[Pactonacional] ENC: Ela fez a diferença na Petrobras
Susan Sousa Alves
susan.alves em spmulheres.gov.br
Segunda Agosto 13 13:14:55 BRT 2012
Para conhecimento.
_____________________________________________
De: Nilza do Carmo Scotti
Enviada em: segunda-feira, 13 de agosto de 2012 09:59
Assunto: Ela fez a diferença na Petrobras
ISTO É DINHEIRO | NEGÓCIOS
REFORMA ELEITORAL
Ela fez a diferença
Formato A4: PDF <exportacao/pdf_a4/noticia.asp?cd_noticia=3802556> WEB
<exportacao/noticia_A4.asp?cd_noticia=3802556>
Chamada de capa
Ao adotar uma política de transparência e reconhecer os problemas vividos
pela Petrobras, a presidente Graça Foster virou o jogo e recuperou a
confiança do mercado, fazendo com que as ações voltassem a subir.
Por Rosenildo Gomes FERREIRA
A executiva Graça Foster, presidenta da Petrobras, viveu o maior desafio de
sua curta gestão, iniciada há pouco mais de seis meses, na segunda-feira 6.
Nesse dia, ela apresentou os números do balanço do segundo trimestre de
2012, cujo desempenho surpreendeu até mesmo o mais pessimista dos analistas.
Os dados falam por si: um prejuízo de R$ 1,34 bilhão, o pior resultado da
estatal desde 1999. A expectativa era de um lucro em torno de R$ 2 bilhões,
número que já seria 78% inferior ao dos três primeiros meses deste ano. Como
explicar essa situação? A variação cambial, é certo, teve sua parcela de
culpa. No entanto, fatores estruturais ligados à exploração de petróleo
também colaboraram.
Graça Foster, presidenta da Petrobras: "Justificamos, com números, todos
os itens negativos do balanço e o que estamos fazendo
para corrigir a situação".
Um deles foi o reconhecimento da inviabilidade comercial de 41 poços
perfurados, considerados secos e nos quais foram investidos R$ 2,73 bilhões.
Diante desse cenário, com potencial de causar efeitos nefastos na carreira
de qualquer executivo, Graça cresceu. Em vez de se encastelar no seu
escritório, ela foi para a linha de frente da crise. Primeiro fez questão de
comandar a reunião com os analistas do mercado financeiro, algo inédito na
rotina da estatal. Normalmente, quem conduz esse tipo de encontro é o
diretor-financeiro, Almir Barbassa. No dia seguinte, Graça rumou para São
Paulo, onde participou do 13º Encontro Internacional de Energia, promovido
pela Fiesp.
Aposta no futuro: com a descoberta da camada do pré-sal, o Brasil dobrou
suas reservas
de petróleo para 31 bilhões de barris.
No evento, ela recebeu afagos do empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira,
presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que
elogiou sua capacidade de se comunicar com o mercado. Depois, a executiva
enfrentou um batalhão de repórteres e cinegrafistas. Tudo na maior
tranquilidade. Graça fez uma apresentação otimista, lembrando os pontos
fortes da estatal e os benefícios que a campanha de exploração do pré-sal
deve gerar para a economia brasileira (veja quadro ao final da reportagem).
"Mais do que dar uma explicação ao mercado, nós justificamos, com números,
todos os itens negativos do balanço e o que estamos fazendo para corrigir a
situação", disse Graça. A atitude da executiva deu resultado.
As ações preferenciais da empresa, que, na segunda-feira chegaram a cair
5,46%, encerraram o pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com
ligeira baixa de 0,1%. Na sequência, os papéis inverteram a tendência e
fecharam na quinta-feira 9 em R$ 21, acumulando uma alta de 5,42% em apenas
três dias. A melhora no "humor" dos investidores em relação à Petrobras foi
fruto direto da atuação de Graça. "Com sua postura transparente, ela
conquistou a confiança do mercado", disse Marcus Sequeira, analista
especializado em petróleo da filial do Deutsche Bank, em Nova York. "Desde
que a Petrobras revisou seu plano de investimentos ficou claro que Graça
estaria disposta a mostrar também os eventuais problemas vividos pela
companhia."
