesmente se
divertir em seus próprios bairros.

Ainda assim, apesar de sua importância, violência e assédio contra mulheres
e meninas em espaços públicos permanecem questões esquecidas, com poucas
leis ou políticas em vigor para enfrentá-las.

Esta semana, em Dublin, cerca de 600 delegados - de prefeitos a líderes do
setor privado e da sociedade civil - estão reunidos para o 8º Fórum da
Aliança Mundial das Cidades contra a Pobreza. Eles vieram de todo o mundo
para discutir abordagens inovativas sobre tornar as cidades inteligentes,
seguras e sustentáveis.

Uma dessas abordagens é a iniciativa Cidades Seguras. É uma parceria entre
as Nações Unidas e governos municipais, comunidades locais e organizações,
que trabalha para tornar o ambiente urbano mais seguro paramulheres e
meninas.

Lançada inicialmente por mulheres e o Habitat, da ONU, em cinco cidades
piloto - Cairo, Egito; Kigali, Ruanda; Nova Delhi, Índia; Quito, Equador; e
Port Moresby, Papua Nova Guiné -, a iniciativa foi expandida para mais de 20
cidades e continua a crescer.

Uma das mais importantes lições que aprendemos é que cada cidade é única e
requer uma resposta local. Isto só pode ser obtido através de um estudo com
dados e provas, e participação dos membros da comunidade. Cidades fizeram
ações para melhorar a iluminação e o design de ruas e prédios, treinaram e
sensibilizaram policiais, passaram a contratar mais mulheres para a polícia.
Estas ações práticas podem fazer um mundo de diferença.

Um estudo diagnóstico em Nova Delhi, por exemplo, revelou que uma estratégia
comum contra o assédio era simplesmente manter meninas e mulheres em casa.
Uma menina explicou: "Se contarmos a nossos pais que sofremos assédio de
rapazes, eles poriam a culpa em nós e diriam que a culpa é nossa. Eles
poderiam até nos impedir de sair de casa." Manter mulheres e crianças em
casa não é uma solução. Moradores organizaram grupos comunitários para
despertar a conscientização, reportar crimes e trabalhar com as autoridades
para melhorar a segurança pública e a Justiça.

Em Quito, mulheres foram estimuladas a quebrar o silêncio sobre suas
experiências através da campanha Cartas de mulheres e isso motivou um
estudo. O governo municipal ampliou as disposições contra a violência em
relação às mulheres para incluir os espaços públicos. O governo recebeu
cerca de 10 mil cartas.

Em Port Moresby, Papua Nova Guiné, 55% das mulheres que trabalhavam como
vendedoras no mercado sofreram violência. Em resposta, autoridades locais
estão trabalhando com uma associação de vendedoras para uma ação coletiva.

No Cairo, o governo nacional adotou auditorias sobre segurança das mulheres,
nas quais as participantes identificam as condições de segurança em seus
bairros, o que depois é incorporado ao planejamento urbano.

No Rio de Janeiro, comunidades estão identificando riscos para a segurança
em dez das favelas da cidade. mulheres e adolescentes treinadas usam seus
smartphones para mapear riscos tais como infraestrutura ou serviços
defeituosos, ruas escuras e problemas de iluminação. Essas conclusões
iniciais foram apresentadas às autoridades locais e estão sendo usadas para
a busca de soluções.

A ONU, em parceria com a Microsoft, busca formas de usar a tecnologia dos
celulares para brecar o assédio sexual e a violência em espaços públicos.

Outros esforços serão implementados através da parceria da ONU com Cidades e
Governos Locais Unidos. Eles enfocarão na coleta de dados sobre a
participação das mulheres na força policial e na expansão das atividades da
iniciativa Cidades Seguras.

Em Dublin, estou satisfeita de ouvir que o prefeito Naoise Ó Muirí tenha
expressado interesse em parcerias com a Iniciativa Cidade Segura. Dublin
será a primeira cidade da Europa Ocidental a se juntar a nós.

Na medida em que mais mulheres, homens e jovens elevarem suas vozes e se
tornarem participantes nos governos locais, e mais líderes adotarem ações
pela segurança das mulheres e meninas, a mudança acontecerá.

Este encontro reconhece que tornar as cidades mais inteligentes, mais
seguras e mais sustentáveis requer parceria e colaboração - entre moradores,
governo, setor privado e a sociedade civil. Ao incluir mulheres em seu
processo de decisão, os governos municipais estarão em melhor posição para
enfrentar suas responsabilidades de garantir a segurança de seus moradores,
especialmente mulheres e crianças.

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Não há lugar em que mulheres e meninas possam viver livres do medo da
violência. Nenhum líder pode dizer: isto não está acontecendo na minha áre

Michelle Bachelet foi presidente do Chile e é diretora executiva da ONU
mulheres



Juliana Camelo
Assessoria de Imprensa
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