[Mulheresdepartidos] Nota de apoio a Deputada Jandira Feghali

Laisy Morière Cândiada Assunção laisymoriere em globo.com
Sexta Maio 8 12:30:35 BRT 2015


*NOSSA SOLIDARIEDADE À DEPUTADA JANDIRA FEGHALI*



            Durante a sessão que debatia as medidas provisórias do ajuste
fiscal, na noite de quarta-feira, 06 de maio de 2015, enquanto fazia uso da
palavra, o deputado Orlando Silva (PCdoB/SP) foi interrompido ao ser tocado
diversas vezes pelas costas pelo deputado Roberto Freire (PPS/SP) e reagiu
pedindo que não fosse tocado. Foi quando a deputada Jandira Feghali
(PCdoB/RJ), que estava ao lado de ambos, interveio e pediu que Freire não
tocasse Silva, colocando a mão no caminho. Nesse momento, Freire a segurou
pelo braço de maneira abrupta e jogou seu braço violentamente, como mostram
os registros fotográficos feitos pelo profissional Lula Marques.

            Não bastasse a violência física, Jandira ainda foi ofendida
pelo deputado Alberto Fraga (DEM/DF), que inverteu a lógica da agressão e
acusou Jandira de ter agredido Freire, com a máxima machista que a mulher
“não se pode prevalecer da condição de mulher para querer agredir quem quer
que seja†e que se “bate como homem, tem que apanhar como homemâ€. Não
obstante, continuou incitando a violência dizendo “venha, venhaâ€. Essa
apologia à violência contra a mulher é inaceitável e merece todo o rigor da
lei. Não aceitamos que uma das parlamentares que ajudou a criar a Lei Maria
da Penha seja vítima de violência.

            Em 2013, a ex-deputada federal Manuela D’Ãvila (PCdoB/RS) foi
vítima de declarações ofensivas, preconceituosas e machistas, com sua vida
pessoal atacada sem qualquer justificativa pelo deputado Duarte Nogueira
(PSDB/SP)  enquanto fazia uso da palavra como líder do seu partido, durante
audiência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em que se discutia
com o senhor ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o caso de cartel e
de corrupção relacionado à Siemens e a outras empresas multinacionais.

            Quase um ano atrás, em 20 de maio de 2014, na sessão solene do
Congresso que homenageava os 90 anos da Coluna Prestes, a deputada Alice
Portugal (PCdoB/BA) foi interrompida enquanto fazia uso da tribuna, sendo
interpelada de forma agressiva e teve o som do seu microfone cortado. A
agressão à Alice Portugal só não foi maior porque o agressor, um servidor
da Casa, foi segurado por outros colegas que acompanhavam a sessão.

            Em 09 de dezembro de 2014, após a deputada Maria do Rosário
fazer um discurso defendendo os trabalhos da Comissão da Verdade e a
investigação de crimes da Ditadura Militar, ouviu da tribuna o deputado
Jair Bolsonaro (PP/RJ) se remeter a um episódio anterior e repetiu a
agressão de anos atrás dizendo que só não a estupraria porque ela não
merecia.

            Em março deste ano, a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP) foi
intimidada pelo deputado Roberto Góes (PDT/AP) enquanto
discursava, denunciando uma série de problemas enfrentados pela população
do Amapá, estado de ambos. Góes não teria gostado das críticas ao
governante daquele Estado, tendo interrompido por duas vezes o discurso da
parlamentar e, “não se limitando aos  impropérios  verbais  desferidos,
ousou deslocar-se  em  direção à deputada para  intimidá-la  ou  até
mesmo  agredi-la fisicamenteâ€, conforme denunciado pela deputada Jô Moraes
(PCdoB/MG), que era coordenadora da Bancada Feminina na época.

            Essa onda crescente de agressões contra as deputadas refletem
como a Câmara Federal está impregnada com as piores referências do
conservadorismo, do machismo e da misoginia. Os parlamentares, assim como
os homens na nossa sociedade, se valem da sua condição de homens para
intimidar, atacar a vida pessoal e agredir verbal e fisicamente as
mulheres. Esses casos evidentes de violência contra as mulheres não pode
ser tolerado nem dentro nem fora da Câmara. A tribuna da Câmara é espaço
inviolável para homens e mulheres e as ameaças e agressões às mulheres não
podem ser invisibilizadas, ignoradas, toleradas nem chanceladas. Não podem
ser reduzidas à “mal entendidos†ou ser silenciadas com pedidos vazios de
desculpas, que legitimam que outras agressões sejam cometidas diariamente
contra as mulheres em suas mais distintas e perversas faces.



            A agressão à deputada Jandira sofrida na noite de ontem reflete
a incapacidade de compressão de alguns homens sobre divisão do espaço e do
poder, utilizando a força física para imporem sua opinião sobre a opinião
de outrem. Tememos que o homem que sinta liberdade de fazer isso em
público, faça algo mais grave no privado. É inadmissível a agressão física
e verbal de deputados contra uma parlamentar, assim como é inadmissível a
agressão contra qualquer mulher.



            Jandira é a única mulher líder de partido hoje na Câmara e
entendemos que um homem ver uma mulher defendendo outro homem deve ser uma
inversão em toda a sua lógica machista de mulheres subalternas e sem
expressão. Não vamos admitir que nenhuma outra mulher seja ameaçada,
agredida ou tenha seu corpo violado por disputar os espaços antes só eram
ocupado por eles. A tribuna da Câmara não é um lugar dos homens, não
pertence a eles o direito único de fala e opinião nesta Casa. A Câmara é
dos Deputados no nome, mas em sua essência é a Casa do Povo e representamos
aqui o povo, pois somos mais da metade da população. Por isso a importância
de ter mais mulheres na política, para que possamos inverter toda a lógica
desigual que trata as mulheres na sociedade.



            Diariamente milhares de mulheres sofrem agressões, ameaças e
perdem suas vidas graças à cultura machista. Mas mulheres forjadas na luta
diária da sobrevivência e da quebra das amarras do patriarcado não serão
intimidadas com esse tipo de ameaça. Lutamos como mulher, lutamos juntas,
até que todas sejam livres. Por isso as deputadas se manifestaram em
plenário com as palavras de ordem "A violência contra a mulher não é o
Brasil que a gente querâ€. Estamos construindo um país mais justo, mais
igualitário e sem violência, sem machismo e sem sexismo!.





Saudações de Força e de Luta.



Deputadas federais do PT



Secretaria Nacional de Mulheres do PT



Brasília, 07 de maio de 2015.



-- 
Laisy Moriére
 + 55 062 8413 9267
"Quando uma mulher entra na politica, muda a mulher. Quando muitas
mulheres entram na politica, muda a politica"  Michelle Bachelet!
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