[Pactonacional] ENC: Até quando? Mais uma mulher é morta pelo ex-marido
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Terça Março 5 12:00:27 BRT 2013
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De: Juliana Camelo da Silva
Enviada em: terça-feira, 5 de março de 2013 11:33
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Até quando? Mais uma mulher é morta pelo ex-marido
CORREIO BRAZILIENSE - DF | CIDADES
LEI MARIA DA PENHA
Até quando? Mais uma mulher é morta pelo ex-marido
BÁRBARA VASCONCELOS
Na sexta-feira, a vítima foi Fernanda Grasielly, assassinada a facadas em um
shopping. Ontem, Benilde Rosa acabou enforcada pelo ex-companheiro, que
suicidou-se, no Gama. A cada hora, duas ocorrências contra brasilienses são
registradas no DF
Três dias depois de um homicídio chocar frequentadores de um shopping no
Cruzeiro, o Distrito Federal assiste a outra mulher ser assassinada pelo
ex-companheiro, desta vez no Gama. Com auxílio de um fio de telefone, o
aposentado Elpídio Oliveira, de 46 anos, enforcou a ex-esposa Benilde Rosa,
41, na chácara onde os dois ainda viviam, no Núcleo Rural Ponte Alta Norte,
às margens da DF-475. Transtornado, o homem se matou em seguida. Ambos os
casos reforçam os índices elevados de violência contra a mulher no DF, onde,
a cada hora, duas ocorrências, em média, são registradas nas delegacias
locais relacionadas a crimes enquadrados na Lei Maria da Penha (veja O que
diz a lei).
Enquanto a morte da vendedora Fernanda Grasielly Almeida Alves, 25 anos, na
última sexta-feira, configurou-se como uma tragédia anunciada - já que o
ex-namorado Victor Gabriel Medeiros, 29, ameaçava constantemente a vítima -,
o assassinato de Benilde e o posterior suicídio de Elpídio pegaram amigos e
parentes de surpresa. Embora continuasse dividindo o mesmo teto após a
separação, há cerca de um ano, o casal vivia sem grandes conflitos, segundo
familiares.
O crime aconteceu por volta das 2h de ontem. Depois de provavelmente
utilizar o fio do carregador do celular da esposa para estrangulá-la,
Elpídio entrou em contato com uma das três filhas e contou que, além do
assassinato, também pensava em suicídio. A jovem, que também mora no Gama,
correu para a casa dos pais, mas chegou tarde demais. Ela encontrou a mãe
morta sobre a cama e o pai, enforcado por uma corda.
A cunhada e vizinha de Elpídio, que não quis se identificar, diz ter
acordado com os gritos da filha. "Foi muito rápido. O meu marido saiu
correndo para a casa deles, mas não tinha mais o que fazer. Quando a gente
se deu conta, já tinha acontecido tudo", lembra. "A filha deles ficou em
choque. Depois, veio a polícia. Eles olharam tudo e aí levaram os corpos,
umas 5h da manhã", conta.
Nem a cunhada nem o amigo das vítimas, o trabalhador rural Francisco
Fernandes, 60 anos, conseguem ver uma explicação para a tragédia. Conhecido
do casal há 20 anos, Francisco foi na manhã de ontem à chácara onde houve o
crime buscar uma justificativa. "Fiquei sabendo da notícia pelo rádio.
Decidi passar aqui, ver se entendia o que aconteceu. Eles eram pessoas
ótimas, muito legais. Até agora, não estou acreditando", comenta.
Problemas antigos
Mas um outro amigo do casal afirma que Benilde e Elpídio enfrentavam
problemas há bastante tempo. Três meses atrás, o marido teria começado a
frequentar uma igreja evangélica, a poucos metros da chácara onde morava,
para buscar ajuda. De acordo com o homem, que preferiu não se identificar,
Elpídio sentia vontade de matar a esposa e procurava na religião forças
"para não fazer uma besteira". Por conta dos problemas enfrentados em casa,
o homem sempre se emocionava nos cultos.
Elpídio não trabalhava mais. Ele estava aposentado devido a um coágulo na
cabeça. Por conta da doença, vizinhos dizem que o morador do Gama tomava
remédios controlados e apresentava algumas variações de humor. A polícia, no
entanto, não confirma essas informações.
Os investigadores não têm relatos sobre brigas entre os ex-companheiros ou
mesmo problemas mentais do homem. Segundo o chefe da 20ª Delegacia de
Polícia (Gama), Francisco Antônio da Silva, a separação deve ter sido a
causa da tragédia, mas ainda não se sabe por qual motivo Elpídio atacou a
ex-mulher apenas na madrugada de ontem. "Apesar de morar na mesma casa, eles
já não tinham relação de marido e mulher e isso lhe desagradava muito.
Acredito que essa situação tenha motivado o crime", explica. Nos últimos
cinco anos, pelo menos 38 mulheres foram assassinadas no DF por seus
companheiros, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.
Juliana Camelo
Assessoria de Imprensa
Secretaria de Políticas para as Mulheres Presidência da República - SPM/PR
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