[Pactonacional] ENC: Violência contra a mulher: 11 tiros, 2 vítimas

Susan Sousa Alves susan.alves em spmulheres.gov.br
Terça Março 19 10:55:02 BRT 2013



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De: Juliana Camelo da Silva 
Enviada em: terça-feira, 19 de março de 2013 09:16
Para: SPMULHERES - GERAL
Assunto: Violência contra a mulher: 11 tiros, 2 vítimas

CORREIO BRAZILIENSE - DF | CIDADES
LEI MARIA DA PENHA

11 tiros, 2 vítimas

» LUIZ CALCAGNO » CLARA CAMPOLI

Homem dispara contra a ex-companheira e ainda atira no chefe dela por
desconfiar que os dois tinham um relacionamento. Mesmo assim, sobrevivem ao
crime praticado em Taguatinga. Desde sábado, três mulheres sofreram ataques

Uma semana após amarrar a ex-mulher e ameaçá-la de morte, Cássio Santana da
Cruz, 33 anos, planejou executar pelo menos dois homicídios no mesmo dia. Em
um intervalo de minutos, ele disparou cinco vezes contra a antiga
companheira Ivoneide de Oliveira Santana, 24 anos, e seis contra Saulo
Israel Couto Barreto, 26 - o acusado acreditava que esse último seria
namorado dela.

O primeiro crime aconteceu às 9h48, na comercial da QNJ 25. O segundo,
minutos depois, na Área Especial 9 da QNG, no depósito do Serviço de Limpeza
Urbana (SLU), ambos em Taguatinga Norte. As duas vítimas sobreviveram e
estão internadas no Hospital Regional de Ceilândia e no Hospital de Base do
DF, respectivamente. Não correm risco de morte. No DF, assustam os seguidos
casos de violência contra a mulher. Ontem à tarde, uma estudante foi
esfaqueada em Sobradinho. No sábado, uma moradora do Gama, de 43 anos,
morreu assassinada.

A fiscal do SLU Ivoneide trabalhava quando Cássio a abordou em um Palio
prata. Ele tentou colocá-la à força dentro do veículo, mas a vítima escapou.
Na luta, ele disparou três vezes contra ela. Quem passava pela rua correu ao
ouvir os tiros. Houve um princípio de tumulto. Atingida na barriga, a vítima
correu cerca de 150 metros e se abrigou em um pet shop. O ex-marido a
perseguiu. No estabelecimento comercial, diante de câmeras e de várias
testemunhas, ele disparou mais duas vezes, na barriga e na perna da jovem.
Em seguida, saiu ao encontro de Saulo.

Ao chegar ao prédio do SLU, Cássio vestiu a calça do uniforme da mulher para
não levantar suspeitas. Encontrou Saulo, chefe de Ivoneide, no escritório
dele. Disparou cinco vezes. O funcionário do SLU acabou atingido nas costas
e, de raspão, na cabeça. Um dos tiros acertou a coluna vertebral, mas não
lesionou a medula. Socorristas o levaram para o Hospital de Base de
helicóptero. O atirador sumiu logo depois.

O comerciante Francisco Júnior trabalhava no pet shop quando Ivoneide
invadiu o local - duas funcionárias dele precisaram ser hospitalizadas, pois
ficaram em estado de choque. "A violência, hoje (ontem) veio até nós. Acabou
com a nossa semana, o nosso mês e o nosso ano. É uma imagem que ficará
marcada nas nossas cabeças", lamentou. "Os homens acham que são donos das
mulheres. Isso não deveria existir", completou Marciel Rodrigues, 77 anos,
vizinho da loja.

Ordem judicial

No último dia 18, Cássio disse à ex-companheira que a mataria. Eles ainda
dividiam a mesma casa. Na ocasião, o acusado amarrou os pulsos da mulher e a
levou para um matagal, entre Taguatinga e Brazlândia. No local, chegou a
pedir que Ivoneide ligasse para Saulo. Ela não o obedeceu e negou que
tivesse qualquer envolvimento amoroso com o colega de trabalho. Depois de
horas de terror, o agressor a levou para casa. Ela procurou a mãe, a gari
Juranice Maria de Oliveira, 48 anos, e as duas registraram ocorrência na 17ª
DP (Taguatinga Norte). No mesmo dia, a Justiça determinou que o ex
mantivesse o mínimo de 200 metros de distância da jovem.

