[Pactonacional] ENC: Começa hoje (04/03) em Contagem o julgamento do goleiro Bruno

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Março 4 12:13:23 BRT 2013



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De: Juliana Camelo da Silva 
Enviada em: segunda-feira, 4 de março de 2013 09:46
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Começa hoje (04/03) em Contagem o julgamento do goleiro Bruno

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Começa hoje em Contagem o julgamento do goleiro Bruno
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gamento-do-goleiro-bruno-2/
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gamento-do-goleiro-bruno-2/> >
Começa nesta segunda-feira, no Tribunal do Júri do Fórum de Contagem (MG), o
julgamento popular do goleiro Bruno Fernandes e da ex-mulher dele, Dayanne
do Carmo. O ex-jogador do Flamengo sentará no banco dos réus para responder
pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere
privado da ex-amante Eliza Samudio. Dayanne será julgada pelos crimes de
sequestro e cárcere privado do menino Bruninho, que Eliza afirmava ser filho
do goleiro.

A expectativa é de que o julgamento dure entre três e cinco dias e,
provavelmente, termine, por coincidência, na sexta-feira, 8 de março, Dia
Internacional da Mulher, data marcada por protestos contra a violência em
desfavor das mulheres.

O júri será presidido por Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, uma magistrada de
pulso firme que, desde o início do processo, em junho de 2010, enfrentou
acusações e provocações, feitas pelos advogados dos réus, de que estaria
agindo de forma parcial, pré-julgando o atleta e os outros envolvidos.
Dezenas de pedidos para que ela fosse afastada, ou o júri transferido para
outra comarca, foram feitos pelos defensores, mas nem a própria juíza, muito
menos o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) e o Supremo Tribunal
Federal (STF) acataram as reivindicações.

Sete cidadãos comuns serão escolhidos para formar o conselho de sentença e
decidir se Bruno e Dayanne são culpados ou não. De um lado, caberá ao
promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro provar que Eliza foi
morta numa trama macabra a mando de Bruno. De outro, estarão encarregados de
desqualificar as acusações do Ministério Público os advogados Francisco
Simin, que defende Dayanne, e Lucio Adolfo, que representa Bruno. Lucio
Adolfo é um dos mais experientes advogados criminalistas do País. Ele
participou de mais de mil júris e já teve entre seus clientes o
megatraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Ao contrário do primeiro julgamento do caso, em novembro do ano passado,
quando ainda havia a dúvida se Eliza havia sido morta ou não, desta vez
Bruno e Dayanne enfrentarão o que pode se chamar de fogo amigo: a confissão
do ex-braço-direito do atleta, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão.

No depoimento que deu no júri em que saiu condenando a 15 anos de cadeia,
Macarrão contou que levou a modelo para a morte e a entregou a um homem que
faria o serviço na noite do dia 10 de junho de 2010. Segundo Macarrão, por
ordem de Bruno, que o chamava de "bundão" caso não fizesse o que o atleta
estava pedindo: "Eu sou p... deixa comigo", teria dito Bruno ao ex-amigo.
Além de Macarrão, a outra ex-amante de Bruno, Fernanda Gomes Castro, também
foi condenada no primeiro julgamento do caso. Ela cumpre cinco anos de
prisão no regime aberto pelo sequestro e cárcere privado de Eliza e
Bruninho.

Ao assumir o crime, acusando Bruno de ser o mandante da morte de Eliza e
também, por consequência, "de ter acabado com a vida dele", como lamentou,
Macarrão causou surpresa. Ele, no entanto, estaria apenas cumprindo parte do
acordo que teria feito com o assistente de acusação José Arteiro Cavalcante
Lima. Um dia antes da confissão, Arteiro deu várias entrevistas antecipando
que Macarrão iria acusar o ex-amigo para tentar diminuir a pena. O advogado
de defesa de Macarrão, Leonardo Diniz, e o promotor de Justiça Henry Castro,
disseram na época desconhecer qualquer acordo.

Agora, o depoimento de outro importante personagem na trama deverá ser o elo
que falta para esclarecer todas as dúvidas que ainda pairam sobre como Eliza
Samudio morreu, segundo a polícia, executada pelo ex-policial Marcos
Aparecido dos Santos, o Bola. Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno, foi a pessoa
que esteve com Eliza e Macarrão desde o momento em que a modelo foi
sequestrada em um hotel no Rio de Janeiro, no dia 4 de junho de 2010, até a
hora que foi estrangulada por Bola, seis dias depois, de acordo com as
investigações.