O cenário, no entanto, mantém-se desafiador para a estatal, um colosso que
no ano passado faturou R$ 244 bilhões, lucrou R$ 33 bilhões e emprega 81,9
mil funcionários. É que além de dificuldades conjunturais, com a valorização
do dólar sobre o real, a Petrobras tem de enfrentar uma série de questões
estruturais. As mais urgentes são a redução de custos e a recuperação da
capacidade produtiva dos poços de petróleo e gás da Bacia de Campos, no
litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Apenas a exploração dos campos
consumiu 35% mais recursos em relação ao período anterior.
Para melhorar esse desempenho, a Petrobras separou US$ 5,1 bilhões. A queda
de 5% na produção, aliada ao aumento da demanda de gasolina, em 16%, e de
diesel, 5%, também ajudam a explicar o resultado negativo da petrolífera.
Para abastecer o mercado, foi preciso importar 170 mil barris de petróleo
por dia, volume mais de três vezes superior ao do primeiro trimestre.
"Quando o dólar atingiu a marca de R$ 2, soou o sinal de alerta na empresa",
afirmou Graça. Em um cenário no qual o preço de venda do diesel e da
gasolina estão defasados em até 20%, de acordo com estimativas de Auro
Rozenbaum, analista de petróleo da Bradesco Corretora, a conta não poderia,
realmente, fechar no azul. Nem por passe de mágica.
No comando: Graça (à dir.) mostra à presidenta Dilma detalhes da sala de
controle
da plataforma P-59, lançada em julho, no litoral da Bahia.
REAJUSTE Se por um lado o prejuízo colocou a estatal na "linha de tiro", por
outro, ajudou a abrir espaço para as discussões em relação ao reajuste dos
combustíveis, um velho pleito de sua direção e do próprio mercado. Esse,
aliás, é um dos motivos que explicam a decisão dos investidores de voltar a
apostar nos papéis da Petrobras. "Não existe nenhuma indicação de que a
cotação do barril do petróleo vá cair para a faixa abaixo de US$ 100", diz
Rozenbaum. "Por conta disso, não há dúvida de que a Petrobras está perdendo
dinheiro." O último aumento para o consumidor, nos postos de serviço,
ocorreu em setembro de 2005. A presidenta da Petrobras garantiu que não fez
nenhum pedido nesse sentido.
Apenas vem deixando claro em todas as reuniões do Conselho de Administração
da estatal - a última delas ocorreu na sexta-feira 3 - a necessidade
aproximar a paridade entre o preço interno e o cobrado no exterior. "Quem
produz e tem volume sempre espera vender por um preço melhor", disse. O
debate reacendeu a discussão entre o Ministério de Minas e Energia e o da
Fazenda. "O reajuste é necessário", afirmou Edson Lobão, ministro de Minas e
Energia. Guido Mantega, que preside o Conselho da estatal, disse, por meio
de sua assessoria, que "não há perspectiva no horizonte para novos
reajustes". Ao longo do governo do PT, uma das estratégias para manter os
preços sob controle sem afetar muito o desempenho da empresa tem sido mexer
na tributação sobre o setor.
Especialmente, nas alíquotas da Contribuição de Intervenção de Domínio
Econômico (Cide), reduzidas a zero, em 22 de junho. Com isso, a Petrobras
embolsa mais reais por cada litro de combustível vendido, mas sem afetar o
bolso dos consumidores. São esses argumentos que Mantega utiliza para
defender seu ponto de vista. Sem contar, é claro, o receio de que um
reajuste contamine os índices de inflação, dada a repercussão sobre o
restante da economia provocado pelo preço dos combustíveis. Ao que tudo
indica, a questão terá como árbitro a presidenta Dilma Rousseff. Afinal, com
uma necessidade de gerar caixa para cumprir o plano de investimentos, orçado
em US$ 236,5 bilhões para o período 2012-2016, a Petrobras não pode se dar
ao luxo de perder dinheiro.
Operação refino: meta da Petrobras é inaugurar, até 2017, o Complexo
Petroquí-mico
do Rio (foto) e a refinaria Abreu e Lima, no Recife.
Com essa bolada, Graça pretende colocar a Petrobras em um novo patamar. E
sua principal arma é a exploração dos poços situados na região do pré-sal,
que deverão quase dobrar as reservas brasileiras, dos atuais 15,7 bilhões
para 31 bilhões de barris de petróleo, até o final de 2020. O patamar atual
de 2,1 milhões de barris diários já garante a autossuficiência do País. Mas
para atingir o objetivo previsto para o final da década, a executiva
precisará desatar alguns nós. Com ou sem aumento, não há indicação de que o
ritmo do consumo de gasolina deva parar de crescer.