O delegado adjunto da 17ª DP, Robert Araújo Meneses, informou que a oficial
de Justiça não encontrou Cássio para notificá-lo, mas, por telefone, o
deixou ciente das proibições. Desde então, Ivoneide passou a morar com a
mãe. "Não achamos que ele seria capaz de uma coisa dessas. Ele era muito
ciumento. Avisamos as irmãs dele das ameaças, mas elas não acreditaram",
relatou Juranice. No domingo, ele esteve na casa da ex-sogra para visitar  o
filho do casal, de 4 anos. "E o Saulo não tinha nada com a minha filha",
disse a mãe da vítima. Saulo é casado, e a mulher dele espera o primeiro
filho do casal.

Cássio responderá por duas tentativas de homicídios qualificados (por motivo
torpe e impossibilidade de defesa das vítimas). Até o fechamento desta
edição, o suspeito permanecia foragido. Segundo pesquisa do Ministério da
Justiça, de setembro de 2006 ao mesmo mês de 2011, 81 mulheres morreram
vítimas de violência doméstica no DF. A maioria tinha entre 20 e 24 anos.

Abusos

No mês passado, o DF registrou 64 estupros. Em 2012, foram 69. Segundo dados
da Secretaria de Segurança Pública, em mais de 80% dos registros, os
agressores agiram na casa das vítimas e, em 85,5%, tinham vínculos com elas.
Ceilândia é a cidade com o maior número de casos, com 12,5% do total. Os
Depoimentos criminosos agem com mais frequência aos fins de semana e pela
manhã.

Depoimento

"Ela pediu que não a deixasse morrer"

"Estávamos lavando a entrada da loja quando ouvimos o som de tiros. Corremos
para nos abrigar. Entrei debaixo de uma mesa e, quando me virei para trás,
vi uma mulher caída aos meus pés. Ela sangrava. Pediu-me ajuda, mas o homem
com a pistola vinha logo depois. Senti muito medo de ele atirar em mim
também. Fiquei sem reação enquanto ela pedia socorro. Então, ele disparou
duas vezes contra ela. Na sequência, ela ainda reuniu forças para se
levantar. Falei para não se mexer ou o atirador voltaria para matá-la.
Então, desesperada, segurei a mão dela. Ela começou a pedir pelo amor de
Deus, que não a deixasse morrer. Tentei acalmá-la. Falei para ficar bem
quietinha. A barriga dela estava toda furada. Senti-me muito impotente
naquele momento. A vida está muito banal. Problemas tão simples, que
poderiam ser resolvidos com uma boa conversa, se transformaram em motivos
para matanças."

Benedita Pereira da Silva, 40 anos

Acordo internacional

O Brasil assinou, na última sexta-feira, acordo mundial para a prevenção e a
eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e crianças. O
documento é resultado da 57ª sessão da Comissão sobre o Status da Mulher, em
Nova York. Mais 129 estados-membros da ONU também se tornaram signatários. O
texto foca na força da sensibilização e na educação. Outro ponto citado é a
redução das desigualdades de gênero nas esferas social, política e
econômica. O atendimento às vítimas e o direito à saúde sexual e reprodutiva
também receberam destaque no documento. O acordo pede ainda o fim da
impunidade aos agressores.

Memória

2013

26 de janeiro

Em Planaltina, um casal de namorados acabou morto a facadas pelo ex-marido
da mulher. O agressor foi até a casa das vítimas, no Núcleo Rural Pipiripau
2, e as esfaqueou no peito e nas costas. De acordo com a polícia, a mulher
assassinada e o agressor foram casados por mais de 15 anos e tinham um filho
de 14 anos.

15 de fevereiro

No Setor de Mansões de Sobradinho 2, um segurança de 44 anos assassinou a
ex-mulher no meio da rua com pelo menos três tiros e, em seguida, se matou,
deixando órfãos dois filhos, um de 11 e outro de 5 anos. O motivo do crime
seria a insatisfação com o fim do casamento.

1º de março

Victor Gabriel Medeiros, 29 anos, assassinou a ex-mulher, Fernanda Grasielly
de Almeida Alves, 25, onde ela trabalhava. A jovem era vendedora em um
shopping no Cruzeiro. Ele a esfaqueou dentro da loja e tentou fugir, mas foi
rendido pelos seguranças e está preso.

4 de março

Benilde Rosa, 41 anos, morreu assassinada pelo ex-companheiro Elpídio
Oliveira, 46, no Gama. Ele enforcou a vítima com o fio do carregador do
telefone celular. O crime aconteceu na chácara onde eles ainda viviam, no
Núcleo Rural Ponte Alta Norte, às margens da DF-475. O homem se matou após o
crime.



Juliana Camelo
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