[Pactonacional] Unidade Móvel - Trabalho realizado pela Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial do Estado de Goiás tem mostrado o perfil das mulheres da zona rural do Estado

Thaysa Moura thaysafmoura em gmail.com
Segunda Fevereiro 3 18:18:34 BRST 2014


*Matéria publicada no jornal O Popular deste domingo, 02 de fevereiro de
2014*

*Violência doméstica*

Trabalho realizado pela Semira tem mostrado o perfil das mulheres da zona
rural do Estado

*Malu Longo*

Os ônibus pintados de lilás e equipados com consultórios independentes para
atendimento jurídico, psicológico e de assistência social, fazem parte da
frota de 54 unidades que a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), da
Presidência da República, começou a doar em agosto do ano passado para
todas as unidades da Federação como parte do programa Mulher, Viver sem
Violência. Goiás foi o segundo Estado a receber as Unidades Móveis.  "Depois
que as unidades chegaram começamos a construir as nossas diretrizes de
acordo com a realidade local", explica Renata Estrela. E reside nessa
realidade o medo da exposição.

Em cerca de 15 localidades por onde já passou o ônibus lilás da Semira as
reações são idênticas. "Elas são curiosas, mas quando ficam sabendo do que
se trata, temem serem vistas por alguém conhecido que pode contar para o
marido", conta a coordenadora do trabalho. Uma das estratégias é divulgar o
trabalho da equipe e a Lei Maria da Penha. "Estamos plantando sementes
para, num futuro próximo, receber manifestações espontâneas". As rodas de
conversa, na parte externa do ônibus, é um canal revelador.

A submissão, o papel de protagonista do marido, o medo de represália, o
estigma da mulher separada. Por trás dessas situações aparentemente
cotidianas no meio rural estão mulheres de alma ferida. "Impressiona a
quantidade de relatos de violência física por maridos que usam álcool ou
drogas. Muitas mulheres apanham dos maridos na frente dos filhos. Elas têm
vergonha de falar e acreditam que tudo será solucionado", conta Luiz
Henrique de Paula Machado, assessor jurídico da equipe.

Titular da Semira, Gláucia Maria Teodoro dos Reis, lembra que não apenas a
agressão física deve ser entendida como violência doméstica, especialmente
na zona rural. "As mulheres do campo enfrentam a violência sexual, moral e
patrimonial, já que trabalham muito e não recebem nada", diz.

*Relatos*

*Algumas histórias reais de dor e violência*

Numa roda de conversa uma mulher contou que foi estuprada por um vizinho de
fazenda, mas na época teve vergonha de contar. Quando procurou ajuda,
disseram que ela tinha seduzido o homem. O estupro, segundo essas pessoas,
teria ocorrido em decorrência do comportamento dela. Ela só revelou o fato
diante de outras mulheres e dos profissionais da Semira.

Uma mulher, prestes a completar 50 anos de casada, abandonou a propriedade
rural onde vivia com o marido somente com a roupa do corpo. Foi como se
fosse do outro lado da cerca para voltar em seguida. Cansada da violência
do marido buscou ajuda de conhecidos em São Paulo. Soube depois que foi
procurada e ameaçada, por isso não voltou mais. Foram sete anos longe de
casa até que soube que o pai de seus filhos tinha sofrido um AVC. Ela
voltou e cuidou do antigo companheiro até a sua morte.

Um assentamento rural em Goiás foi a opção escolhida por uma mulher ainda
jovem que deixou Salvador (BA) fugindo da violência do marido. Num surto
raivoso, ele a derrubou e usou uma grande pedra para atingi--la na cabeça.
Ela se salvou e fugiu. Morre de saudades da família, mas teme o retorno por
causa das ameaças do antigo companheiro.

*Fonte: Semira*

*Programas buscam criar rede*

Lançado em 2007 pela Presidência da República, o Pacto Nacional pelo
Enfrentamento à Violência contra a Mulher buscava criar uma rede de
serviços de acolhimento e atendimento à mulher agredida e de divulgação do
instrumento legal, a Lei Maria da Penha. Nele estão inseridos o Ligue 180 -
Central de Atendimento à Mulher; a Rede de Atendimento à Mulher em Situação
de Violência e o Programa Mulher, Viver sem Violência. Em Goiás, a pesquisa
do Programa Interdisciplinar da Mulher - Estudos e Pesquisas (Pinep) da
Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) mostra que os municípios
que aderiram ao pacto não têm feito a contento o dever de casa.

Os ônibus lilás que começam a chegar nas zonas rurais é mais uma tentativa
de ampliar esses serviços, através da mobilidade.

O Popular:
http://www.opopular.com.br/busca/busca-7.218528?filterByDate=true&pbdate=20140102&inputTemplate=&subject=&q=alma+ferida+da+mulher+do+campo

Fonte: O Popular

Foto: Sebastião Nogueira
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