A intensificação do uso de fontes renováveis, como etanol, esbarra em
questões que não dependem da ação da estatal, como a falta de capacidade
instalada das usinas de álcool para atender à demanda interna. A ampliação
da capacidade de refino de gasolina também está descartada. É que as
refinarias em construção, a unidade de Abreu e Lima, no Recife, e o Polo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) foram desenhados para trabalhar com
nafta, diesel e querosene de aviação. Hoje, os dois últimos têm um grande
peso na balança de importações da companhia. "Quando programamos esses
projetos, o cenário que vislumbramos era de crescimento da produção e
demanda por etanol", afirmou Graça. "Agora, não temos como mudar isso."
DESAFIOS É nesse ponto que os analistas enxergam os maiores desafios da
primeira mulher a dirigir a maior empresa do País. O relatório assinado por
Sequeira, distribuído aos clientes globais do Deutsche Bank, aponta dois
riscos estruturais para a companhia. O primeiro deles é a capacidade da
Petrobras de construir no prazo, com um custo competitivo, essas refinarias.
A mais problemática é a situada no Recife. Na semana passada, o canteiro de
obras se transformou em uma praça de guerra, por conta do conflito entre
trabalhadores e policiais, que resultou na queima de diversos ônibus. Eles
protestam contra o impasse nas negociações salariais. Apesar disso, a
estatal garante que a obra deverá ser concluída até o final de 2014 e, ao
custo de US$ 20,1 bilhões, nove vezes mais que o orçamento original.
"Existe o temor de que o mesmo aconteça em relação ao Comperj", afirmou
Sequeira. "A localização dessas obras obedeceu a um viés mais político que
econômico." Com as refinarias, a estatal poderá ampliar para 3,4 milhões de
barris/dia sua capacidade de processamento de petróleo. O tema da
transparência em relação à formação de seus preços e a outras políticas da
Petrobras é visto como elemento delicado na relação entre os acionistas e a
direção da petroleira. Ele assumiu uma maior importância no noticiário após
setembro de 2010, quando a Petrobras fez a histórica captação de R$ 120,4
bilhões na Bovespa, a maior feita até hoje em bolsa no mundo. "Cada vez que
aumenta o grau de transparência de uma empresa cresce a confiança e reduz as
incertezas", disse Carlos Eduardo Lessa Brandão, conselheiro de
administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
"E isso vale para qualquer empresa, seja de controle estatal ou privado."
Essa preocupação do mercado estaria por trás do desempenho insatisfatório
dos papéis da companhia. A ausência de sinais nesse sentido fez com que as
ações da empresa entrassem em trajetória descendente. É exatamente isso que
Graça, com seu estilo franco e direto, tenta reverter. Outra questão que
preocupa o mercado é em relação à exigência de um conteúdo nacional elevado,
no mínimo 60%, dependendo do equipamento ou o tipo de serviço contratado
(veja também reportagem aqui). A concentração de encomendas de suas sondas e
plataformas em poucas empresas locais preocupa os investidores. "Trata-se de
um contrassenso do ponto de vista estratégico", diz Rozenbaum, da Bradesco
Corretora.
Graça rebate: "Tem de produzir aqui mesmo, debaixo de nossos olhos",
afirmou. "Isso gera mais competitividade para a companhia, pois conseguimos
monitorar melhor os custos, sem a perda da qualidade." Mas reconhece as
dificuldades. "A Plataforma P-55 está com atraso de 22 meses." Apesar disso,
os analistas se mostram otimistas em relação ao futuro da empresa,
especialmente devido à postura de sua presidenta. "Ter uma gestora com
perfil técnico e gerencial é importante no momento em que a Petrobras se
encontra em um ciclo de grandes investimentos", afirma Rozenbaum, concedendo
um crédito de confiança à executiva que ocupa o gabinete mais importante do
edifício-sede de 27 andares da petroleira, no centro do Rio de Janeiro.
Nilza Scotti
Assessora de Imprensa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres Presidência da República
(61)3411.4229
nilza.scotti em spmulheres.gov.br <mailto:nilza.scotti em spmulheres.gov.br>
www.spm.gov.br <http://www.spm.gov.br>
facebook.com/spmulheres
twitter.com/spmulheres
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: http://www1.planalto.gov.br/pipermail/pactonacional/attachments/20120813/e6ff2a60/attachment-0001.html
Mais detalhes sobre a lista de discussão Pactonacional