Na época, Rosa tinha 17 anos. Foi detido depois que um tio procurou uma
rádio do Rio de Janeiro dizendo que o sobrinho estava "apavorado" com o
crime que presenciara. De acordo com o processo judicial, Rosa afirmou em
depoimento ter visto Eliza ser morta. O adolescente ainda teria contado os
detalhes do crime, citando os "olhos esbugalhados" da vítima e afirmando que
uma das mãos da vítima fora jogada aos cães da raça Rotweiller que Bola
criava.

Por ser menor de idade na ocasião, Jorge Luiz Rosa foi condenado a três anos
de internação, pena da qual cumpriu um ano e dois meses. Depois de solto,
foi incluído no programa de proteção à testemunha do governo federal, de
onde saiu, segundo o ex-advogado dele, Eliézer Jonatas de Almeida, "por
vontade própria".

Em recente e confusa entrevista ao programa

da

, na qual chegou a pedir para refazer algumas respostas, Rosa negou que
tivesse visto a modelo ser morta. O rapaz afirmou que foi Macarrão quem
contou a ele que ela foi executada. Perguntado sobre o ex-policial Marcos
Aparecido dos Santos, o primo de Bruno gaguejou e disse não conhecer Bola,
assim como fez Macarrão no momento que confessou o crime no julgamento de
novembro do ano passado. Tanto Jorge Luiz Rosa quanto Macarrão disseram
apenas que Eliza foi entregue a um homem, o qual não sabiam a identidade.

Para o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos Castro, a entrevista de
Jorge Luiz Rosa foi uma tentativa dos advogados de defesa para jogar toda a
culpa do crime em Macarrão, já condenado, e assim diminuir a pena de Bruno.
O ex-advogado de Jorge disse desconhecer qualquer pressão sobre o rapaz, mas
o aconselhou, em entrevista ao

, que Rosa "seja homem" para comparecer e contar o que sabe. "Ele não foi
homem suficiente para dar uma entrevista dessas em rede nacional? De cara
limpa? Agora ele que enfrente", concluiu o advogado, explicando também que,
como foi intimado e não está sob a custódia do Estado, Jorge Luiz Rosa
deverá ir até o Fórum de Contagem sozinho.

Tanto Macarrão quanto Jorge Luiz Rosa já disseram que Eliza foi, de fato,
assassinada. A principal dúvida ainda é sobre o autor do homicídio, já que
os dois afirmaram que a modelo foi entregue a um homem e, a partir daí, não
mais a viram. Para o promotor de Justiça de Contagem, Macarrão e Rosa não
acusam diretamente o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, "por
medo".

Os advogados que representam Bola são contundentes em afirmar que ele não
matou Eliza. Fernando Magalhães e Ércio Quaresma dizem que o cliente foi
vítima de uma armação da polícia, que o incriminou devido à desavenças
antigas entre Bola e o delegado Edson Moreira, ex-chefe do Departamento de
Homicídios e Proteção à Pessoa. Moreira já negou essa versão e ainda afirmou
que as provas da participação do ex-policial são fartas.

Além de Bola, outros dois policiais civis também já foram investigados pela
morte de Eliza, sendo que um deles, José Lauriano de Assis Filho, o Zezé,
foi denunciado pelo MP em dezembro do ano passado. A Justiça ainda não
analisou a denúncia. O outro policial civil investigado recentemente em um
inquérito paralelo pela própria corporação, a pedido do MP, é Gilson Costa,
ex-integrante do Grupo de Resposta Especial da Polícia Civil (GRE), extinto
em 2010 após denúncias de que Bola, mesmo excluído da corporação, dava
treinamentos aos integrantes do grupo.

O julgamento de Bola está marcado para o dia 22 de abril, também no Fórum de
Contagem. Além dele, ainda vão sentar no banco dos réus os amigos de Bruno
Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; e Elenilson Vitor da Silva. O júri dos
dois ainda não tem data marcada.

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de
Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante
paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do
goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o
nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento
da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia
sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de
propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte.
Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação
de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A
então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença
da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de
Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no
bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias
anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de
ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como
Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa
de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu
participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a
ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e
executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como
Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o
relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados
foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de
participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano
de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e
Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por
envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar
depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro
e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do
crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a
participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também
foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório
policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os
envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos
posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto
pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação
por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e
agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou
quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e
constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere
privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão,
Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio
triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação
de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri
popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu
pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido
libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri
popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de
corrupção de menores.

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola,
Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do
goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo. Bruno será julgado em
março junto a outros dois acusados: o ex-policial Marcos Aparecido dos
Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, e Dayane Rodrigues do
Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime.

No dia 22 de novembro de 2012, durante depoimento de cinco horas, Macarrão
responsabilizou Bruno pelo sumiço de Eliza. Dois dias depois, o júri
condenou Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda
Gomes de Castro a cinco anos.



Juliana Camelo
Assessoria de Imprensa
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